17 abril 2009

Consolidação no mercado de refeições coletivas

O mercado de refeições coletivas vive dias agitados. Ontem, a Gran Sapore, uma das maiores do setor no país, comprou o controle da gaúcha BQ Benefícios, administradora de vales-refeição e alimentação com 3 mil clientes e cerca de 150 mil usuários, principalmente na região Sul. Na semana que vem, a paulista Nutrin vai anunciar a aquisição de uma concorrente de menor porte, de Minas Gerais e dentro de duas semanas, a líder de mercado GRSA deve divulgar a compra de uma empresa de refeições da região Sudeste, com faturamento anual de R$ 60 milhões.

Os negócios fazem parte de um movimento de aquisições esperado. No ano passado, GRSA e Nutrin já afirmavam que comprar concorrentes fazia parte de suas estratégias de expansão.

Com cerca de 900 empresas em operação no país, segundo cálculos da Aberc (associação do setor), o mercado de refeições coletivas tende à consolidação. Mais de 80% do faturamento anual do setor, de R$ 9,5 bilhões, está nas mãos de 100 companhias. A maior delas, a GRSA, que pertence ao grupo inglês Compass lidera com 17% de participação. Em seguida vem Gran Sapore, com faturamento de R$ 900 milhões, Puras (R$ 767 milhões) e Sodexo (R$ 730 milhões).

"As compras aceleram o crescimento e abreviam o 'pay back' ao acionista", diz o diretor-geral da GRSA, Paulo Pires. É uma maneira de aumentar vendas e diluir custos fixos. A companhia pretende crescer 15% no ano fiscal que se encerra em 30 de setembro.

É o mesmo raciocínio que pauta a estratégia da Nutrin, que faturou R$ 115 milhões em 2008 e pretende crescer 18% neste ano, apesar do cenário econômico de desaceleração. Nenhuma das duas companhias revela o nome das empresas que estão sendo adquiridas. As compras concluídas agora já vinham sendo negociadas há vários meses e foram iniciadas antes do agravamento da crise financeira mundial, em setembro.

Mas é praticamente consenso no mercado que, com o novo contexto, esse movimento deve se intensificar. "Há uma tendência de consolidação que deve ser acelerada", diz o presidente da Gran Sapore, Daniel Mendez.

Com todas as empresas preocupadas em reduzir custos e renegociar contratos, a competitividade entre prestadores de serviços, como os fornecedores de refeições corporativas, ficou mais acirrada. E nem todos têm condições de reduzir o preço cobrado dos clientes sem que sua saúde financeira seja fatalmente afetada. Além disso, as demissões, férias coletivas e licenças remuneradas nas indústrias - que respondem por 65% da receita do setor - têm provocado queda nos faturamentos. Some-se a isso o aperto no crédito e é fácil concluir porque muitas companhias têm batido à porta das grandes do setor. "Nesse momento, a saída para muitas empresas é buscar parcerias, fusões ou mesmo a venda do negócio", diz Rogério da Costa Vieira, vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Refeições Coletivas (Aberc).

De outro lado, a crise acabou adiando alguns negócios. Além da empresa de refeições do Sudeste, está nos planos da GRSA desde o início do ano passado a aquisição de uma fornecedora de serviços corporativos de apoio (como jardinagem, recepção, limpeza e manutenção predial), para crescer nesse segmento, em que sua atuação hoje é pequena.

A aquisição da Sapore tem o objetivo de avançar em um segmento novo mais rapidamente, inclusive criou em agosto a Sapore Benefícios, para entrar na área de cartões-alimentação. A previsão inicial era investir R$ 35 milhões em dois anos na operação. Com a compra, esse investimento - redimensionado para R$ 30 milhões - será feito em um ano. A BQ será absorvida pela Sapore Benefícios. No ano passado, a BQ faturou R$ 250 milhões. Com ela, a Sapore pretende atingir R$ 1,5 bilhão em 2009.

17 abril 2009



15 abril 2009

Onda de consolidação no setor de TI

O mercado de TI irá passar por uma nova onda de consolidação, as quais devem incluir fusões e aquisições entre empresas, em particular entre as grandes.

A noticia publicada nesta semana, refere-se a avaliação do vice-presidente de pesquisas do Gartner, que acredita que a crise mundial forçará uma nova onda de negociações entre as empresas, principalmente em decorrência da dificuldade de manterem a rentabilidade e da desvalorização dos ativos no mercado. Segundo ele, teremos ao longo desse ano diversos negócios envolvendo empresas de TI, até de empresas que atualmente concorrem entre si. O mercado deverá assistir a negociações entre companhias de grande porte.

Voltando agora para análise do cenário brasileiro, deveremos ter fenômeno parecido, sobretudo no “middle-market”. E as negociações deverão se intensificar no segundo semestre de 2009, possivelmente repetindo o equivalente número de operações ocorridas no mesmo período de 2008. O primeiro trimestre de 2009 foi bastante modesto, pelo menos em relação às operações divulgadas pela imprensa, o que revela o clima de cautela.

15 abril 2009



07 abril 2009

Aquisições em tempo de crise têm melhores resultados

Recente estudo divulgado pelo Boston Consulting Group, analisou cerca de 408 mil aquisições realizadas entre 1981 e 2008, concluiu que aquisições feitas em períodos de crise têm resultados melhores.

Segundo o estudo, aquisições realizadas em períodos de queda na economia têm duas vezes mais possibilidades de oferecer retorno acima de 50% em longo prazo e, em média, geram 14,5% mais valor para os acionistas da companhia adquirente. (A consultoria considera como economia em queda períodos com crescimento anual abaixo de 3%).

“Muitas companhias fogem de processos de fusão e aquisição durante períodos de queda, mas a pesquisa aponta que, geralmente, este é o momento ideal para fazer uma aquisição”, diz o relatório.

A chave para o sucesso de potenciais compradores está em manter o foco nos tipos certos de empresas a serem compradas: tipicamente aquelas com forte faturamento, mas com rentabilidade frágil.

07 abril 2009



30 março 2009

Desglobalização

Desglobalização. Esta é a mais nova denominação atribuída aos resultados da desaceleração da economia mundial que estamos vivendo, segundo artigo de Marcelo Ninio, publicado na FSP de 29/03/09.

Muitos alegam que o avanço tecnológico e a interdependência econômica revolucionaram a tal ponto os meios de produção que tornaram o processo irreversível. Mas os números mostram recuo em três elementos que definem a globalização:
o movimento de bens;
de capitais; e
de pessoas.

A Organização Mundial do Comércio previu que o comércio global em 2009 terá a maior queda desde a Segunda Guerra Mundial, com contração de 9%. O declínio drástico da demanda e o bloqueio nos canais de financiamento fizeram desabar o volume das transações. Para piorar, barreiras protecionistas começam a ser erguidas em todos os continentes.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo registrou queda de 23,2% no transporte de cargas em relação ao mesmo mês de 2008. É um claro sinal de que o pior da crise ainda está por vir, disse o representante da Iata, observando que mais de um terço do comércio mundial de bens é feito por via aérea.

A crise também reduziu o movimento de pessoas. O número de passageiros de vôos pelo mundo caiu 5,6% em janeiro. O de turistas, que vinha crescendo 5% anualmente, encolheu 1% no último semestre, informou a Organização Mundial do Turismo.

A OIT (Organização Internacional do Trabalho) calcula que a crise poderá eliminar até 40 milhões de empregos no mundo até o fim do ano, grande parte entre a população "vulnerável", como a imigrante.

30 março 2009



02 março 2009

A visão de Warren Buffett sobre a crise

Na tradicional carta anual aos acionistas, Buffett defendeu a atuação do governo dos Estados Unidos contra a crise e admitiu que cometeu uma série de equívocos. O megainvestidor alertou ainda para a formação de uma bolha no mercado americano de títulos públicos e admitiu que a crise pode ir além de 2009, mas mostrou otimismo com a capacidade da economia dos EUA em superar desafios. Veja abaixo alguns dos principais pontos da carta:

Sobre a economia - "Nós estamos certos, por exemplo, que a economia vai se arrastar durante 2009 - e provavelmente por mais tempo que isso. Mas isso não nos diz se o mercado de ações vai subir ou cair nos próximos meses."
"Nós vivemos uma disfunção do mercado de crédito, que rapidamente se tornou não-funcional em diversos aspectos”.
"A espiral degenerativa da economia obrigou o governo a tomar medidas em massa. Usando o vocabulário do pôquer, o Tesouro e o Fed [Federal Reserve, o banco central dos EUA] estão apostando todas as suas fichas. O remédio econômico tem sido distribuído a rodo. Essas doses, impensáveis há algum tempo, quase certamente terão seus efeitos colaterais. Cada um pode tentar adivinhar que efeitos serão esses, embora eu acredite que uma consequência provável seja um ataque inflacionário."

Sobre os derivativos de crédito - "Aumentar a transparência é o remédio favorito de políticos, comentaristas e órgãos reguladores das finanças para evitar que o trem volte a sair dos trilhos, mas isso não resolve o problema dos derivativos. Eu não conheço nenhum mecanismo de divulgação que chega perto de descrever e mensurar os riscos de um enorme e complexo portfólio de derivativos.

Sobre novas bolhas - "Quando a história financeira desta década for escrita, certamente ela falará sobre a bolha da internet no final dos anos 90 e da bolha imobiliária nos últimos anos. Mas a bolha do mercado de títulos do Tesouro americano gerada a partir do final de 2008 poderá ser lembrada como algo quase tão extraordinário."

Sobre o desempenho do Berkshire - "Durante 2008 eu fiz alguns investimentos estúpidos. Eu cometi ao menos um grande erro por delegar poderes e outros equívocos menores que também machucaram. Além disso, eu cometi erros por omissão, chupando meu dedo enquanto fatos novos surgiam e que deveriam ter me levado a reexaminar minhas convicções e a agir prontamente."
"O Berkshire sempre foi um comprador de empresas e de ações, e o desarranjo nos mercados deu uma freada em nossas aquisições. Se for investir, lembre-se que o pessimismo é nosso amigo e a euforia é o inimigo."

02 março 2009



16 fevereiro 2009

Compra de empresa. Processo de integração ainda é precário.

Foi publicado no jornal Valor de hoje importante resultado de pesquisa feita pela PricewaterhouseCoopers (PwC) com executivos de cem empresas brasileiras que passaram recentemente por processos de fusão e aquisição. Mostra que um dos aspectos mais críticos é a evasão do capital intelectual. Em média, 25% dos gestores decidem não permanecer na empresa em virtude de políticas contratuais estabelecidas pela nova administração.

Menciona que grande parte dos CEOs dedica um grande empenho à negociação e à assinatura de um acordo de aquisição e fusão. Mas, para os funcionários, o "day after" desses negócios pode não ser bem uma lua-de-mel e sim um pesadelo. Em muitos casos, os principais executivos deixam de cuidar pessoalmente de vários aspectos dos processos de integração, cujos custos costumam ser bem mais onerosos do que os previstos. E os chamados "quick wins", os ganhos imediatos de sinergia, não acontecem tão rápido assim.

O envolvimento da alta gerência nos processos de integração ocupa o primeiro lugar na lista dos aspectos fundamentais para capturar o maior valor no menor tempo possível nos acordos de fusões e aquisições. No entanto, em 70% dos casos esse envolvimento é pequeno ou até mesmo inexistente. O estabelecimento dos "quick wins" também é visto como uma peça-chave para o sucesso das fusões e aquisições, mas muitas vezes é desconsiderado. O plano dos cem dias é crucial e as empresas devem obter o máximo de ganhos possíveis logo depois dos acordos.

A pesquisa mostra, contudo, que a maior parte das empresas - 62% delas - não faz um mapeamento das sinergias possíveis de serem obtidas após a fusão. "Nesses casos, a captura do valor da transação é prejudicada e há grande probabilidade de não atender às expectativas", diz o relatório da PwC.

De acordo com a pesquisa, 40% dos entrevistados responderam que o tempo de integração arrastou-se além do esperado e o atraso é atribuído à complexidade estrutural das empresas e ao despreparo dos colaboradores. Além das diferenças culturais entre as empresas fundidas, há uma falta de entendimento e conscientização dos funcionários em relação aos objetivos da fusão.

A pesquisa mostra que mais da metade dos CEOs de empresas que realizaram fusões e aquisições - 58% deles - não mediu os custos da integração, ou não usou ferramentas de controle para isso. Entre as 42% empresas que calcularam os gastos com a integração, o total desembolsado durante esse processo representou entre 1% e 5% do valor da aquisição. A adaptação dos sistemas de TI é o que mais pesa, absorvendo 13% das despesas com a integração.

16 fevereiro 2009



Utilizando o “Earn-out” na compra de empresa.

Na aquisição de uma empresa o pagamento do preço de compra é composto basicamente em duas formas. Uma no fechamento e a outra forma, denominada “earn-out”, que pode ser em vários pagamentos, vinculada ao cumprimento futuro de metas de desempenho.

“Earn-out” é uma parcela correspondente pagamento de parte do preço de aquisição de uma empresa e vinculada a uma compensação aos sócios vendedores em relação aos lucros futuros da companhia. É uma das formas mais utilizada para estruturar o pagamento adicional ao vendedor referente à parcela do lucro que exceder parâmetro previamente combinado.

Normalmente vinculado ao cumprimento de metas e indicadores de desempenho por parte dos gestores num determinado prazo. Esta modalidade é muito utilizada nas aquisições de empresas de tecnologia e serviços.

Para o comprador tem o atrativo em função de: (i) Valuation – Induz o vendedor a focar na avaliação dos direcionadores de valor relacionados à sua equipe de gestão (por exemplo, premissas de projeções financeiras sob a ótica do comprador) induzindo-o a aceitar que parcela do pagamento estará vinculada ao cumprimento de metas previamente estabelecidas; (ii) Incentivo – Mecanismo destinado a retenção e incentivo aos sócios e principais dirigentes com vistas a implementação do Plano de Negócios. Estimula e desafia os vendedores a permanecer nas atividades e maximizar seus ganhos potenciais. O cuidado que se deve ter é em relação às metas realistas de forma que os dirigentes não venham perder o interesse pelo desafio. É a verdadeira cereja do bolo. (iii) Fluxo de caixa – possibilita negociar ajustes de valores e pagamentos, postergando montantes que seriam desembolsados na frente.

Para o vendedor tem o atrativo em função de: (i) Discordância sobre preço - Fornece um mecanismo de composição de expectativas quando há desacordo em relação ao múltiplo e/ou preço pedido pelo comprador. Entre os exemplos, são os casos de ampliação de base de clientes, tecnologia com grande potencial de crescimento em que o comprador não se sente suficientemente em condições de avaliar seu dinamismo. O “earn-out “ permitirá que o desempenho futuro comprove as premissas e remunere os vendedores com parte dos ganhos realizados. (ii) Acesso a recursos – Proporciona acesso a recursos não só financeiros, como de estrutura de profissionais especializados adicionais, canais de vendas, vendas cruzadas, que em outra circunstância não teria. (iii) Exposição – Ser incorporado numa estrutura maior, com mais status, e reduzindo e mitigando os riscos inerentes ao seu porte. Além disso, amplia o escopo de sua atuação com a perspectiva de crescimento que dificilmente poderia alcançar



30 janeiro 2009

Novo valor de mercado dos bancos


30 janeiro 2009



Davos: empresários vêem oportunidade de aquisições com crise

Líderes empresariais vêem oportunidades para aquisições e fusões com a crise global. Durante o Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, executivos de grandes empresas, que conseguiram manter o balanço de 2008 no azul, afirmaram que estão de olho nos rivais menores. Mark Foster, da Accenture comentou "Vamos ter novas ondas de consolidação com os competidores mais fracos sendo engolidos pelos maiores. A indústria do varejo vai passar por uma fase de consolidação, assim como o comércio, a indústria farmacêutica e as empresas de comunicação".

Em 2008, a número de fusões caiu 30%, com os temores de recessão. No entanto, espera-se que esta tendência será revertida neste ano. Já para John Studzinski, do grupo Blackstone. "O grande setor que deve ser reestruturado é, sem dúvida, o financeiro. Também existe muito trabalho a ser feito em energia e infra-estrutura. Acho que os negócios vão continuar". "Haverá muitas oportunidades. A questão principal é o que se deve fazer para o bem da empresa e acho que devemos ter muito cuidado com as oportunidades, sem ir muito rápido", comentou Maurice Levy, diretor da francesa Publicis.



27 janeiro 2009

Blindagem do Caixa

Boa parte das grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos está com muito dinheiro no caixa, por conta de uma postura bastante conservadora. Estão postergando as decisões relacionadas com o retorno dos recursos aos acionistas ou aquisições na fase de baixa do mercado.

Estão tratando a crise financeira com muita cautela. O crédito continua escasso o que vem deixando empresas de diversos setores extremamente carentes de recursos. "Continuaremos desejosos de caixa", diz Steve Ballmer, executivo-chefe da Microsoft, que possui perto de US$ 21 bilhões no momento. "Neste cenário, a maioria das pessoas vai dizer a você que caixa é tudo. A maioria tende a guardar caixa com unhas e dentes porque nunca se sabe quando você poderá precisar dele."

A forte posição de caixa vem diferenciando o setor tecnológico e proporcionando uma flexibilidade financeira considerável às maiores empresas do setor. Algumas companhias como a Microsoft e a Cisco mantêm grandes posições de caixa desde o estouro da bolha tecnológica no começo desta década. Outras, como a Apple e o Google, aproveitaram o sucesso dos últimos anos para entrar nessa elite de super-ricos.

Os colchões de caixa de empresas de tecnologia aplicados em partes do negócio que exigem menos capital superam em muito essas exigências no momento. Desde o estouro da bolha, muitas outras companhias do setor vêm respondendo às pressões dos acionistas para reduzirem parcialmente os saldos de caixa recomprando ações e fazendo pequenas aquisições.

Mesmo assim, manter um grande colchão de proteção também deixa a companhia com "uma série de opções" para o futuro, como fazer aquisições e investir nos negócios, além de enviar uma mensagem forte aos clientes sobre sua capacidade de resistência, afirmou Frank Calderoni, diretor financeiro da Cisco.

No entanto, embora afirmem que o caixa ajudará as empresas a empregarem melhor seu dinheiro em aquisições, a maioria dos executivos do setor tecnológico diz que elas continuarão realizando apenas negócios relativamente pequenos e que mesmo esses negócios poderão ser muito poucos. "Na verdade, trata-se de uma arma estratégica", afirma Schmidt.

27 janeiro 2009



08 janeiro 2009

E se montar no tigre?

A Gigante indiana Satyam Computer Services, que terceiriza serviços de tecnologia e desenvolve software por encomenda, admitiu ontem 07/01/09 , uma fraude contábil de US$ 1 bilhão. A companhia inflacionou os seus lucros por muitos anos. Apenas no 3º. trimestre de 2008, o lucro operacional divulgado era 11 vezes maior que o real.

Seu presidente disse que "toda tentativa feita para tapar o buraco falhou". "Era como montar um tigre, não sabendo como apear sem ser comido".

A Satyam é a quarta maior empresa de tecnologia da Índia. O faturamento no último ano fiscal ficou em US$ 1,42 bilhão, com um crescimento de 46% - em média o crescimento nos últimos 5 anos foi de 35% a.a. Dos cerca de 375 clientes de sua carteira, 75% são empresas sediadas nos Estados Unidos .

No Brasil, os negócios têm dobrado a cada ano. A sede para a América Latina está em São Paulo, onde ficam 150 pessoas. Em Londrina (PR), há outros 30 funcionários em uma unidade com capacidade de abrigar mil pessoas com o objetivo de atender ao mercado local e prestar serviços a clientes baseados nos Estados Unidos.

As implicações e desdobramentos desta fraude, irão afetar não só os acionistas da Saytam como também os potenciais investidores em empresas indianas no mundo inteiro, seja em função da eficácia dos órgãos reguladores indianos, seja pela ineficiência das práticas de governança corporativa praticadas.

Além disso, os clientes da Saytam não poderão negligenciar com as possíveis conseqüências em relação a uma compra ou fusão por outra provedora de serviços. Neste caso, os possíveis interessados irão analisar com muito cuidado o equilíbrio econômico financeiro dos contratos junto aos clientes, pois pelas dimensões da fraude, pode sinalizar que os preços praticados pelos serviços oferecidos aos clientes não apresentam rentabilidade que justifiquem a assunção de grandes riscos.

E, diante disso, possivelmente o assédio será dos clientes da Saytam junto aos provedores concorrentes.

08 janeiro 2009



06 janeiro 2009

Humor na Crise II


06 janeiro 2009