02 abril 2020

Sinch compra Wavy por R$ 610 milhões

Grupo Movile, que até agora só comprava, vendeu uma empresa do seu porfólio.

Wavy é a segunda maior empresa no segmento de mensagens do país. Foto: Pexels.

A Sinch, uma companhia sueca especializada em soluções na nuvem para engajamento do consumidor, pagou cerca de R$ 610 milhões divididos entre dinheiro e ações próprias adquirir a Wavy, uma companhia da Movile Group do mesmo ramo de atuação.

Do total, R$ 355 milhões serão pagos em dinheiro, e outros R$ 255 milhões em ações da Sinch, de acordo com o câmbio coroa sueca x real de hoje.

As ações tornam a Movile uma “shareholder chave” da companhia sueca, aponta a Sinch em nota.

De acordo com a Sinch, a Wavy é a segunda maior players de messaging no Brasil, tendo começado com SMS para construir uma “posição proeminente” em plataformas de última geração como WhatsApp, chatbots e outros.

Na sua divulgação, a Sinch destaca como o negócio reforça a sua presença latino americana.

Além do Brasil, a Wavy está presente no México, Colômbia, Peru, Chile, Argentina e Paraguai, totalizando 50 acordos com operadoras de telecomunicações na região. São 260 funcionários em nove escritórios.

São 13 bilhões de mensagens de SMS por mês, incluindo clientes como a Caixa Econômica Federal e a Atento. Usando o WhatsApp, os clientes incluem iFood e Ingresso Rápido.

Já a plataforma da Sinch é responsável por mais de 40 bilhões de interações por ano.

O CEO da Wavy, Eduardo Henrique, deve se tornar parte do time de gerência sênior da Sinch.

Para o período de 12 meses encerrado no final de março, a Wavy espera receitas de R$ 464 milhões, com lucro de R$ 130 milhões. Em nota, a Sinch prevê sinergias de entre R$ 15 e R$ 20 milhões nos próximos 24 meses.

Em julho de 2018, a Movile recebeu um aporte de investidores de US$ 124 milhões, o maior da sua história.

O montante foi investido na empresa por dois de seus principais acionistas, os fundos Naspers Ventures e o brasileiro Innova Capital – este último mantido por Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil.

Em 2017, os dois fundos já tinham liderado duas rodadas de investimento na empresa: em junho, o aporte foi de US$ 53 milhões e, em dezembro, chegou a US$ 82 milhões.

Somando as três rodadas, o valor representa quase 70% dos US$ 375 milhões (R$ 1,45 bilhão) já levantados pela Movile em seus oito anos.

Até agora, o fluxo de capital tinha servido para realizar mais de 20 fusões, aquisições e investimentos em startups como PlayKids, Sympla, iFood, Rapiddo, MapLink, Apontador, SuperPlayer, entre outras.

Ao que parece, agora o movimento se inverteu, com a Movile fazendo uma venda.... Leia mais em baguete 27/03/2020


02 abril 2020



01 abril 2020

Conheça a Carupi, startup brasileira de venda de carros acelerada pela Y Combinator

Os tradicionais serviços de despachantes podem ser eficientes, mas são um tanto anacrônicos para os nossos dias. É uma daquelas atividades da velha economia que exigem confiança subjetiva no profissional ou na empresa contratada. Na compra e venda de carros, pior. Se você for leigo nas questões técnicas, ainda terá de contar com um mecânico para te ajudar a não perder mais dinheiro.

Essa burocracia faz parte de um mercado que transaciona cerca de 11 milhões de veículos ao ano no Brasil. “A forma de negociação tradicional ainda é muito desvantajosa para quem quer vender um carro. Ou você procura uma concessionária e ganha na comodidade, mas perde dinheiro; ou você tenta vender diretamente e perde em segurança e burocracia”, analisa Diego Fischer.

Observando o alto potencial desses gargalos, ele fundou a Carupi em setembro de 2019, que usa a tecnologia para minorar esses processos através de uma plataforma digital, onde vendedores e compradores não precisam sequer sair de casa para dar um match.

Se um cliente deseja comprar um carro, a startup o leva até a residência do interessado para um test-drive; consolidada a compra, a entrega é realizada no local escolhido. Já para os vendedores, a Carupi oferece um fotógrafo profissional para realizar um ensaio do veículo, que é publicado em diversos canais de comunicação, podendo atingir até 500 mil potenciais compradores. Todos os veículos são periciados por profissionais. O vendedor paga somente uma taxa média de 3 mil reais quando o acordo for concluído.

“A negociação com compradores é feita por especialistas da startup, que agem em nome dos vendedores para obter as melhores ofertas. Quando um interessado aparece com boa oferta, a Carupi leva o carro assegurado até ele por meio de um serviço VIP de motoristas. Quando a transação fecha, a empresa também envia um cartório até o cliente para a transferência conveniente do documento e garante o dinheiro na conta. A pessoa fica com o carro durante todo o processo, exceto nos test-drives. E não há exclusividade, ou seja, ela também pode tentar vender em outros canais”, explica Fischer.

Aporte e aceleração da Y Combinator

Desde janeiro e até o final de março de 2020, Diego Fischer participa do programa de aceleração da Y Combinator, uma das gigantes do setor do Vale do Silício. A Carupi recebeu um aporte inicial de 150 mil dólares.

O engenheiro elétrico graduado pela Universidade de São Paulo, com MBA pelo MIT Sloan School of Management, conta à reportagem que a sua startup passou por um criterioso processo seletivo para garantir uma vaga no programa, atendendo a todos os requisitos necessários.

“O programa é essencialmente de mentoria, com jantares com fundadores que passaram pelo Y Combinator, como por exemplo os fundadores do Airbnb. São palestras sobre temas diversos que permeiam o ambiente de alto crescimento de uma startup e coaching com partners do Y Combinator, que já viram centenas de startups darem certo e fracassarem e que podem apontar onde devemos prestar atenção”, revela Fischer.

“Os empreendedores [selecionados no programa] são de todo o mundo. Para a Carupi, o mais importante está sendo trabalhar no aspecto de aquisição de clientes, que é um tema crítico para qualquer startup, mas especialmente para nós que estamos desenvolvendo um modelo de negócios nunca antes tentado”, complementa.

O empreendedor ainda afirma que a Carupi já recebeu outras quatro rodadas de investimentos, mas não pode revelar os valores e os participantes. Atualmente, a empresa opera com 50 funcionários apenas na Grande São Paulo. No plano de expansão, ela deve seguir para outras cinco capitais no primeiro semestre; e conquistar 10 cidades até o final de 2020.

“O que podemos anunciar é que a nossa expectativa é chegar em julho deste ano com 100 milhões de reais transacionados anualizado”, conta Fischer... Leia mais em starse 01/04/2020



01 abril 2020



O que a Covid-19 representa para o financiamento de startups?

Conforme a COVID-19 se dissemina de maneira acelerada sobretudo na Europa ocidental, nos Estados Unidos e na América Latina, especialmente no Brasil, seus enormes impactos econômicos são, já, incontestáveis. Com a expectativa de uma queda acentuada no produto interno bruto (PIB) global, autoridades governamentais se apressam para apresentar uma resposta rápida com o objetivo de aumentar a liquidez, dando alguma esperança às famílias e empresas e acalmando os mercados.

Em tempos incertos, empreendedores provavelmente se questionam: quais são as consequências para a captação de recursos para startups? Deveria eu, de alguma maneira, adaptar a minha estratégia para me relacionar com um investidor externo? Seria este o melhor momento? Como os fundos de venture capital (VCs) reagirão? Será sequer possível captar recursos em um futuro próximo?

Qualquer tentativa de antecipar como a indústria de VC se comportará no período pós-Covid-19 é meramente tentativa, face à extrema imprevisibilidade do momento. As linhas que seguem, contudo, baseadas em conhecimento compartilhado por players da indústria de VC, tentam iluminar o debate e fornecer alguma orientação para empreendedores.

Em primeiro lugar, empreendedores que estejam em busca de financiamento devem se atentar ao fato de que a dinâmica de uma transação de VC será, agora, bastante diferente. Como teoria e prática mostram[1], face a um ceticismo crescente, é de se esperar uma mudança nos termos e condições da operação, direcionada a uma alocação de direitos de controle mais centrada na figura do VC e, portanto, menos “entrepreneur-friendly”, divergindo do que vinha se tornando padrão, sobretudo para empreendedores seriais, ou seja, com track record demonstrado[2].

Em segundo lugar, VCs estarão mais focados em dispender tempo e recursos com suas investidas, bem como ajudá-las a navegar em águas até então desconhecidas. Isso significa que muito esforço será destinado ao auxílio de suas startups na reestruturação de planos de negócio e orçamentos e a lidar com complexas questões envolvendo equipe e estratégia, por exemplo. Em muitos casos, as investidas demandarão novas infusões de recursos e, especialmente se a utilização de capital de terceiros (dívida) não for uma opção disponível (o que é verdade para a maioria das startups early-stage), poderão ser necessárias rodadas internas (bridge rounds) com a participação dos VCs.

Acreditamos que menos recursos serão aportados em novos empreendimentos, à medida em que VCs “elevam a barra” e se tornam mais seletivos para propor novos term sheets. Esperamos que aquelas operações com term sheets já apresentados devam seguir seu curso normal, contudo, VCs estarão mais relutantes em aceitar novas investidas, exceção feita àquelas que oferecerem modelos de negócios realmente inovadores, com equipe e soluções que racionalmente suplantem o risco (adicional) assumido.

Assim, conforme aumenta a incerteza, VCs demandarão mais visibilidade para investir e serão mais seletivos a respeito do modelo e da equipe de execução, exigindo uma compreensão adequada a respeito de como (e se) a startup sobreviverá aos desafios colocados – como intuitivamente referiu um VC do Vale do Silício, será levada em consideração a “resiliência e autoconsciência” do empreendedor. Como exemplo, a New Enterprise Associates já instou as companhias por ela investidas a considerarem estratégias alternativas de financiamento, incluindo linhas de crédito, de acordo com o Financial Times. Em consonância, a maioria dos VCs deverá adotar uma postura mais cautelosa, na medida em que aguardam e avaliam resultados mais claros da Covid-19.

É possível argumentar que já era hora de uma correção na indústria de VC, observando, ainda, a existência de um volume substancial de recursos comprometidos e não alocados (“dry powder”) – algo como US$2.4 trilhões, de acordo com os dados mais recentes do Pitchbook.

No entanto, os investidores (“limited partners”) possivelmente perderam valor em uma parte substancial de seus investimentos, sobretudo no mercado acionário, em virtude dos massivos movimentos de selloff verificados. Logo, em comparação com o cenário anterior, seu total de ativos está reduzido e, consequentemente, mantida a alocação alvo original em VC/mercados privados (em termos percentuais), os investidores possuem um valor absoluto menor para fazer frente às chamadas de capital (em razão do chamado “denominator effect”). Portanto, qualquer chamada de capital, agora, é capaz de gerar impactos relevantes, especialmente caso os investidores precisem liquidar outras posições (e, para tanto, aceitar descontos substanciais) para que possam honrar seus compromissos de aporte.

Nossa impressão é apoiada pelos dados da CB Insights, projetando um declínio, no primeiro trimestre de 2020, que será “o segundo declínio trimestral mais íngreme nos últimos dez anos”, bem como uma queda substancial no volume de transações:

O Pitchbook, por outro lado, espera que o volume de transações no primeiro trimestre de 2020 seja pouco afetado, especialmente em virtude do fato de que transações anunciadas, por exemplo, em março, foram negociadas ou consumadas anteriormente à explosão da pandemia. Os próximos trimestres de 2020, contudo, devem exibir um declínio no volume total de transações, em linha com o que aconteceu após a crise financeira de 2007-2009. Vale dizer que o ecossistema de investimentos anjo e seed está muito mais maduro nos tempos atuais, razão pela qual não devemos experimentar um crescimento tão significativo nessas operações:

Outro ponto digno de observação é a possível derrocada no volume de “saídas”, seja em virtude da maior escassez de transações com investidores estratégicos (M&A) ou buyouts secundários, com investidores financeiros, ou porque os investidores em geral estarão menos receptivos a novas aberturas de capital (IPOs) – esse último ponto, como se sabe, é um termômetro para a atividade de VC.

Outro efeito prático deverá ser um aumento no período entre a captação de novos fundos e uma ampliação no período de manutenção (“holding period”), em razão de uma relutância, por parte dos VCs, em aceitar descontos e menores múltiplos de saída. O período médio levado para captar novos fundos, em 2019, era de três anos, de acordo com dados do Pitchbook. No entanto, com a crise da Covid-19, esperamos que essa média novamente se aproxime de quatro anos ou mais, em linha com o praticado no período anterior a 2014.

Então, quais são os aprendizados e o playbook para empreendedores que precisem de capital de risco nos próximos meses?

Levando em consideração os conselhos que alguns VCs estão expressamente oferecendo às suas investidas, os empreendedores deveriam preservar seu caixa e submeter seus balanços e modelos de negócio a um teste de estresse para sobreviver à ameaça da Covid-19, ainda que isso signifique colocar temporariamente o playbook de crescimento agressivo na prateleira.

Conforme a receita diminui, muitos observarão uma deterioração no perfil do fluxo de caixa que não poderá ser compensada por uma redução de custos sem que o negócio seja fundamentalmente prejudicado. Uma vez que os recursos podem não ser disponibilizados por bancos públicos ou privados ou por linhas de crédito subsidiadas pelo governo[3], recorrer a fundos de VC parece a solução natural, mas essa solução pode vir a um custo excessivo. De maneira alternativa, possivelmente observaremos novas formas de financiamento para startups early-stage. Após a crise de 2008-2009, o modelo de crowdfunding surgiu em um contexto semelhante e, nessa linha, já existem algumas iniciativas que trazem opções de curto prazo interessantes para a mesa.

Startups early-stage devem sopesar a necessidade de captar recursos via equity com os riscos de um down round, tendo em mente os possíveis resultados de provisões antidiluição e prejuízos reputacionais que podem acompanhar tais eventos[4]. Assim, acreditamos que o modelo de venture debt deverá desempenhar um importante papel. Um aumento na assimetria de informação e na incerteza também fará com que valuations later-stage estejam sujeitos a descontos, sobretudo quando comparado com o que vinha sendo praticado nos últimos anos, possivelmente criando um “ponto cego”, à medida em que as partes terão mais dificuldade em acordar sobre preço e riscos.

Empreendedores de países emergentes, como é o caso do Brasil, enfrentarão um problema adicional, vez que muitas de suas moedas estão, agora, severamente depreciadas em relação ao dólar[5]. Assim, valuations denominadas em dólar, feitas em 2019, por exemplo, provavelmente não farão sentido em 2020, demandando ajustes de preço em transações em andamento e penosas discussões a respeito de preço em novas operações.

Por outro lado, a jornada geográfica da Covid-19, de continente para continente, deve também ser indicativa da atividade de VC. No mês de fevereiro, apesar de a Covid-19 ter assolado o mercado chinês, observamos vários investimentos sendo feitos e novos fundos sendo captados na Europa e nos Estados Unidos[6]. Isto sugere que, agora, conforme a situação se modifica e o mercado chinês objetiva uma recuperação acelerada, VCs asiáticos devem, de maneira mais aguda, investir em startups de outros continentes. Com base em discussões confidenciais com assessores, VCs chineses e instituições financeiras já organizam recursos para investir em startups no setor aeroespacial, militar, de tecnologia da informação, saúde e segurança. Veja-se, por exemplo, a batalha pela Reliance Jio e outros investimentos em unicórnios europeus e americanos.

Em conclusão, ainda estamos diante de um cenário extremamente embaçado, de modo que apenas arranhamos a superfície das implicações da Covid-19 para a indústria de VC e para a atividade econômica em geral. Somente será possível compreender a extensão dos impactos no financiamento de startups nos próximos trimestres de 2020. Isso, contudo, não deve impedir que empreendedores rapidamente adotem estratégias de sobrevivência, refletindo sobre seus modelos de negócio, questionando suas assunções e premissas e, caso realmente precisem captar recursos via equity no futuro próximo, se preparem para um “novo normal” em termos de dinâmica da transação e perfil do investidor.

[1] Cf. KAPLAN, Steven N.; STRÖMBERG, Per. Characteristics, contracts, and actions: evidence from the venture capitalist analyses. The Journal of Finance, v. 59, nº 5, 2004, pp. 2.177-2.210.

[2] Como analistas do Pitchbook apontam, “we have already seen a downward shift in valuations, and deal terms have swung back in favor of investors following a prolonged movement toward founder-friendly terms. Startups needing to raise capital in the current environment will increasingly encounter liquidation preferences, dividend rights and other investor protections. Many startups may find these terms, or the prospect of a down round, untenable and turn to alternative sources of financing […]”.

[3] Nas últimas três semanas, mais de 130 companhias na Europa e nas Américas já recorreram a, pelo menos, US$124 bilhões de linhas de crédito (The Financial Times, 25 de março de 2020).

[4] É importante notar que a down rounds ocorrem com maior frequência em momentos de incerteza econômica – de acordo com o Pitchbook, eles representaram 35% das transações em 2009 e 18% em 2008, em comparação com 9% em 2019.

[5] O Real, por exemplo, depreciou cerca de 25% em relação ao mês de janeiro de 2020.

[6] A Atomico, por exemplo, levantou um novo fundo de US$820 milhões e a Batter Ventures levantou dois fundos que, combinados, totalizam US$2 bilhões. Para mais, veja-se Miles Kruppa, ‘Venture Funds Race for Capital Despite Valuation Concerns’ (The Financial Times, 24 de fevereiro de 2020). Leia mais em andradechamas 31/03/2020




Empresas rediscutem contratos de aquisições em meio às incertezas do Covid-19

Em um ano com potencial de ser o pior da última década para os negócios de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês), advogados, agora de forma remota por conta da quarentena, estão debruçados em questões contratuais. Após decretada a pandemia do coronavírus, essa tem sido a maior demanda vinda das companhias em todo País.

As empresas que estavam com negócios na mesa estão fazendo consultas sobre renegociação de contratos e até mesmo sobre a possibilidade de encerrar de vez a operação, em um momento em que não se tem clareza sobre os efeitos da atual crise. A análise está sendo feita com profundidade em uma cláusula tradicional dos contratos de M&A, chamada no mercado de MAC (do inglês, Material Adverse Change).

O assunto, contudo, está aberto à interpretação e um dos caminhos tem sido negociar para que o fechamento das transações fiquem para o segundo semestre do ano, quando se espera maior visibilidade sobre as condições econômicas das empresas.

Essa cláusula, sempre presente nos contratos de M&A, protege compradores e vendedores de uma transação forçada quando surge um fato que é capaz de alterar de forma drástica as condições e premissas sobre as quais os contratos foram originalmente pensados. Tal item contratual traz para os contratos de M&A particularidades e maior detalhamento para cada transação, para se evitar, assim, que as partes precisem recorrer ao texto mais aberto do código civil, comenta a advogada Ana Frazão, sócia do Ana Frazão Advogados. “Nessa cláusula as partes alocam as suas próprias percepções de risco em relação ao negócio e que consideram importante e se evita ir à regra geral do código civil”, diz. No código estão previstos os casos fortuito ou de força maior. A lei diz que o “devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado”.

Até por conta dos valores em transações de M&A, Frazão comenta que esses contratos costumam ser costurados com cuidado, exatamente para proteger as partes de prejuízos.

O sócio do escritório PGLaw e professor na Universidade de São Paulo (USP), Carlos Portugal Gouvea, explica que essa cláusula existe para dar mais tranquilidade às partes no período entre a assinatura do negócio e o fechamento da operação, que podem demorar vários meses por conta da necessidade do aval de órgãos reguladores, como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A cláusula MAC, segundo o especialista, é um ponto em que as partes envolvidas em um negócio de M&A já costumam se debruçar por mais tempo, para se buscar um equilíbrio entre as necessidades de compradores e vendedores. No momento, um dos pontos centrais nas discussões tem relação ao “valuation” das empresas diante da atual crise.

O advogado comenta que na pandemia do Sars em Hong Kong, em 2003, essa discussão veio à tona nos contratos de M&A da região. “Esse assunto foi muito debatido naquele momento. Uma das coisas que tem que ser levada em consideração são se ações governamentais, como o ‘lockdown’, afetaram o negócio da empresa”, destaca. Segundo ele, tamanho o grau de incerteza, uma das negociações está sendo no sentido de postergar o fechamento da transação para o segundo semestre, à espera de maior visibilidade em relação à economia global.

O advogado Miguel Neto, sócio do escritório Miguel Neto Associados, destaca que nesse período em que já houve a assinatura, mas a transação ainda não foi fechada, há clientes questionando sobre a possibilidade da cláusula MAC, para haver uma postergação. “Em um caso não houve acordo. A compradora notificou alegando força- maior e rompeu o contrato”, comenta o especialista.

Aguardar visibilidade.

No escritório Stocche Forbes, há transações que neste momento seguem a trajetória de negociação, mas, por conta da quarentena, de forma remota. No entanto, para os contratos já assinados a sugestão tem sido de aguardar para fechar a transação em um momento de maior visibilidade. Uma das dúvidas que tem chegado, comenta o sócio do escritório, Flávio Meyer, vem da ponta compradora nas operações, que começaram a questionar sobre a saúde financeira da empresa a ser adquirida nesse momento e se a cláusula de força maior poderia ser acionada.

“A recomendação é aguardar para se ter mais visibilidade. Até porque a decisão de romper o contrato de forma unilateral e abruptamente pode levar o contrato para o contencioso”, aponta. Segundo ele, diante da crise, o mercado de M&A pode mais à frente ter algum aquecimento por conta da necessidade de empresas venderem ativos, por exemplo, já que podem precisar de liquidez.

O encerramento de contratos, acredita o sócio do Bocater Advogados, Francisco Costa e Silva, deverá ser objeto de arbitragens. As partes estão querendo saber se podem acionar a cláusula de força maior, muitos já pensando em desfazer negócios assinados antes da eclosão da atual crise. “As empresas querem preservar seu caixa”, diz.

Uma das questões é que acionar tais cláusulas para desfazer o negócio é algo que abre margem para diferentes interpretações. A especialista em Fusões e Aquisições do Cescon Barrieu Advogados, Fernanda Bastos, afirma que é importante prever que situações referentes à crise devem ser consideradas como aptas a desfazer o negócio. “Que aspectos da crise podem, ou não podem, ser considerados uma alteração significativa permitindo às partes desistir da operação? As condições precedentes devem, obrigatoriamente, responder essas questões para que haja mais segurança e conforto de todos os envolvidos”, comenta a advogada.

De acordo com Bastos, é preciso analisar quais situações da crise devem ser consideradas aptas para que um negócio seja desfeito. Segundo ela é preciso definir quais aspectos podem ser estabelecidos como uma alteração significativa

É importante prever que situações referentes à crise devem ser consideradas como aptas a desfazer o negócio. “As condições precedentes devem, obrigatoriamente, responder essas questões para que haja mais segurança e conforto de todos os envolvidos”, afirma.....  Fernanda Guimaraes Leia mais em estadao 01/04/2020



Omega Geração suspende participação em processos para aquisições após coronavírus

(Corrige no penúltimo parágrafo para R$447,75 "mil", e não "milhões")

A empresa de energia renovável Omega Geração informou que decidiu suspender todos processos para possíveis aquisições dos quais participava no momento devido à mudança de cenário após o surgimento da pandemia global de coronavírus.

A elétrica disse que o movimento, que atinge procedimentos "públicos e privados", será mantido até que a empresa possa ter uma melhor avaliação do cenário e da "nova conjuntura que dele surgirá", segundo comunicado nesta terça-feira.

"Tal suspensão permitirá direcionarmos esforços para atividades mais críticas no momento, tal como a continuidade de nossas operações sem qualquer impacto para nossos clientes", disse a companhia.

No mesmo comunicado, a Omega informou que foi concluída a transferência à companhia da totalidade das ações da Centrais Eólicas Assuruá (CEA III), que controla dois parques eólicos na Bahia com capacidade instalada total de 50 megawatts.


A Omega, que tem crescido rapidamente com a aquisição de ativos de geração renovável operacionais, disse que pagou 19,7 milhões de reais pela compra dos ativos da CEA III, além de uma parcela de 447,75 mil reais a ser quitada dentro de cinco dias úteis, após cumprimento de algumas obrigações pelas partes.

Os parques eólicos alvo da operação, anunciada no ano passado, iniciaram operação comercial em abril de 2019. (Por Luciano Costa)  Reuters Leia mais em noticias r7 em 31/03/2020



Fusão entre Stars Group e Flutter Recebe Aprovação no Reino Unido

Se a operação for concluída conforme o esperado, criará a maior operadora de apostas e jogos online do mundo.

Flutter Entertainment, proprietária da Paddy Power Betfair, recebeu liberação para avançar com a aquisição de The Stars Group (TSG). A Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido (CMA) concedeu ao acordo ‘autorização incondicional da primeira fase’.

Se a operação for concluída conforme o esperado, criará a maior operadora de apostas e jogos online do mundo.

Como parte do acordo, o conselho combinado será composto por 15 diretores até 31 de dezembro de 2020. O CEO da TSG, Rafi Ashkenazi, se tornará consultor da Flutter. Essa foi uma mudança da função de diretor de operações anunciada anteriormente.

O presidente-executivo da Flutter Entertainment, Peter Jackson, expressou sua satisfação com o acordo que se aproxima da conclusão. Ele também mencionou que os atuais desafios enfrentados pelas apostas esportivas o deixam ainda mais determinado a continuar o crescimento do grupo.

“Nestes tempos difíceis, estou mais convencido do que nunca do ajuste estratégico desses dois negócios complementares. O negócio desfrutará de diversificação geográfica e de produtos aprimorados, o que nos permitirá avançar em nossos objetivos. Estou muito satisfeito que Rafi concordou em ingressar no Flutter Board e está disponível como consultor, dado seu amplo conhecimento dos negócios internacionais da Stars”.

Aquisição da Flutter Entertainment

Flutter e Star Group concordaram uma mega-fusão em outubro de 2019. Se tudo ocorrer de acordo com o plano a partir de agora, as duas receitas combinadas serão de £ 3,8 bilhões. Além disso, preços atuais das ações, a empresa incorporada teria uma capitalização de mercado total de mais de 11 bilhões de libras.

Entre outubro e agora, a TSG vem ampliando sua presença global. A empresa se expandiu para o mercado recém-regulamentado do Michigan, nos Estados Unidos, em janeiro, por meio de um acordo com as bandas Little Traverse Bay dos índios Odawa (LTBB Odawa).

Espera-se que o acordo seja finalizado este ano. No entanto, ainda não se sabe se esse plano será alterado devido à atual situação global.., leia mais em igamingbrazil 31/03/2020



Há 10 anos a Volvo alterava o curso de sua história graças à aquisição pela Geely

Ao adquirir a sueca, o grupo chinês deu total liberdade para a montadora se renovar

Há 10 anos, o mundo ainda vivia os efeitos de uma grave crise econômica iniciada dois anos antes — que por diversos fatores demoraria para chegar por aqui, mas que também causaria muitos estragos. A quebra de 2008 atingiu em cheio as montadoras de veículos.

Em meio a crise, a Ford se viu obrigada a vender suas subsidiárias de luxo, as principais eram Jaguar Land Rover e Volvo. Enquanto a inglesa foi adquirida pela indiana Tata, a sueca se viu nas mãos da chinesa Zhejiang Geely Holding, ou simplesmente Geely. O acordo de aquisição foi assinado no fim de março de 2010, ou seja, há 10 anos.

O que poderia ser um grande problema para a marca de veículos luxuosos, afinal, a China ainda estava se transformando na “fábrica do mundo” e era relativamente nova nas relações comerciais de grande impacto com outros países, se tornou a salvação da sueca, que deixou de ser puramente europeia para se tornar verdadeiramente global.

Com um “cheque em branco”, a Volvo viu na parceria com a Geely a oportunidade de crescer. A partir de 2010, as duas traçaram um novo futuro para a marca sueca, com base em alguns elementos fundamentais: independência técnica, presença global de fabricação, identidade de marca reforçada e governança Geely.

Para o executivo-chefe da Volvo, Håkan Samuelsson, a sueca está mais forte do que nunca. “Com a Geely, começamos uma nova fase de sucesso que nos levou a um nível totalmente novo. Renovamos completamente nosso portfólio de produtos, estabelecemos uma presença global e quase dobramos nossas vendas”.

Passada uma década e de olho no futuro, a Volvo Cars desenvolve uma base firme para tornar-se líder em eletrificação, condução autônoma e novos modelos de mobilidade. Tudo isso paralelamente a uma cooperação cada vez mais estreita com suas marcas irmãs sob supervisão da Geely.

Nos próximos anos, a sueca pretende se estabelecer como líder em eletrificação. Até 2025, almeja que metade de seu volume global de vendas seja de veículos 100% elétricos, com os demais híbridos. Segundo a marca, esses carros farão parte de uma nova geração de Volvos baseados na plataforma SPA2, que irá substituir a atual e bem-sucedida arquitetura modular.

Além da eletrificação, outro foco da sueca é a tecnologia autônoma. A empresa espera desempenhar um papel de liderança mundial na introdução segura deste tipo de tecnologia. Para estabelecer essas metas, a marca montou, na última década, um modelo de negócios sustentável e lucrativo, criando uma plataforma sólida para esse crescimento, que é visto em números.


O S60 foi o último a passar pela grande renovação da marca.
Em 2011, o primeiro ano cheio após a aquisição da Geely, a Volvo Cars fechou o ano com 449.255 veículos comercializados em todo o mundo. Além disso, a marca contava, em nível global, com 21,5 mil funcionários. Em 2019, o número de colaboradores duplicou, chegando a 43 mil, e de vendas quase dobrou, batendo em 705.452 unidades comercializadas.

A renovação completa da linha é a principal responsável pelos números de sucesso. Desde 2014, com o lançamento da nova geração do XC90, a empresa renovou completamente seu portfólio de produtos com uma gama de novos SUVs, sedans e wagons baseados nas arquiteturas modulares SPA, desenvolvida pela Volvo, ou pela CMA, co-desenvolvida com a Geely.

O sucesso global da nova linha se traduziu em números. Os novos modelos foram responsáveis por seis recordes seguidos de vendas e lucros da marca. O ápice veio em 2019 quando a marca superou pela primeira vez a barreira de 700 mil veículos vendidos em um ano.

No Brasil, a Volvo cresceu 15,8% (bem acima da média do mercado), com quase oito mil unidades vendidas. Além disso, a sueca se tornou a marca premium com o melhor número de vendas de veículos eletrificados, com 1,1 mil modelos emplacados... leia mais em diáriodopoder  31/03/2020



Cade: fusões e aquisições cresceram 37% em março

No primeiro trimestre do ano, a alta foi de 25% ante o mesmo período de 2019

Ainda sem ter sofrido os impactos provocados pelo novo coronavírus (Covid-19), as aquisições e operações de fusões notificadas ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) cresceram 37% em março ante o mesmo mês em 2019.

Levando em conta os primeiro trimestre de 2020, a alta foi de 25% na mesma base de comparação com o ano passado.

De acordo com especialistas ouvidos pela coluna painel, da Folha de S.Paulo, ainda é cedo para prever como o mercado vai se comportar, mas esse ritmo de crescimento deve entrar em compasso de espera nos próximos meses, no aguardo de melhores definições.​

A previsão do sócio-diretor da administradora judicial Alvarez & Marsal, Carlos Priolli, é que o comportamento deva repetir o cenário das crises de 2002 e 2008, com uma diminuição das operações.

“Lá para 2022 se deve começar a ter operações da mesma magnitude que vínhamos tendo no mundo”, disse. Ele conta ainda que tem recebido contatos de vulture funds, os fundos abutres, já demonstrando interesse em comprar companhias em aperto financeiro e com dívidas. ​

“Alguns fundos já nos procuraram. com recursos, dizendo que têm recursos na casa dos bilhões. Estão com bastante apetite, falando que vão fazer o resultado da década”, afirmou... Leia mais em Bahia 01/04/2020



Omega conclui aquisição de Assuruá 3

Agora a geradora suspendeu todas as ações visando aquisições das quais participava até avaliar cenário resultante da pandemia

A Omega Geração concluiu nesta segunda-feira, 30 de março, a transferência de ações da Centrais Eólicas Assuruá 3 por meio da aquisição de 10% das ações da SPE e a incorporação dos 90% restantes. Para tanto foram emitidas 5 milhões de ações da Omega, decorrentes da incorporação e ainda o pagamento de R$ 19,8 milhões para a aquisição. A empresa informou que ainda restou uma parcela de R$ 447 mil a ser paga em cinco dias úteis.

O complexo tem 50 MW de capacidade instalada e os projetos tiveram energia negociada no A-5 de 2014. A operação comercial começou em abril do ano passado. Foram contratados 16,1 MW médios e o preço do PPA de R$ 180.02/MWh.

No mesmo comunicado a Omega informou ainda que tendo em vista a pandemia de covid-19 suspendeu sua participação em todos os procedimentos de aquisição das quais participava no momento. Segundo a empresa, essa medida tem duração até que se possa avaliar o cenário e a nova conjuntura resultante do momento. Assim, finalizou, os esforços da empresa estarão dedicados à continuidade das operações... leia mais em canalenergia 31/03/2020




Mutant anuncia aquisição da ZOLY, especialista em Data Marketing

Empresa fortalece sua oferta de Customer Experience, com mais uma compra

A Mutant, empresa brasileira de Customer Experience com presença em 12 países, 220 clientes, mais de 40 serviços, 3.200 funcionários e um faturamento anual de R$ 700 milhões que deve fechar o ano com R$ 1 bilhão de receita anuncia a aquisição da ZOLY, agência de marketing digital integralmente voltada para inteligência e aplicação de dados. Neste movimento, a ZOLY vem fortalecer a vertical Mutant de serviços de otimização em jornadas com foco na performance das marcas contratantes.

Fundada em 2016, a marca ZOLY tem uma história que remete a 2006 e, depois de algumas fusões, foi criada com uma proposta de valor clara: ganhar mercado, gerar leads e engajar clientes. Com um time de 120 colaboradores, a equipe é jovem e especializada em disciplinas como Mídia Performance, Data Science, SEO, CRO, Conteúdo e Digital Analytics.

“A ZOLY nos proporciona fortalecer a parte de aquisição de clientes (B2B2C) dentro do portfólio da Mutant. Conversamos com várias empresas, estudamos profundamente o contexto do mercado e esta é uma decisão mais do que acertada. Tanto do ponto de vista de negócios quanto dos aspectos culturais, Mutant e ZOLY um casamento perfeito” disse o CEO da Mutant, Alexandre Bichir.

“A Mutant nos trouxe um modelo completamente diferente de aquisição: literalmente, estão nos fortalecendo nas áreas que apenas uma grande empresa com track record neste assunto pode proporcionar. É como dizem: um mais um igual a três. Estou muito seguro e feliz com os próximos desafios”, afirma o CO-CEO da ZOLY, Fábio Sayeg.

A nova unidade de negócios da Mutant vai manter sua marca e operar com alto grau de autonomia. Na prática, significa que a Mutant vai entregar o que há de melhor no seu modelo de M&A, sem alterar profundamente questões como posicionamento, portfólio e vendas.

Esta é a oitava aquisição da Mutant. Depois de incorporar quatro marcas que foram extintas, hoje a Mutant é composta por: Mutant, Dextra, Interaxa, Cinq e ZOLY. Ainda este ano, o objetivo de faturamento da ZOLY passa a ser R$ 100 milhões, se beneficiando da carteira de clientes da Mutant e suas marcas, ao mesmo tempo em que ganha segurança e outros indicadores primordiais para expansão do negócio.

“Temos grandes clientes dentro de casa, mas, de fato o peso da marca, transparência e expertise que a Mutant traz nos permite atuar de maneira cada vez mais estratégica em todo nosso portfólio de serviços e clientes. Vamos seguir em ritmo de crescimento acelerado”, finaliza o também CO-CEO da ZOLY, Danilo Fernandes.

Sobre a Mutant

Especialista em Customer Experience em plataformas digitais, a Mutant cuida das interações entre marcas e clientes em múltiplos pontos de contato. Com soluções divididas nas verticais de Consultoria e Gestão de Jornada de Clientes, Insights & Analytics, Plataformas de CX e Transformação Digital, a empresa apresenta em seu portfólio mais de 220 clientes, entre eles Itaú, Claro, Telefônica, Serasa, Smiles e Raízen. Para saber mais, acesse: www.mutantbr.com.

Sobre a ZOLY

“A data Business Marketing Agency” com três anos de marca e 13 anos de experiência no setor. Especialista em dados e digital, 120 colaboradores e mais de 30 clientes... Leia mais em zoly 01/04/2020



Líderes com valores sãos os que carregam a lanterna em tempos escuros

Pegos sem “a roupa corporativa”, os líderes se viram forçados em tempos extremos a serem eles mesmos. Alguns ganharam pontos ao olhar da sociedade. Outros desceram ladeira abaixo

A crise do coronavírus me fez lembrar uma frase do megainvestidor Warren Buffet: ‘Você só percebe quem está nadando pelado quando a maré baixa.’  A metáfora se aplica muito bem, a meu ver, aos efeitos da pandemia sobre a reputação de líderes empresariais.

Pegos sem “a roupa corporativa”, confeccionada para preservar a imagem em tempos normais, eles se viram forçados em tempos extremos a serem eles mesmos, recorrendo àquilo que nos distingue, como seres singulares, na hora de tomar decisões: nossas crenças e valores. Especialmente em horas difíceis, somos em grande medida o que acreditamos, agimos em relação aos outros e às circunstâncias, segundo a orientação de valores humanos, fruto de nossos princípios morais e éticos.

Postos a nu, alguns líderes ganharam pontos ao olhar da sociedade. Outros desceram ladeira abaixo.
O hambúrguer do Madero, por exemplo, perdeu bastante de sua graça após as declarações de seu dono, Júnior Durski, criticando a quarentena proposta pelas autoridades de saúde, sob a alegação de que a economia não pode parar “por causa de 5 mil ou 7 mil mortes.”  Algumas horas depois, já consciente da ameaça de boicote,  o empresário pediu desculpas. Não convenceu.

O mesmo ocorreu com os pratos do Giraffas. Começaram a azedar minutos depois de Alexandre Guerra, ex-CEO da empresa e filho do dono, usar as redes sociais para defender lógica semelhante à de Durski. Para “restabelecer a verdade” sobre o que pensa a empresa, o fundador Carlos Guerra, em atitude surpreendente, convidou o próprio filho a deixar o grupo de acionistas e o conselho da rede.

Dias antes, Luciano Hang, dono da Havan, resolveu criticar em seu Facebook a “histeria” criada por prefeitos e governadores, ameaçando demitir mais de 22 mil colaboradores por causa da crise que, imagina, virá da paralisação econômica.

Não, felizmente não houve só projeções de catástrofe contra o isolamento sanitário. No outro extremo, a Natura anunciou o compromisso de manter o emprego dos seus colaboradores nos próximos 60 dias. Reforçou ainda que suas fábricas vão deixar de produzir as linhas de maquiagem e perfumaria, para se concentrar nos itens de higiene pessoal, além de álcool em gel e líquido, considerados, segundo a empresa, “cruciais para frear a propagação do vírus.”

A Natura não está sozinha na trincheira oposta a das empresas que enxergam um (falso) dilema entre conter o vírus e salvar a economia do colapso. Organizações como Ambev anunciaram o investimento na construção de um hospital em São Paulo. Ipê, Coca-Cola, Boticário, Cosan, Atvos e tantas outras decidiram fabricar álcool em gel. Outras empresas se apressaram a doar dinheiro para máscaras e respiradores.

O enfrentamento ao vírus, tratado como um desafio comum, derrubou inclusive as fronteiras da concorrência. Itaú, Santander e Bradesco recolheram as armas e decidiram juntos doar 5 milhões de testes rápidos. Vivo, Claro, Tim e Oi também lançaram, em conjunto, uma campanha garantindo conteúdos gratuitos e bônus de internet.

O recado por trás desses gestos públicos não deixa margem à dúvida: um momento tão dramático exige cooperação, não divisão. Nosso inimigo comum, um ente microscópico, insidioso e letal, não escolhe vítimas. E mais: uma vida preservada não tem preço, não pode ser medida em PIB e compensa o sacrifício coletivo que teremos de fazer para superar a queda da atividade econômica.

O recado por trás desses gestos públicos não deixa margem à dúvida: um momento tão dramático exige cooperação, não divisão
Nas crises, já disse Balzac, ou o coração se parte ou endurece. Por essa razão, constituem uma boa oportunidade de distinguir quem age de quem não age orientado por valores humanos, como respeito às pessoas, altruísmo, empatia, solidariedade, boa convivência, prudência, temperança e justiça.

No caso do coronavírus, basta observar as duas facções e os comportamentos predominantes. De um lado, filiam-se os críticos às duras medidas de confinamento, que contestam as autoridades públicas, ironizam o poder de fogo do vírus, minimizam as mortes, atribuem exageros à mídia e ameaçam com demissões. Nada fazem além de usar as redes sociais para pregar o caos econômico como justificativa para a tese de que o desemprego mata mais do que a doença.

(Vale dizer: diferentes estudos mostram que o problema não são as medidas de isolamento — de longe, a melhor e mais eficaz solução — mas a pandemia em si combinada com eventuais dificuldades de os governos organizarem a quarentena no tempo certo. Economistas de diferentes escolas garantem que os governos que agem rápido, logo no início da curva da doença, são os que saem mais rápido e mais fortes da crise econômica.)

Do outro, reúnem-se os que reconhecem a ameaça do Covid-19, defendem o isolamento social como estratégia dura mas justa para o conjunto da sociedade, alinham-se com a prudência dos cientistas e recomendam o home office em respeito à saúde dos seus colaboradores e da coletividade.
Usam as redes sociais para educar a população sobre hábitos de higiene e prevenção e sobre a importância do confinamento, mas também para convocar a colaboração, anunciar a doação de produtos e serviços e apoiar tanto os trabalhadores em serviços essenciais, sob risco sanitário, quanto os autônomos e proprietários de pequenos negócios, sob risco socioeconômico, justamente os  primeiros – e não os grandes – a sofrerem as consequências da recessão.

Sugiro ao leitor uma análise da descrição dos líderes dos dois grupos. Note que no primeiro não há uma única menção a valores humanos. Vale dizer: não por má fé deste analista. Em nenhum momento, acessando conteúdos das redes, observei qualquer atitude que expressasse altruísmo, cooperação, solidariedade, interesse em cuidar ou servir. E não por que esses valores não existam – quero seguir crendo que eles devem existir, ainda que em estado letárgico, num compartimento escondido do lado direito do cérebro, ou serei forçado a descrer da humanidade dos humanos.

Mas porque esses valores certamente estão submetidos, mesmo em tempos de profundo incerteza para o mundo, à lógica econômico-financeira, um sistema de crenças autorreferente, egoico e narcisista, dono de uma ética draconiana, baseado num punhado de certezas muitas vezes contrárias ou até nocivas aos valores essencialmente humanos, que aceita, como naturais, o egoísmo, a competição, a deslealdade e a ideia de que o lucro, em si, justifica prejudicar pessoas e meio ambiente.

Convido o leitor a mais uma reflexão: você gostaria de ser liderado por um líder que minimiza as mortes humanas em nome da ideia de manter funcionando a economia?

Convido o leitor a mais uma reflexão: você gostaria de ser liderado por um líder que minimiza as mortes humanas em nome da ideia de manter funcionando a economia? E mais: você se sentiria tranquilo em trabalhar numa empresa cujo presidente diz, em público, que pode ter que demitir 60% do quadro numa tentativa de pressionar as autoridades sanitárias a romperem a quarentena, mesmo sabendo do risco dessa medida para a vida de milhares de brasileiros?

Se você, leitor, respondeu sim às duas perguntas, só me resta lamentar. Mas ainda é tempo de mudar de opinião. O modelo de empresa em que você acredita, e por tabela o tipo de liderança que cultua, avançam na contramão do que se discute de mais contemporâneo em gestão de pessoas e organizações. Caminham para a extinção. Poderia citar, em defesa da minha tese, as inúmeras iniciativas e manifestos pró-empresas mais sustentáveis deflagrados em todo o mundo, especialmente nos últimos dez meses. Ou a expansão de movimentos como o Sistema B, Capitalismo Consciente, Capitalismo do Amanhã.

Prefiro me ater ao mais recente Fórum Econômico Mundial, realizado em janeiro último, que dedicou um dia inteiro de discussões à ideia, muito em alta, de colocar o propósito antes do lucro. Ao contrário de outros tempos, decisões de negócio não podem mais ser vistas como meras questões de ordem técnica, eventos associados a uma realidade paralela e autossuficiente, um fato isolado da vida. São sim, cada vez mais questões de natureza ética, pois resultam em impactos que podem, no caso presente, matar ou preservar vidas numa pandemia global.

Líderes não podem ser mais tecnocratas. Precisam ser porta-vozes das aspirações da sociedade, indivíduos éticos, transparentes e íntegros, respeitosos em relação às pessoas e ao meio ambiente. Precisam, sobretudo, liderar com valores. Porque, nos tempos atuais, só mesmo os valores são capazes de gerar valor econômico e prosperidade. Por Ricardo Voltolini  CEO da consultoria Ideia Sustentável, consultor master, escritor, palestrante e conselheiro de empresas. Criador da Plataforma Liderança com Valores, escreveu dez livros, entre os quais “Conversas com Líderes Sustentáveis” . É professor da Fundação Dom Cabral e do ISAE-FGV. Leia mais em neofeed 01/04/2020



31 março 2020

TI - RADAR de Fusões e Aquisições, em fevereiro/2020

Crescimento de 72%, em fevereiro/20,  no volume de fusões e aquisições de empresas de Tecnologia da Informação – TI e Telecom, no Brasil. Foram realizadas 43 transações.
  Em relação  ao valor dos negócios, apurou-se o montante de R$ 2,8 bilhões,  um crescimento de 415%, comparativamente ao mesmo mês do ano anterior.
  O segmento de maior volume de operações foi o de SOFTWARE.
  Os investidores Estratégicos foram  mais ativos em volume, com 22 negócios realizados, enquanto os investidores Financeiros ficaram com 21.  Por sua vez , os Investidores Nacionais responderam por 40 operações e os Estrangeiros somente por 3.
  Em relação ao montante, os Estrangeiros foram responsáveis  por 49,9% dos investimentos,  e  os  Nacionais por 50,1% do total.
  O valor médio das transações no ano  foi de R$ 111,5 milhões,  crescimento de 286% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
  O Indicador de Volume de Transações de M&A do mês sinaliza uma retomada do crescimento.
  A maior transação no mês de janeiro/20, foi Locaweb levantando R$ 1 bi em IPO.

Operações de Fusões e Aquisições de Tecnologia da Informação – TI e Telecom, noticiadas com destaque na imprensa brasileira ao longo do mês corrente As informações deste relatório, elaborado pelo Blog FUSÕES & AQUISIÇÕES (http://fusoesaquisicoes.blogspot.com.br) estão apresentadas em blocos, detalhando as transações por Volumes e Valores, Segmentos, Racional do Investimento, Porte das empresas, Perfil do Investidor, Destaques do mês, etc.

ANÁLISE DO MÊS

Principais constatações.

Volume de negócios - 
No primeiro bimestre de 2020, com 76  transações, apresentou um crescimento de 72,7% comparativamente ao mesmo período de 2019. No mês fevereiro de 2020, foram apuradas 43 transações, representando um crescimento de 72% comparativamente ao mesmo mês do ano  anterior (25 transações).



Tendência - O objetivo do Indicador de Volume de Transações de M&A é sinalizar uma expectativa de tendência, com base na análise do verificado nos períodos semestrais móveis. O período móvel findo em fev/20, retoma o crescimento mas sinaliza uma perspectiva de queda.



Maiores apetites - Os segmentos de maior volume de operações em fevereiro/20 foram os de Software, Serviços de TI e Mídia, representando uma concentração de 86%.



Segmentação - Na classificação entre os Segmentos de TI no corrente mês, os subsegmentos de Finanças, Comunicações, Educação, Saúde, Energia e Meio ambiente, Setor público.. (Verticais App) de SOFTWARE, e   Implementação de hd, softw, redes;  consultoria & gerenciamento de redes, aplicativos; segurança; de SERVIÇOS DE TI  lideraram. No acumulado do bimestre, SOFTWARE  vem liderando o número de transações, seguido por SERVIÇOS DE TI.


Valor dos investimentos -  No mês de fevereiro, o total das transações, incluindo as operações que divulgaram os valores (85,2%) e as não divulgadas (estimadas  14,8%), alcançaram R$ 2,8 bilhões, representando um crescimento de 415%,  em relação ao mesmo mês do ano anterior, sendo fortemente influenciada, 42,5%,  por uma só operação, da Locaweb levantando R$ 1 bi em IPO.



Segregação setorial nos últimos três anos - Comparando-se o número de transações do primeiro bimestre do ano, por segmentos, compiladas nos últimos três anos,  vale destacar  o crescimento de todos.



Perfil do investidor - Em relação ao perfil do investidor no corrente mês, das 43 operações destacadas, os Investidores Estratégicos foram responsáveis por 22 negócios. Todas as operações foram realizadas por empresas de capital nacional. Os investidores Financeiros realizaram  21 negócios, sendo 18 de capital nacional e 3 de capital Estrangeiro.
Por sua vez,  o Investidor de Capital Nacional foi mais ativo com 40 operações (93%), enquanto o Investidor Estrangeiro foi responsável por 3 negócios (7,0%).

Investimentos nacionais & estrangeiros - Já no que tange ao montante das transações no mês, de R$ 2,8 bilhões, os Investidores Estrangeiros foram responsáveis por 49,9% dos investimentos enquanto os Nacionais ficaram com 50,1%.
(1) Empresa adquire outra empresa (controladora ou não) relevante do ponto de vista estratégico, a fim de ter acesso a tecnologia, produto ou serviço.
(2) Fundo de Investimento Private Equity; Venture Capital, Angel;
(3) Empresa de capital nacional adquirindo participação em empresa brasileira (controladora ou não).
(4) Fundo de Investimento de capital estrangeiro adquirindo participação em empresa brasileira (controlador ou não).

Valor médio dos investimentos - O valor médio das transações no acumulado do ano  foi de R$ 111,5 milhões, representando um crescimento 286%   em relação ao valor médio do mesmo mês do ano passado.

Nacionalidade dos investidores - Em relação à nacionalidade das empresas que estão investindo no Brasil no mês de fevereiro/20, quando foram registradas 3 operações de dois países.

Maiores transações no mês de fevereiro/20: Locaweb levanta R$ 1 bi em IPO - A empresa atua no segmento de hospedagem de sites e e-commerce. A empresa estreia na B3 avaliada em R$ 2,15 bilhões.  04/02/2020

Relação das transações - A relação das transações de Fusões e Aquisições na área de TI, segue a data em que foram divulgadas pela imprensa e compiladas pelo blog fusoesaquisicoes.blogspot.com. Todas podem ser pesquisadas e localizadas no blog.

RELATÓRIO ANTERIOR: TI - RADAR de Fusões e Aquisições, em janeiro/20

M&A - QUEM, O QUÊ, QUANDO, QUANTO, COMO e POR QUÊ
 O RADAR de M&A em TI tem o propósito de captar o “clima” do mercado das operações de Fusões e Aquisições bem como sinalizar suas principais tendências. Trata-se da compilação de notícias visando tornar mais acessíveis e conhecidos os negócios de fusão, aquisição e venda anunciados/realizados entre empresas com atuação no Brasil. Todas as informações sobre os negócios citados no presente relatório são obtidas a partir de notícias consideradas confiáveis publicadas pela imprensa e divulgadas no “estado" pelo blog FUSOESAQUISICOES.BLOGSPOT http://fusoesaquisicoes.blogspot.com.br , não sendo feita qualquer verificação quanto à sua veracidade, precisão ou integridade do conteúdo. Operações divulgadas em relatórios anteriores podem sofrer alterações, por conta de cancelamentos, renegociações, atualizações,  etc. Sempre que possível, serão mencionados os nomes dos compradores – investidor estratégico ou fundos de private equity, dos vendedores, a tese de investimento e principais “value drivers”, o valor da transação, forma de pagamento, múltiplos praticados (Valor da Empresa/EBITDA, Valor da Empresa/Receita) etc. Muitas vezes a notícia não é clara a respeito dos valores/forma de pagamentos e respectivos múltiplos. É bem-vinda toda e qualquer contribuição para tornar as informações mais precisas e transparentes. 

31 março 2020



Edson Rigonatti, da Astella Investimentos, dá sua receita para as startups enfrentarem a crise

Com 13 empresas no portfólio, como Resultados Digitais e Omie, a Astella se movimentou rápido para apoiar suas investidas. Nesta entrevista, Rigonatti conta o que está fazendo, fala do mercado de venture capital e de seu quarto fundo de R$ 400 milhões

O investidor Edson Rigonatti, fundador e sócio da Astella Investimentos, é considerado o rei do playbook , um “documento” que padroniza os processos em diversas áreas com o passo a passo do que fazer. E ele não poderia deixar de desenvolver sua própria receita para que as startups enfrentem essa crise por conta da pandemia do coronavírus.

Nesta entrevista, Rigonatti conta o playbook que desenvolveu com as 13 empresas de seu portfólio, como a Resultados Digitais e a Omie, e faz uma avaliação dos riscos e oportunidades do mercado de venture capital.

“Não desfizemos nenhum contrato e nenhuma negociação. Só estamos pedindo para aqueles com quem estávamos no final da transação para esperar um ou dois meses para ter fluidez no desembolso do dinheiro”, afirmou Rigonatti, ao NeoFeed.

Ele diz que a crise vai trazer as avaliações das startups a patamares mais realistas e compara essa crise com a do estouro da bolha da internet, no começo dos anos 2000, dada a incerteza de curto prazo. Mas, em sua visão, as startups de hoje estão muito mais preparadas para enfrentar essa crise do que as daquela época.

“Eu acho que vai ter uma postergação do crescimento, uma postergação do famoso “triple, triple, double, double, double”. Vai ser um “triple, triple, zero, double, double”, diz Rigonatti, referindo-se à teoria conhecida com T2D3, na qual a startup triplica a receita por dois anos seguidos e depois duplica por três anos seguidos.

Rigonatti também fala de seu novo fundo de R$ 400 milhões, cuja captação acaba de ser concluída. “Vai ficar mais fácil vender serviços digitais”, diz ele. Acompanhe.

Você é considerado o rei do playbook. Qual é a sua receita para as startups enfrentarem essa crise?
Vou te contar o playbook até aqui. E, nas próximas semanas, vamos atualizar. Mas a primeira etapa foi garantir a segurança física de todo mundo e de todos os colaboradores. Preparamos todos para o isolamento social e para as práticas de higiene. A segunda etapa, há 15 dias, foi preparar todo mundo para as dinâmicas e para os rituais de home office. Na sequência, entramos com um material preparando psicologicamente, para evitar pânico e tomadas de decisões apressadas. Começamos a orientar todo mundo a procurar algum tipo de psicólogo, mentor e começar a extravasar a parte psíquica de todo o processo. A quarta etapa, que acabamos há uma semana, foi a de planejamento.

Como foi essa etapa?

Trabalhamos com todo mundo para ter três cenários. Um deles, com uma redução de 25% da demanda, outro com 50% e um com 75%. E, baseado em cada um desses cenários, estabelecemos gatilhos de ações para nos prepararmos para o cenário seguinte. E fizemos isso de acordo com a disponibilidade de caixa. Classificamos a empresa em três categorias: quem tinha mais de 12 meses de caixa; quem tinha entre seis e 12 meses; e quem tinha menos de seis meses. Mas todas as empresas, com exceção de uma delas, tinham caixa suficiente para lidar com seis meses de estresse dentro desses cenários. E para aquelas que estão em situação abaixo de 12 meses (de caixa), estamos ativamente buscando linhas de financiamento, especialmente dívida, para garantir algum tipo de colchão em caso de necessidade.

“Todas as empresas, com exceção de uma delas, tinham caixa suficiente para lidar com seis meses de estresse”

Quantas empresas no portfólio atual?

São 13 empresas. Elas estão bastante saudáveis. É uma situação razoavelmente confortável. Nesta última semana, começamos a trabalhar as oportunidades. Começamos a trabalhar em cada uma delas onde não só poderíamos ajudar a sociedade, mas também, de uma certa maneira, aproveitar o momento para tomar espaço de competidores e lançar novos tipos de produto. É a hora de buscar vender lenço. Estamos nessa fase agora.

Como a crise vai afetar o mercado de venture capital?

A primeira reação vem dos investidores (que alocam recursos nos fundos). É uma indústria que tem um colchão de longo prazo, o que traz um pouquinho de resiliência. A parte boa do Brasil é que os principais fundos já tinham fechado novas captações. Então, de uma certa maneira, tem o dinheiro garantido para esse próximo ciclo (de investimentos). Mas está todo mundo tendo o máximo de parcimônia, porque os investidores estão pedindo o mínimo de chamada de capital possível. Está todo mundo preferindo ficar com caixa em mãos.

Por quê?

Porque vão ter tantas oportunidades na Bolsa e tantas oportunidades em negócios que vão estar em distress, que acredito que vai ter um deslocamento, num primeiro momento, para esse tipo de oportunidade. O dinheiro vai primeiro para as oportunidades da bolsa e depois para as coisas que estariam quase que quebrando. E, nos próximos três, nove meses, o venture capital deve retomar a atividade com uma certa normalidade. Parta do princípio que normalidade é uma readequação de “valuation”. O principal ajuste vai ser no preço e não no nível de atividade.

O que você está me dizendo é que nos próximos meses você não deve fazer novos investimentos e nem follow ons?

Só para dar uma perspectiva nossa. Estamos chamando capital só para as coisas que já havíamos nos comprometido. Não vou dar furo em ninguém. E para os investimentos que estávamos prestes a fazer, estamos pedindo um pouquinho de tempo para entender o real fluxo do dinheiro. Não tiramos o comprometimento, não desfizemos nenhum contrato e nenhuma negociação. Só estamos pedindo para aqueles com quem estávamos no final da transação para esperar um ou dois meses para ter fluidez no desembolso do dinheiro. E acredito que é isso que deve estar acontecendo na maior parte dos fundos.

Você falou de uma readequação das “valuations”. É a crise que está forçando ou elas estavam irrealistas antes da crise?

Acredito que as “valuations” voltam para um patamar histórico. Tem essa teoria econômica que chama “reversão à mediana”. Ela diz que tudo volta para um patamar mediano histórico. Acredito que é isso que estamos vivendo. Não devemos ver uma depressão significativa de preço, mas devemos ver uma volta a um patamar de alguns anos atrás.

“Acredito que as “valuations” voltam para um patamar histórico. Não devemos ver uma depressão significativa de preço, mas devemos ver uma volta a um patamar de alguns anos atrás”

O patamar de preços, antes do coronavírus, era irreal?

Era. A gente estima que estava uns 30% a 40% acima da mediana histórica.

Você está se referindo ao Brasil ou aos casos internacionais?

Inclusive no Brasil. Acho que tem um pedacinho da cadeia aqui no Brasil que estava sendo precificada a preço de mercado americano. Os melhores empreendedores, aqueles globais, aquelas coisas que chamam mais atenção, estavam sendo precificadas a preço de “Silicon Valley”.

Você comentou que os principais fundos concluíram suas captações. A Astella concluiu a captação do seu quarto fundo?

Sim. Ele é um fundo de R$ 400 milhões. E tem a Kaszek, que captou, no fim do ano passado, quase US$ 600 milhões. A Monashees, quase US$ 300 milhões. A Canary e o Valor também captaram. Todos estão com recursos significativos para os próximos dois anos.

Você vai mudar a tese de investimento com esse novo fundo de R$ 400 milhões?

A ideia segue sendo investir em empresas no estágio inicial. Nosso sweet spot é o seed, quando a empresa tem “product market fit”. E estamos ajudando a empresa a escalar. A ideia é manter o ritmo. Temos feito cinco a sete investimentos. Não vamos acelerar o número de novos investimentos. O que queremos é prolongar o tempo que estamos dando suporte às empresas. Com um fundo maior, a gente consegue dar suporte e liderar a série A, como também apoiar a série B, que é um elemento importante para ajudar o empreendedor a dar esses saltos.

Já fez investimentos com esse fundo?

Ainda não fizemos. Esperamos começar a fazer em abril. Os comprometimentos que eu comentei contigo, estou fazendo investimentos do terceiro fundo, que ainda temos bastante dinheiro. Os novos investimentos faríamos a partir do quarto fundo. E, no caso dos follow ons, ainda estamos reavaliando para saber qual vai ser o novo patamar de mercado. Tinha uma expectativa de taxa de crescimento para poder fazer follow ons. Mas, claramente, essas metas não vão ser atingidas. Elas vão ser postergadas nos próximos seis a nove meses, senão mais. Ainda estamos tentando estimar qual vai ser esse novo patamar de tração para poder redefinir qual vai ser a nossa estratégia de follow on. O que tenho dito para os nossos investidores é que não vamos chamar capital para salvar empresas. Precisamos definir um novo patamar de taxa de crescimento, um novo patamar de valuation, para aí sim definir o que merece receber dinheiro fresco para continuar crescendo. Essa é a parte do playbook que ainda não conseguimos terminar de estruturar.

O cenário está muito incerto ainda?

Está muito incerto porque depende de toda a cadeia. O que estamos fazendo agora é estudar as crises passadas e tentando entender o que os fundos de late stage vão fazer daqui para frente. A primeira coisa que tem de fazer é fugir da zona de barganha. O primeiro ciclo vai ser as barganhas, as galinhas mortas. Vai todo mundo procurar as galinhas mortas. E só depois disso é que vamos conseguir saber, de verdade, o que é que vai ser o preço de um ativo saudável para definir e ajudar os empreendedores a uma estratégia de captação das próximas rodadas.

Você comentou sobre as galinhas mortas. Mas o fato de os preços caírem não seria uma boa hora para investir?

O que eu estava comentando é que existe perspectivas diferentes em cada estágio. Eu acho que, nos estágios iniciais, o que vai mudar é preço. Mas o volume e o desejo de investimento permanece. No meio da cadeia, você tem aquelas coisas que vão precisar de dinheiro e não têm dinheiro. Essas vão ser as galinhas mortas. É quem tem um bom ativo, mas não estava preparado para enfrentar a crise. E tem uma terceira etapa que são os reajustes de preços, ou seja, o que é preço novo ao longo da cadeia para continuar crescendo sua empresa. São esses três diferentes tipos de movimentação de preço e dinâmica de mercado.

Outro comentário seu foi sobre a incerteza. Você já viu uma crise com a atual?

Eu acho que na minha vida no setor de venture capital não. Atuamos desde 2010. Começamos depois da última crise (a de 2008). Mas, pelo que me lembro de bolha da internet, me parece aquilo que se viveu em 2001, 2002 e 2003. Cheira um pouco a ser aquilo.

Você vê semelhanças entre o estouro da bolha pontocom e esse momento? Por quê?

Bastante. Pela dificuldade de enxergar três meses, seis meses adiante. Eu acho que, de uma maneira geral, na indústria de venture capital, todo mundo enxerga isso que está acontecendo como algo benéfico para a sociedade. Respeitando quem está sofrendo com isso e vai sofrer com isso, tanto do ponto de vista de saúde, como no econômico, a humanidade tende, no agregado, a melhorar muito depois desse tipo de situação. A humanidade dá saltos quânticos depois desse tipo de coisa. A peste negra criou o saneamento básico, que permitiu a Revolução Industrial. A febre espanhola criou a penicilina, que gerou um outro boom econômico. A gente sabe que, no longo prazo, as coisas tendem a melhorar até mais do que antes. A dificuldade é saber quanto tempo vamos ficar em lockdown, quantos meses vai demorar à atividade econômica retomar a um patamar intermediário. A volatilidade é de curto e médio prazo, não de longo prazo. Tanto isso é verdade que não se vê os investidores recuando da cadeia produtiva de venture capital.

Você disse que vê semelhanças sobre esse momento e o estouro da bolha pontocom nos anos 2000. Me lembro que havia muito capital, pelo menos para aquela época, mas as startups não tinham planos de negócios tão consistentes como hoje. As startups de hoje me parecem que não são vapor. Elas estão muito mais preparadas do que as startups de 2001. Muitas daquelas empresas iam quebrar, com crise ou sem crise.

Você está coberto de razão. Eu não me referia à estrutura das empresas. E uma outra diferença significativa é que naquele momento, grande parte do dinheiro vinha do mercado público. E hoje o dinheiro vem do mercado privado. O que restringe a crise dentro do mundo de tecnologia. O que eu estava querendo comparar era o quão difícil era planejar próximas etapas, dada a incerteza do cenário de curto prazo.

“O segmento de tecnologia vai ser o que mais vai se beneficiar disso tudo. O comportamento humano mudou. Vai ficar mais fácil vender serviços digitais”

Você acredita que as startups hoje estão preparadas para enfrentar essa crise?

Do nosso portfólio, acredito que tivemos bastante sorte e um pouco de tese. A gente está com empresas no fundo com bastante caixa. Me parece que vamos continuar tendo uma certa saudabilidade no mercado brasileiro de uma maneira sistêmica.

Você não acredita que possa ter uma quebradeira generalizada de empresas financiadas por fundos de venture capital?

Não. Eu acho que vai ter uma postergação do crescimento, uma postergação do famoso “triple, triple, double, double, double”. Vai ser um “triple, triple, zero, double, double”. (Essa é a teoria conhecida com T2D3, no qual a startup triplica a receita por dois anos seguidos e depois duplica por três anos seguidos)

As startups estão acostumadas a serem cobradas para ter um crescimento exponencial. Agora, elas vão ter de tirar o pé do acelerador. É uma mudança de mindset, não?

De maneira mediana, sim. Mas terão empresas de segmentos que vão bombar, como telemedicina, educação, entretenimento, ferramentas de trabalho remoto. Muda significativamente a maneira como a sociedade inteira vai usar tecnologia daqui para frente. De uma certa maneira, acredito que o segmento de tecnologia vai ser o que mais vai se beneficiar disso tudo. O comportamento humano mudou. Vai ficar mais fácil vender serviços digitais... leia mais em neofeed 31/03/2020




Caixa Seguridade e Icatu recebem aval do Cade para parceria em capitalização

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a formação de joint venture de Caixa Holding Securitária e Caixa Seguridade Participações, subsidiárias da Caixa, com a Icatu Seguros.

A operação aprovada consiste na criação de uma associação entre as empresas para distribuição, divulgação, oferta, venda e pós-venda de produtos de capitalização, com exclusividade, na rede de distribuição da Caixa.

De acordo com parecer sobre o negócio, a joint venture terá a participação da Icatu com 50,01% do capital social votante e da Caixa Seguridade com 49,99% do capital social votante e 100% do capital social não votante.

A parceria comercial, que recebeu aval do Cade por meio de despacho publicado no Diário Oficial da União (DOU), terá prazo de duração de 20 anos... estadão Leia mais em istoedinheiro 31/03/2020



Após fusão, DSV e Panalpina integram sistemas

No Brasil, integração dos softwares de desembaraço aduaneiro foi realizado com a e.Mix.

Mais de 720 mil processos foram unificados e mais de 2,1 milhões de arquivos, integrados. Foto: divulgação.

A DSV e a Panalpina, duas provedoras de soluções logísticas que anunciaram fusão no ano passado, concluíram a integração entre os seus sistemas de desembaraço aduaneiro no Brasil.

O sistema da Panalpina havia sido desenvolvido internamente, enquanto o da DSV era o FollowNet, da e.Mix, especializada em software para empresas de comércio exterior - e que agora atuou na integração dos dois sistemas.

Segundo a companhia, os dois softwares se complementavam, pois eram voltados ao gerenciamento da documentação, regulação e trato com os órgãos anuentes do setor.

O processo de integração dos softwares, portanto, tornou-se natural e complementar à fusão das duas empresas.

Com os processos e algoritmos desenvolvidos ao longo de semanas, foram 10 profissionais envolvidos nas áreas técnicas, funcionais e de qualidade com mais de 515 horas de trabalho dedicadas ao projeto.

No processo, uma infraestrutura redundante foi utilizada em paralelo, como suporte à operação de integração.

No total, mais de 720 mil processos foram unificados e mais de 2,1 milhões de arquivos, integrados.

"Tivemos o prazer de participar ativamente desse processo e estamos honrados da continuidade dessa parceria de tantos anos, orgulhosos dos resultados e prontos para seguirmos juntos à DSV nessa nova etapa", ressaltou Marcio Rodrigues, diretor comercial da e.Mix.

Para não impactar as operações em curso, a execução foi realizada durante o último carnaval, com início na sexta-feira, 21 de fevereiro, e término na madrugada de quarta-feira, 26, com a equipe se revezando para garantir a data acordada de conclusão.

Agora, milhões de registros e arquivos são gerenciados sob o nome DSV.

"A unificação foi um sucesso absoluto, ainda mais considerando o tamanho do desafio e o prazo que tínhamos para a conclusão", avaliou Gustavo Silva, diretor geral da DSV Brasil.

Em abril do ano passado, a dinamarquesa DSV adquiriu a concorrente suíça Panalpina por US$ 4,6 bilhões, tornando-se o quarto maior grupo que atua no transporte internacional de mercadorias.

Com faturamento conjunto previsto em US$ 17,8 bilhões, a companhia fica atrás somente das líderes DHL, Kühne & Nagel e DB Schenker.

A empresa conta com 60 mil colaboradores em mais de 1,4 mil escritórios e instalações logísticas de 80 países.

No Brasil, tem sete escritórios no estado de São Paulo, além da presença em Curitiba, Manaus, Porto Alegre e Rio de Janeiro.

Já a e.Mix está no mercado há mais de 22 anos com sede em Campinas, São Paulo. Seus serviços gerenciam, anualmente, milhões de operações de clientes das mais variadas atividades e portes... Leia mais em baguete 31/03/2020



Borretora Binance pode adquirir CoinMarketCap por até US$ 400 milhões

O acordo poderia ser uma das maiores aquisições na indústria cripto, no mesmo nível da aquisição de US$ 400 milhões da Poloniex pela Circle em 2018

Binance, uma das maiores corretoras de criptoativos do mundo, planeja anunciar a aquisição do CoinMarketCap, site que classifica ativos e a capitalização de mercado da indústria cripto, em um acordo de até US$ 400 milhões esta semana.

O acordo poderia ser uma das maiores aquisições na indústria cripto, no mesmo nível da aquisição de US$ 400 milhões da Poloniex pela Circle em 2018.

O acordo será o primeiro investimento externo da empresa, pois a Binance sempre esteve bem preparada até agora.

Binance já possui mais tráfego de transações do que qualquer outra corretora, de acordo com o site de estatísticas SimilarWeb, apesar de a Coinbase estar na disputa acirrada.


Com a ajuda do CoinMarketCap, que teve mais de US$ 200 milhões de visualizações nos últimos seis meses, Binance pode tomar a grande liderança.

Esse acordo marca a décima aquisição feita pela Binance desde o início de 2019.

CZ, CEO da corretora, anunciou, em sua mensagem de ano-novo, que havia duas futuras aquisições pelas quais ele estava muito empolgado e que seriam anunciadas na hora certa. É provável que essa tenha sido uma delas, além da segunda aquisição que ainda está por vir... Leia mais em moneytimes 31/03/2020




Vulcabras Azaleia conclui venda de fábrica em Sergipe à Dok

Valor de R$ 41,5 milhões da operação ficou acima dos R$ 25 milhões anunciados em janeiro, quando a operação foi informada ao mercado

A Vulcabras Azaleia  informou que finalizou nesta terça-feira (31) a operação de venda da fábrica em Frei Paulo (SE) para a Dok, por R$ 41,5 milhões. .. Leia mas em valoreconomico 31/03/2020



Ingredion procura startups para desafio e futuramente parcerias comerciais

A empresa de ingredientes alimentícios e para nutrição animal Ingredion abriu inscrições para o programa "Ingredion Open" (Crédito: Reprodução/Ingredion)

A empresa de ingredientes alimentícios e para nutrição animal Ingredion abriu inscrições para o programa “Ingredion Open”. A ideia é formar uma parceria comercial com startups que atendam alguns desafios da empresa e solução para problemas de gestão.

Seis pontos serão avaliados pela Ingredion. São eles gestão de ponto e jornada de trabalho, automação do planejamento da produção industrial, gestão digital de documentos fiscais, antecipação de recebíveis, rastreabilidade de matéria prima e novos canais para comercialização de ingredientes.

Somente startups que tenham um MVP (produto mínimo viável, na sigla em inglês) testado, em pequena escala ou em andamento no mercado, poderão participar do programa. O modelo precisa estar desenvolvido e validado, não podendo ser uma ideia.

As inscrições ficarão abertas até 26 de abril e poderão ser feitas por meio do hotsite do concurso. A oportunidade é uma forma de alavancar os negócios da startup vencedora, já que a Ingredion possui clientes em mais de 120 países e conta com vendas líquidas anuais na casa dos US$ 6 bilhões.

O resultado das empresas selecionadas para o “pitch day” sairá no dia 30 de abril, com a fase de filtragem dessas empresas programada para o dia 5 de maio, em São Paulo.

A divulgação das empresas nascentes selecionadas acontece no dia 14 do mesmo mês e a imersão dos projetos em cada uma das áreas da Ingredion serão feitas entre os dias 23 e 25 de junho, com resultado das aprovadas em 3 de julho.

O início do piloto, com a realização da prova de conceito (PoC), acontece em 13 de julho e os resultados serão apresentados em 28 de outubro.

Vale lembrar que a propriedade intelectual dos projetos seguirá com as startups mesmo após o fim do evento.. Leia mais em istoedinheiro 31/03/2020



Xerox desiste oferta hostil de compra da HP por US$35 bi, dizem fontes

A Xerox Holdings decidiu nesta terça-feira abandonar oferta de 35 bilhões de dólares para aquisição da rival maior HP Inc, depois que a epidemia de coronavírus colocou freios em sua campanha, afirmaram fontes com conhecimento do assunto.

A decisão foi tomada depois que a Xerox afirmou neste mês que iria adiar reuniões com acionistas da HP para se concentrar na crise gerada pela epidemia. A desistência também marca um golpe para o investidor bilionário Carl Icahn, que detêm participações significativas em ambas as empresas e vinha incentivando a fusão.

O conselho de administração da Xerox concluiu que buscar a aquisição da rival sem ter acesso aos dados contábeis da HP seria muito arriscado para a empresa, considerando as incertezas geradas pela pandemia, disseram as fontes.

Representantes da Xerox e da HP não comentaram o assunto de imediato.., Reuters Leia mais em msn 31/03/2020



Bolsa tem pior trimestre da história, com perda de 36,86% de janeiro a março

Até esta terça-feira, 31, a maior perda acumulada em um trimestre, de 31,88%, havia ocorrido entre julho e setembro de 1998b

O Ibovespa fechou o primeiro trimestre de 2020 com perda de 36,86%, a pior de que se tem registro para o intervalo de três meses, com a crise do coronavírus superando mesmo os momentos mais depressivos de 2008. Até esta terça-feira, 31, a maior perda acumulada em um trimestre, de 31,88%, havia ocorrido entre julho e setembro de 1998 - antes, em 1995, houve queda de 31,58% no primeiro trimestre ante o quarto de 1994, de acordo com AE Dados.

Nesta terça-feira, o principal índice da B3 encerrou o dia em baixa de 2,17%, aos 73.019,76 pontos, acentuando as perdas na hora final, enquanto, em Nova York, os índices de referência cederam entre 0,95% (Nasdaq) e 1,84% (Dow Jones) no fechamento da sessão. Em meio à quarentena do coronavírus, a percepção de que a economia americana já esteja em recessão levou os investidores a optarem pela cautela, após a relativa recuperação dos preços das ações desde a semana passada.

"Existia certa expectativa de que grandes investidores pudessem ingressar hoje para puxar um pouco mais para cima no fim de trimestre, mas não se confirmou", diz Eduardo Cavalheiro, gestor da Rio Verde Investimentos. "De qualquer forma, tem-se observado menos volatilidade desde a semana passada e, ao longo de abril, à medida que se tiver mais clareza sobre a extensão da quarentena, a tendência é que o mercado financeiro, como de hábito, antecipe o movimento da economia real", acrescenta.

Ele nota que até o dia 10 de março a economia se manteve em conformidade, mas antes disso os ativos já refletiam um padrão de maior cautela, pelo que estava por vir: a quebra da normalidade. No mês de março, o Ibovespa colheu perda de 29,90%, a pior desde agosto de 1998, quando cedeu 39,55% em meio à crise da Rússia. A queda livre de março ocorreu após retração de 8,43% em fevereiro, que já havia sido o pior mês para a B3 desde maio de 2018. O giro financeiro ficou em R$ 23,8 bilhões nesta terça-feira, com o índice tendo oscilado entre mínima de 72.385,14 e máxima de 75.511,03 pontos na sessão.

Em dólar, o Ibovespa já tinha ficado 12,4% mais barato em fevereiro ante o encerramento de janeiro. No fim do primeiro mês do ano, o Ibovespa dolarizado estava em 26.548,55, passando a 23.260,37 pontos no encerramento de fevereiro e, agora, a 14.051,44 no de março. No dia 23 de janeiro, quando o Ibovespa renovou máxima histórica de fechamento, aos 119.527,63 pontos, o índice dolarizado estava em 28.688,46 e, no encerramento de 2019, a 28.826,29 pontos. Assim, no ano de 2020, o Ibovespa ficou 51,26% mais barato em dólar.

A última sessão do mês e do trimestre ensaiava ser positiva. "Bolsas no exterior (Ásia) subiram na madrugada, com dados positivos do PMI chinês mostrando recuperação industrial e de serviços no país, importante para o Brasil, já que a economia de lá impacta muito as nossas exportações de commodities", observa Cristiane Fensterseifer, analista de ações da Spiti.

Desde o início da tarde, contudo, o índice se firmou em baixa, renovando mínima na hora final da sessão, quando as perdas se acentuaram a 3% no pior momento. A presidente da distrital de São Francisco do Federal Reserve, Mary Daly, afirmou nesta terça-feira que os Estados Unidos já podem estar em recessão devido aos impactos da pandemia de coronavírus... Leia mais em epocanegocios 31/03/2020



McDonald’s ou Tesla? Com queda das bolsas, Buffett tem dinheiro para comprar uma delas

A Berkshire Hathaway conta com US$ 125 bilhões em caixa. É recurso suficiente para comprar muitas empresas americanas de capital aberto de uma tacada só. E, ao que indica, o megainvestidor Warren Buffett está com apetite

“O mercado é uma ferramenta que transfere dinheiro do impaciente para o paciente.” A lição do megainvestidor Warren Buffett talvez nunca tenha sido tão valiosa em tempos de pandemia do coronavírus.

Graças a esta lição, o oráculo de Omaha, como Buffett é conhecido, agora tem cacife para comprar uma empresa “do tamanho de um elefante”, como ele gosta de se referir quando está à procura de um ativo gigante para o seu portfólio.

Até dezembro do ano passado, a Berkshire Hathaway contava com US$ 125 bilhões em dinheiro e investimentos de curto prazo no Tesouro americano.

Com esse dinheiro acumulado, Buffett poderia comprar pelo menos uma dentre 450 das empresas listadas no S&P 500, uma ou mais dentre 80 das ranqueadas na Nasdaq 100 e uma ou mais dentre 11 que figuram na Dow 30.

Pressupondo que o caixa da companhia tenha se mantido o mesmo e levando em consideração apenas os valores de mercado, Buffet tem agora poder de fogo para comprar a rede de fast-food McDonald’s, cujos papéis se desvalorizaram-se 16% desde o começo do ano. O valor do mercado da companhia é de US$ 125 bilhões.

O Paypal, que acumula perdas de 12,4% desde o início do ano e vale US$ 113 bilhões, também poderia ser comprado pela Berkshire Hathaway. Assim como a problemática Boeing, que viu seus papéis despencarem 54,3% e está avaliada em US$ 85 bilhões.

Ainda que se leve em conta outra regra de Buffett, que prometeu nunca testar os limites de seu fluxo de caixa, preservando US$ 20 bilhões, a Berkshire Hathway ainda poderia adquirir o Goldman Sachs, que vale US$ 54,5 bilhões. A Tesla, avaliada em US$ 92,5 bilhões, também “caberia no bolso” de Buffett.

Caso esteja “faminto”, Buffett poderia levar, em uma tacada só, a companhia aérea United Airlines (US$ 7,4 bilhões), o conglomerado de turismo Expedia Group (US$ 7,8 bilhões), o portal de e-commerce eBay (US$ 24,8 bilhões), a rede de hotéis Marriott (US$ 24,6 bilhões) e a farmacêutica Walgreens (US$ 40 bilhões). Todas as companhias fazem parte da Nasdaq 100.

Numa compra em atacado no S&P 500, Buffet e seus US$ 105 bilhões podem adquirir, simultaneamente, a empresa de eletrodomésticos Whirlpool (US$ 5,4 bilhões), a companhia de tecnologia e geolocalização Garmin (US$ 14,6 bilhões), a gigante de alimentos General Mills (US$ 31,7 bilhões) e a rede de mercados Target (US$ 48 bilhões).

Já na Dow 30, o “carrinho de compras” da Berkshire Hathaway tem espaço para a empresa química Dow (US$ 21,2 bilhões), a seguradora Travelers Companies (US$ 26,2 bilhões) e a companhia de máquinas pesadas Caterpillar (US$ 61,4 bilhões). Juntas.

Mas será que Buffett irá aproveitar as oportunidades que estão surgindo por conta da desvalorização das ações em razão da crise econômica que nasce na esteira dos problemas sanitários? O índice S&P 500, que reúne as 500 maiores empresas dos EUA, já se desvalorizou quase 20% desde o começo deste ano.

Em carta aos acionistas, no ano passado, Buffett disse que estava à procura de um investimento. Embora tivessem alguns alvos não-declarados sob a mira, Buffett e sua Berkshire Hathaway se esquivaram de puxar o gatilho por julgarem as companhias superavaliadas. Agora, elas podem estar baratas.

Buffett pode sair para caçar. E, convenhamos,  a temporada parece ser toda para o caçador... Leia Mais em neofeed 31/03/2020