09 setembro 2016

Brookfield aproveita "liquidação" de ativos e amplia atuação no Brasil

Uma das empresas mais cotadas para aproveitar a avalanche de ativos à venda no mercado brasileiro de infraestrutura, a canadense Brookfield já teve diversas caras no Brasil e até outro nome e possui em torno de R$ 41 bilhões em investimentos no país. O volume representa cerca de 5% dos aproximadamente US$ 250 bilhões o equivalente a R$ 802,5 bilhões em 30 de junho que a empresa detém globalmente. O montante ainda não contabiliza a transportadora de gás da Petrobras, cuja compra a Brookfield acaba de fechar.

A multinacional vê o Brasil como um mercado estratégico a médio prazo. Em carta enviada aos acionistas na divulgação dos resultados do segundo trimestre, o braço de infraestrutura global (Brookfield Infrastructure Partners) fala que, apesar da turbulência política e da crise econômica severa que o país enfrenta, trata-se de uma economia com "potencial de crescimento significativo, fundamentos sólidos e um regime democrático forte, bem posicionado para boa recuperação no médio prazo.

" A empresa ressalta que está indo na contramão do pessimismo de investidores em relação ao Brasil, investindo em ativos de alta qualidade no país, que em um período normal não estariam disponíveis por um valor razoável.

Os segmentos de atuação vão de energia renovável a florestas, passando por infraestrutura de transporte, setor imobiliário e logística. Neste momento, os ativos de energia são os que mais aguçam o faro da Brookfield, que divide o segmento em geração de energia elétrica, que fica sob o guarda-chuva energia renovável, e transmissão, sob infraestrutura.

A empresa teve início com a vinda ao Brasil de investidores canadenses interessados em trazer justamente serviços de energia para o país, então com um grande déficit de infraestrutura mas ficou conhecida localmente dada a sua forte atuação nos segmentos de incorporação e shopping centers. Teve como primeiro nome Brascan, iniciais de Brasil e Canadá, para representar a parceria entre os países.

O braço de energia renovável é o que mais reúne valor sob gestão. São cerca de R$ 10 bilhões que somam 1.100 megawatts (MW) de capacidade instalada.  São cinco parques eólicos, entre eles o Complexo Renascença, no Rio Grande do Norte, além de 39 usinas hidrelétricas e PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas), como a da Barra da Braúna, em Minas Gerais. Conta ainda com três usinas de geração de biomassa.

Os 2,8 mil quilômetros de linhas de transmissão que a empresa detém estão no grupo de ativos de infraestrutura, no qual tem aproximadamente R$ 7 bilhões em ativos. Ainda é cocontroladora da concessionária de infraestrutura de transporte Arteris, junto com a espanhola Abertis, e detém fatia de 26,5% na empresa de logística VLI, em parceria com Vale, Mitsui e FIFGTS.

A Brookfield estreou no setor de transmissão de energia no Brasil em novembro do ano passado, quando assumiu uma fatia de apenas 1% em um consórcio por uma linha de transmissão de 1.300 quilômetros de extensão e investimentos da ordem de R$ 2,5 bilhões. Foi a primeira parceria com a espanhola ACS, que entrou no negócio pelas subsidiárias Cimy Holdings e grupo Cobra.

Uma semana depois, ampliou sua presença no segmento, ao fechar um acordo para comprar 50% de três concessões de transmissão da ACS no Brasil já em fase de construção, que somavam 1.100 quilômetros. Segundo a ACS, o negócio envolveu montante equivalente a R$ 420 milhões.

Até aqui, a estratégia da companhia nesse tipo de investimento tem sido de entrar com uma participação pequena no início, para minimizar os riscos na fase da construção. Dessa forma, a Brookfield se protege contra eventuais atrasos ou estouros no orçamento no início da construção.

Braço de energia renovável é o que mais reúne valor sob gestão, com aproximadamente R$ 10 bilhões investidos
Atualmente, a canadense está em negociações com a também espanhola Isolux Corsán para comprar os ativos de transmissão que a empresa tem no Brasil, que somam cerca de 4.700 quilômetros. A principal linha de transmissão da espanhola no país é a concessão de 1.191 quilômetros que interligou Manaus e Macapá ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

O Valor apurou que a Brookfield está entre os interessados nos ativos da Abengoa. A espanhola, que entrou em recuperação judicial em janeiro, tem 6.800 quilômetros de linhas de transmissão em operação e 6.100 em construção. Ainda não foi resolvido se todos os ativos serão relicitados em um leilão ou se a parte em operação será vendida antes disso.

A companhia é ainda frequentemente citada como uma das potenciais compradoras de ativos de energia renovável da Renova e das linhas de transmissão da Eletrosul, controlada pela Eletrobras.

Ontem, a Petrobras confirmou que fechou a venda da Nova Transportadora do Sudeste (NTS) para a canadense. De acordo com fontes, a canadense liderou um consórcio que vai desembolsar US$ 5,2 bilhões por 90% do ativo.

Ainda na área de infraestrutura, a empresa estaria em vias de finalizar negociação com a Odebrecht para assumir a fatia do grupo na companhia de saneamento Odebrecht Ambiental. Se fechado, o negócio marca a estreia da canadense no setor. Conforme o Valor apurou, a transação gira em torno de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões. Uma das atividades mais conhecidas da empresa no país, a Brookfield Incorporações (veículo por meio da qual investe no segmento de incorporação residencial) está dentro da carteira de private equity no Brasil, que soma R$ 8,1 bilhões em ativos sob gestão. Há ainda um
segmento de investimentos imobiliários e comerciais, onde estão empreendimentos como shoppings e prédios de escritórios, que somam R$ 9,7 bilhões.

A Brookfield também concentra investimentos em "recursos sustentáveis", com áreas de agricultura e florestas de eucalipto e pinus. Por Victória Mantoan, Fernanda Pires e Camila Maia Fonte: Valor Econômico Leia mais em sinicon 09/09/2016

09 setembro 2016



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