30 março 2010

O varejo brasileiro dá mais um passo no sentido da sua consolidação.

Nesta segunda-feira (29/3), a rede Insinuante, sediada na Bahia e líder do mercado no Nordeste, e a mineira Ricardo Eletro anunciaram uma fusão que deve criar a segunda maior empresa de móveis e eletroeletrônicos do Brasil, depois da Pão de Açúcar/Ponto Frio/Casas Bahia. A estimativa de faturamento da nova empresa, controlada meio a meio pelas duas varejista e denominada Máquina de Vendas, nasce com mais de 500 lojas e R$ 4,6 bilhões de faturamento

Cada vez mais competitivo o varejo brasileiro passa por um forte processo de consolidação o que evidencia uma tendência. Escala e preços competitivos são fundamentais para quem pretende ser um player importante neste mercado, a exemplo do que já assistimos em outros setores, como o automobilístico, bancos, seguros, supermercados, etc.

A estratégia da Máquina de Vendas é crescer por meio de fusões e aquisições regionais, afirma o fundador da Insinuante, Luiz Carlos Batista, e que ficará à frente do conselho da nova companhia. “O crescimento orgânico é lento. Nosso objetivo é acelerar”, diz. Até 2014, o executivo espera ter R$ 10 bilhões de faturamento, mil lojas e 30 mil funcionários.

30 março 2010



29 março 2010

TI retoma ritmo de fusões e aquisições

Autor(es): Gustavo Brigatto, de São Paulo
Publicado no jornal Valor Econômico - edição de 01/03/2010

Depois de um ano de ritmo mais lento, o setor de tecnologia da informação, que sempre foi um dos mais ativos na área de fusões e aquisições, parece pronto para retomar muitos dos planos adiados em 2009, devido aos efeitos da crise econômica.
Segundo números da KPMG, só nos dois primeiros meses do ano foram registradas 12 operações no país, um recorde para o período. E a expectativa é de que o ritmo continue forte. "Temos 16 mandatos de empresas interessadas em comprar e vender ativos", diz Ruy Moura, diretor da Acquisitions, especializada nesse tipo de processo.

Empresas como BBKO, Benner Sistemas, grupo Linx e Ideiasnet veem nessa estratégia a oportunidade para crescer de forma mais acelerada em 2010. "Ainda é cedo para falar se vamos bater o recorde de transações de 2008 [72 no total], mas até maio pelo menos teremos muitos anúncios", diz Luís Motta, sócio responsável pela área de fusões e aquisições da KPMG. O executivo prevê que nos primeiros cinco meses do ano o volume de transações será atípico por conta do grande volume de negociações que foram retomadas ao longo do segundo semestre de 2009, quando a economia começou a dar sinais de melhora.
Como esses processos levam, em média, seis meses para ser concluídos, os primeiros meses do ano devem concentrar a maior parte dos anúncios. No ano passado, a KPMG contabilizou 58 operações de fusão e aquisição no Brasil, número praticamente igual ao de 2007.
Segundo Alexandre Pierantoni, sócio de fusões e aquisições da PricewaterhouseCoopers, de todo o investimento de private equity em operações de fusão e aquisição no Brasil em 2009, 12% foram destinados ao setor de TI.
A consolidação tem se tornado cada vez mais importante para as companhias de TI porque dá a elas a musculatura necessária para se defender de rivais estrangeiros, que têm buscado negócios no país. Além disso, o fortalecimento de parte de seus clientes vem exigindo um escopo maior de atuação, obtido mais rapidamente com as aquisições. "Empresas grandes precisam de fornecedores grandes", diz Alberto Menache, diretor presidente do grupo Linx, de sistemas de gestão para o varejo. Depois do anúncio da compra de duas empresas no mês passado, a Linx tem planejadas outras duas operações para 2010. A empresa vendeu 21,7% de seu capital para o BNDESPar, braço de investimentos do BNDES. O banco tem hoje participação em 100 empresas de TI.
A escala é um ponto fundamental para o aumento das receitas. "Quanto mais completa a oferta, mais você pode cobrar e melhorar as margens", diz Rodin Spielmann, diretor de relações com investidores da Ideiasnet. No ano passado, a companhia, que funciona como uma holding de negócios de TI e internet, esteve envolvida em pelo menos cinco operações. Para 2010, a previsão é de novos lances. "Ainda há muita consolidação a ser feita", diz Spielmann.
Para Marcos Peano, presidente da BBKO, o momento é propício para aquisições. "Por conta dos resultados fracos em 2009, o preço das companhias está cerca de 30% menor", diz o executivo. Em dezembro, a BBKO fechou sua primeira aquisição, no valor de R$ 3 milhões. O objetivo é concluir outro negócio até o fim do ano. A empresa tem R$ 5 milhões em recursos próprios para investir na operação. Segundo Peano, a estratégia tem como objetivo dar força ao projeto de abertura de capital da BBKO, previsto para 2014.
É uma meta ambiciosa. Para chegar lá, a companhia considera várias possibilidades para elevar seu faturamento, atualmente de R$ 60 milhões (R$ 53 milhões da BBKO, mais R$ 7 milhões da SYSone Consulting). Uma das alternativas é vender uma participação para um sócio maior. "Já tivemos conversas com quatro grupos. Uma delas está mais bem encaminhada", diz Peano. A BBKO foi procurada recentemente por uma companhia japonesa que pretende investir no Brasil, conta o executivo. "As empresas brasileiras têm que se preparar, ou a consolidação do setor será conduzida pelas companhias estrangeiras", diz.
Para Severino Benner, da Benner Sistemas, o problema é que faltam empresas prontas para o processo de fusão e aquisição. "Esse número não passa de 20. As companhias menores não estão bem organizadas em termos de governança", afirma. No ano passado, esse tipo de problema impediu que a empresa concluísse as duas aquisições planejadas. A previsão é de que os negócios sejam fechados em 2010. Benner também estuda a fusão com uma companhia com faturamento próximo ao do seu negócio, de R$ 63 milhões em 2009. O objetivo é chegar aos R$ 200 milhões em dois anos.

29 março 2010



Indústria de TI nacional deve se consolidar mais em 2010

Retomada da economia e o aumento de capital disponível tendem a acelerar a consolidação da indústria de TI no Brasil em 2010.
Por ANDREA GIARDINO E TATIANA AMERICANO,

Publicado pela COMPUTERWORLD em 10 de fevereiro de 2010

O movimento de fusões e aquisiçõesentre fornecedores de software, hardware e serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) tende a ficar ainda mais intenso neste ano. Há uma expectativa de que a consolidação do mercado seja impulsionada pelo aumento do capital circulante e por uma competição mais acirrada entre as companhias do setor, que precisarão fortalecer suas operações por meio de um portfólio abrangente e pela ampliação da base de clientes.


O diretor da consultoria Acquisitions, ¬especializada em fusões e aquisições , Ruy Moura, aponta que o otimismo em relação ao Brasil vai criar um cenário favorável para a consolidação de empresas. "Em 2010, acredito que o volume de acordos será maior até do que em 2007, que foi o auge dessas movimentações", projeta Moura. Opinião compartilhada pelo vice-presidente de pesquisas em TI do Gartner, Donald Feinberg, que avalia: "O fortalecimento da economia estimulará um número maior de acordos entre empresas de TI neste ano".

No que depender de um relatório de 2009 da consultoria e auditoria Ernst & Young, o dinheiro não representará problema para as organizações interessadas em fusões e aquisições no País. Após ouvir investidores de todo o mundo, a empresa detectou que cerca de 60% deles esperam aumentar os negócios no Brasil. E o mercado local só perde em termos de potencial de aportes internacionais para a China, que aparece com 64% das intenções de investimento.

De acordo com Moura, desde o segundo trimestre deste ano, houve uma retomada nas negociações entre as empresas interessadas em aquisições. "Quando os empresários perceberam que no Brasil a crise não era tão violenta como no resto do mundo, começaram a enxergar possibilidades oportunistas de compra", relata o especialista.
Ele explica que a falta de crédito deixou algumas empresas fragilizadas e, por consequência, fez com que elas se tornassem alvo fácil para incorporação. Os dados da Associação Brasileira de Entidade do Mercado Financeiro e de Capitais (Anbima) confirmam esse cenário. De janeiro a setembro de 2009, o orgão calcula que as transações de fusão, aquisição, IPO (oferta pública de ações) e reestruturação societária totalizaram 116,7 bilhões de reais. O que representa um aumento de 33,4% sobre o mesmo período de 2008, mas ainda abaixo dos 141,2 bilhões de reais contabilizados há dois anos.

As companhias que atuam na área de tecnologia lideraram o volume de operações de fusões e aquisições realizadas no País no ano passado, segundo dados de uma pesquisa conduzida pela empresa de auditoria e consultoria KPMG. Nos nove primeiros meses de 2009, dos 351 acordos realizados no Brasil, 39 deles envolveram empresas de TIC, o que representa um crescimento de 22% em relação ao ano anterior. "Estamos assistindo a uma retomada no volume de operações, impulsionada por um apetite maior das empresas brasileiras e estrangeiras", afirma o sócio responsável pela área de fusões e aquisições da KPMG, Luís Motta.
No mundo

No mercado mundial de TIC, os fornecedores que tinham dinheiro em caixa aproveitaram o cenário de crise para incorporar empresas com o objetivo de expandir o portfólio de produtos. Um dos exemplos mais clássicos dessa movimentação foi da Oracle. Com a declarada intenção de tornar-se uma provedora de soluções completas para o mercado corporativo, a companhia anunciou, em abril deste ano, uma oferta de 7,4 bilhões de dólares paracompra da Sun Microsystems. O acordo, que ainda aguarda aprovação, veio juntar-se a outras seis aquisições menores realizadas pelo grupo em 2009, o qual já incorporou um total de 56 empresas nos últimos quatro anos.
Mais recentemente, outras duas grandes marcas no mercado de TIC protagonizaram um processo de consolidação. Em uma negociação de 2,7 bilhões de dólares, a HP adquiriu a 3Com em novembro do ano passado. Com a transação, o grupo quer concorrer mais de perto com a Cisco na área de equipamentos de redes. Outro negócio, desta vez uma parceria, foi o acordo entre HP e Microsoft para o desenvolvimento de soluções integradas de cloud computing.
Também em relação a aquisições, a HP encerrou, em setembro de 2009, o processo de incorporação da EDS. Com isso, a empresa passa a fazer parte da unidade de serviços do grupo. O que tende a fortalecer a presença da fornecedora de hardware nesse mercado, no qual deve competir com a IBM, e, por outro lado, vai refletir em um aumento de receitas, já que os resultados da companhia adquirida serão incorporados no faturamento do atual ano fiscal, iniciado em outubro.
Para Feinberg, do Gartner, a necessidade de buscar uma margem melhor de lucro a partir do equilíbrio entre a oferta de hardware, software e serviços tem motivado os grandes grupos de TI a absorver empresas. "A Dell, que já era forte no mercado de equipamentos, adquiriu a Perot Systems por conta da necessidade de oferecer serviços", exemplifica o especialista, ao citar a recente transação, que envolveu 3,9 bilhões de dólares. Dentro dessa mesma óptica, o especialista acredita que Cisco, Microsoft e SAP tendem a protagonizar aquisições voltadas a ampliar o portfólio.

Essa movimentação dos grandes fornecedores internacionais tem impactos diretos no cenário local. "Das 39 transações envolvendo empresas de TI no Brasil [contabilizadas nos nove primeiro meses de 2009], 21 delas aconteceram entre companhias nacionais e, principalmente, de pequeno e médio portes", afirma o especialista da KPMG. A justificativa para esses dados está no fato de que as organizações menores precisam responder à concorrência dos grandes grupos. "Por outro lado, elas devem estar prontas para acompanhar uma explosão da demanda no mercado brasileiro", acrescenta Ruy Moura. Para ele, o fato de o País sediar a Copa do Mundo e a Olímpiada em 2014 e 2016, respectivamente vai acelerar os investimentos em TI.
Entre as companhias 100% brasileiras que já manifestaram a intenção de se fortalecer no mercado a partir de aquisições, está a integradora Stefanini. Com faturamento projetado de 674 milhões de reais para este ano, a companhia planeja adquirir fornecedores de serviços nos Estados Unidos, Europa e México. "Ao contrário de muitas empresas, temos dinheiro em caixa", diz o presidente da companhia, Marco Stefanini. Ainda de acordo com ele, essa expansão das operações vai contribuir para que o faturamento de 2010 fique próximo de 1 bilhão de reais.

Ainda para 2010, o diretor da Acquisitions acredita em uma tendência de fusões e aquisições entre pequenos e médios fornecedores de ERP (sistema de gestão empresarial). "Já existem muitas operações em andamento", informa Moura, que acrescenta: "Tratam-se de companhias que são excelentes em seu nicho de mercado, mas que precisam de fôlego para atender a grandes clientes". Além disso, ele cita que esses fornecedores menores estão preocupados com a concorrência dos grandes players desse setor, hoje dominado por Totvs e SAP.
http://computerworld.uol.com.br/negocios/2010/02/09/industria-de-ti-nacional-deve-se-consolidar-mais-em-2010/





31 dezembro 2009

Estratégia para earnout

O earn-out é uma modalidade de financiamento de parte do valor da aquisição de uma empresa e vinculado ao desempenho futuro do negócio.
São diversos os estágios que definem a melhor estratégia para um “earn-out”.

Alguns conceitos mesmo sendo elementares, não dispensam cuidados.
Assim, seguem algumas recomendações relacionadas a:
(i) a escolha da empresa-alvo e seus respectivos sócios;
(ii) determinação do valor;
(iii) estrutura do pagamento: antecipado e postecipado.

Para Seleção do sócio

A identificação apropriada do sócio é talvez o elemento o mais importante de um bem sucedido earn-out. Ambos – comprador e vendedor – deverão estar comprometidos com o integral sucesso da fusão.

Paciência, persistência e flexibilidade recíprocas contribuem decisivamente para que sejam alcançados os objetivos mutuamente acordados. As partes também têm que acreditar que estão recebendo tratamento justo nos termos do negócio.

Os sócios da empresa adquirida devem ter em mente a importância do alinhamento com plano de negócio, estabelecido em conjunto com o comprador, particularmente em relação às metas de vendas, relacionamento com canais, desenvolvimento de produtos, vendas cruzadas, níveis de qualidade, prazos de entrega, etc. O processo de mapeamento envolve o entendimento de como os produtos ou as tecnologias da empresa vendedora serão alinhados no decorrer da transição bem como da estratégia de longo prazo da empresa compradora e vice- versa. Estas adaptações de tecnologia ou do produto são fundamentais para que o relacionamento a longo prazo seja viável.

Neste momento é muito importante uma diligência mais detalhada a respeito. A compreensão das metas, sua razoabilidade e exigibilidade no “earn-out “ passam por esta avaliação, seja das competências técnicas de “entrega” do time vendedor avaliadas pelo comprador, seja pelas condicionantes exeqüíveis estabelecidas pelo comprador ao vendedor.

Tanto o vendedor como o comprador têm considerável flexibilidade para estruturar o “earn-out “ e alcançar acordo em relação aos objetivos. Por exemplo, podem ser vinculadas metas estratégicas e táticas, tais como faturamento, margens, taxa de crescimento ou taxa de retorno, Ebitda, nível de capacidade de utilização, para vendedores de modo geral ou com perfis diferenciados, estabelecendo metas de desempenho para unidades de negócios específicas ou em relação a companhia como um todo.

Cuidados adicionais se devem ter no estabelecimento das metas e critérios para os seus cálculos de modo a não permitir dúvidas ou mal entendidos. Por mais óbvio que possa parecer, quando se tratar de rentabilidade, por exemplo, definir claramente a fórmula de cálculo e quais as receitas e custos devem ser excluídos. O estabelecimento de mecanismo de solução de disputa é aconselhável.

Determinação do valor

Sem dúvida, um dos mais difíceis aspectos na negociação de uma empresa é a definição do valor atribuído à transação, não só pela discussão das premissas do “valuation “ como pela percepção do “apetite “das partes.

Vencida essa etapa de determinação do valor, fica menos difícil estabelecer as condições de pagamento. Nesse sentido, o modelo de “earn-out” é um facilitador do processo uma vez que o comprador irá pagar a parcela vinculada a entrega futura, após a sua execução. Significa dizer que a(s) parcela(s) remanescente(s) do pagamento dependem do cumprimento das metas estabelecidas, nos prazos combinados.

Estrutura do pagamento.

Acordado o valor total da transação bem como definida a regra do modelo de gestão e relacionamento, a etapa seguinte é decidir quanto será pago a vista e quanto será pago em earn-out.
O pagamento antecipado é um componente chave porque define o comprometimento e o nível de importância que o comprador atribui a tecnologia. Quanto menor for o valor do pagamento antecipado, o risco maior é deslocado para o vendedor.

Algumas pesquisas sobre operações realizadas indicam que o valor do pagamento antecipado se situa no intervalo de de 30% a 70% do total da transação.
Quanto mais madura é a empresa maior é a participação do pagamento à vista. Como também o montante do Backlog (corresponde ao valor total do faturamento dos contratos em carteira desde que sejam cumpridos na forma contratada. No cálculo do Backlog, levam-se em consideração o cronograma de implementação dos projetos, histórico de demanda, maturação dos contratos e as fases de entrega).

Em relação ao prazo de pagamento postecipado, cujos valores são definidos a partir de metodologia adequada, considera pagamentos anuais, se o acordo prevê prazo de desempenho superior a um ano, e efetivados após o encerramento dos períodos de apuração.

O prazo para cumprimento de metas do “earn-out“ costuma variar muito e depende dos objetivos a serem alcançados. Tipicamente um “earn-out“ para a compra de uma empresa de tecnologia ou de serviços varia de 1 ano a 3 anos. É raro prazos superiores. Prazos muito curtos também têm seus inconvenientes.

Para o comprador o risco de perda dos sócios-gestores bem como prazos insuficientes para integração e absorção efetiva do conhecimento (particularmente os culturais se for internacionalização) e realização dos resultados esperados.

Para o vendedor não permite incorporar ganhos adicionais, pois ignora o crescimento de mais longo prazo. Um dos aspectos mais problemáticos em relação aos períodos de apuração refere-se aos cumprimentos das metas. Nestas horas é que começam os questionamentos sobre o entendimento de critérios, se não forem muito claros.

31 dezembro 2009



16 dezembro 2009

As 10 maiores fusões em TI, em 2009.

As TOP 10 operações de fusões & aquisições realizadas em 2009 entre empresas de TI, de acordo com levantamento de Jon Brodkin, da Network World, foram:

1. Oracle-Sun: US$ 7.4 bilhões – O maior negocio na área de TI foi realizado em abril, quando a Oracle adquiriu a Sun. A aquisição, ainda em curso, foi anunciada em abril e, depois, bloqueada, pois alguns reguladores europeus sustentaram que a combinação da tecnologia da Oracle com a base de dados Open Source MySQL da Sun violaria as leis de concorrência. O acordo Oracle-Sun ainda não foi concluído, mas dará a Larry Ellison, CEO da Oracle nova munição contra a Microsoft (no mercado de base de dados) e contra grandes fornecedores de hardware como que IBM, HP e Dell.

2. Xerox-Affiliated Computer Services: US$ 6.4 bilhões – Com aquisição anunciada em setembro a Xerox ficou apta a triplicar sua cifra de negócios na área de serviços passando de US$ 3,5 bilhões para US$ 10 bilhões com a compra da ACS, especializada em BPO (Business Process Outsourcer). Combina 74.000 empregados de ACS com 54.000 da Xerox. A Xerox acredita que com a ACS poderá penetrar em novos mercados e que terá poucas sobreposições na medida em que somente 20% dos clientes são comuns a ambos os negócios.


3. Dell-Perot Systems: US$ 3.9 bilhões – Apenas alguns dias antes do movimento da Xerox, a Del anunciava a aquisição para a conmpra da Perot Systems, outra grande sociedade de serviços de computação. Dell está apostando que com a Perot irá se tornar um líder em serviços de computação, permitindo vender mais hardwares aos clientes da Perot, maioria deles na áreas de saúde s serviços governamentais.

4. Cisco-Tandberg: US$ 3.4 bilhões - Cisco importante “player” em produtos de colaboração junto à WebEx e em videoconferência no modo telepresença, formalizou a compra da Tandberg especializada em videoconferência e em produtos da infra-estrutura de rede. O uso crescente da videoconferência permitirá aumentar o tráfego da rede, propiciando novas vendas de comutadores e roteadores para a Cisco.

5. Cisco-Starent Networks: US$ 2.9 bilhões – Com compra em outubro da Staren, a Cisco incrementará a expertise em infra-estrutura móvel em vários tipos de redes sem fio, como LTE e WiMAX. Cisco já havia feito um investimento em WiMAX com a compra por US$ 330 milhões da Navini Networks em 2007. A tecnologia da Starent já foi implementada por mais de cem operadoras móveis em 45 países.


6. HP-3Com: US$ 2.7 bilhões – A HP se lança na concorrência com a Cisco em centros de computação e convergência de mercados com a compra da 3Com, fabricante de comutadores, roteadores e produtos de segurança. A operação foi anunciada em novembro. A aquisição, que enfrenta uma ação judicial da parte dos acionistas, sofre ainda de uma sobreposição ao entrar na variedade de linhas de comutadores e de equipamentos de redes sem fio.

7. EMC-Data Domain: US$ 2,1 bilhões A EMC se esforçou para adquirir a Data Domain visando o segmento de replicação. A replicação ajuda a economizar dinheiro ao reduzir as necessidades de arquivamento de dados, o que explica porque a EMC e a NetApp acreditam que esta aplicação desempenhará papel importante no mercado de armazenamento nos próximos anos. A NetApp havia proposto inicialmente o valor de US$ 1,5 bilhão para comprar a Data Domain, mas a EMC pressionou e fez o preço subir a um montante que a NetApp não pudesse mais se manter na disputa.

8. Emerson-Avocent: US$ 1,2 bilhão - A Emerson estende suas operações de computação com a adição da Avocent, que concebe software, hardware e tecnologias integradas destinadas à simplificar a gestão de centros de dados complexos. A Emerson a firma que a Avocent e as tecnologias de monitoramento são complementares aos seus próprios produtos, À gestão energética e aos sistemas de refrigeração. Assim, pode ajudar os clientes a resolver o problema crescente de ineficácia energética. A aquisição, que permitirá também aumentar a capacidade da Emerson no mercado de comutação KVM.

9. IBM-SPSS: US$ 1,2 bilhão A IBM gastou mais de US$ 1 bilhão para desenvolver sua capacidade de análise, com SPSS e suas ferramentas de análise preditiva que ajudam as empresas a explorar dados profissionais históricos e identificar as tendências futuras. A compra não é mais do que a última etapa na estratégia da IBM de reforçar sua gama de ferramentas de análise. Antes a Big Blue havia adquirido a tecnologia de descoberta de dados da Exeros e pago US$ 5 bilhões pela Cognos, especializada em Business Intelligence.

10. Ericsson - ativos wireless da Nortel Networks: US$ 1,13 bilhão A Ericsson, fabricante líder no segmento de redes, criou uma guerra de ofertas sobre os ativos sem fio da Nortel Networks, sobretudo contra a as ofertas da Nokia Siemens Networks, a MatlinPatterson e Research in Motion. Mais precisamente, a Ericsson ficou com o CDMA e a LTE o que permitirá a companhia sueca reforçar presença na América do Norte. Os clientes da Nortel na América serão de agora em diante fornecidos pela Ericsson, o que inclui Verizon Wireless, Sprint, US Cellular, Bell Canada, Leap e Telus. Por causa da compra da Nortel e de outros acordos estratégicos, a Ericsson terá 14 mil empregados e US$ 5 bilhões em receitas na América do Norte.

16 dezembro 2009



07 dezembro 2009

Anunciada a fusão do Grupo Pão de Açúcar e Casas Bahia.

O novo gigante no comércio de bens duráveis com um faturamento bruto de R$ 18,1 bilhões, contará com 1.015 lojas, 68 mil funcionários, 43 centros de distribuição e presença em 18 estados e deverá atender todas as classes sociais, de A, a mais alta, à E, a menor. Os supermercados foram excluídos dessa associação. O faturamento anualizado do Grupo Pão de Açúcar (2008) com Ponto Frio e Casas Bahia é de cerca de R$ 40 bilhões.

A expectativa é de que as sinergias entre o Grupo Pão de Açúcar e a Casas Bahia girem em torno de R$ 2 bilhões. A competitividade da nova empresa acontecerá em termos de centralização do poder de compras com os fornecedores; a integração dos centros administrativos, logísticos e de Tecnologia da Informação (TI); unificação das plataformas de e-commerce; ganhos de escala com propaganda; e potencialização dos serviços financeiros. Existem cerca de 100 lojas da Casas Bahia e do Ponto Frio que são conflitantes, em uma mesma rua ou shopping center e há a possibilidade, de quando estiveram localizadas em imóveis contíguos, de serem unificadas, adotando uma marca ou outra, conforme o público do local.

A operação vai dividir as Casas Bahia em duas subsidiárias: uma delas ficará com todos os imóveis de propriedade da empresa (estimados em R$ 2 bilhões), 75% da fabricante de móveis Bartira (que valem cerca de R$ 240 milhões), uma parcela da carteira de crédito no valor de R$ 1,067 bilhão e outros ativos não operacionais avaliados em R$ 200 milhões. Estes ativos ficarão com a família Klein. Além disso, a companhia vai transferir uma dívida de curto prazo com fornecedores, de R$ 950 milhões, para a nova empresa. Farão parte da segunda subsidiária, além deste débito, os ativos operacionais, os 25% restantes da Bartira, contratos de locação e de fornecimento de móveis. Essa empresa, chamada de Nova Casas Bahia, se juntará aos ativos de Ponto Frio e Extra Eletro para o nascimento da nova companhia.

O patrimônio da nova empresa a ser formada está avaliado em R$ 3,8 bilhões. Pão de Açúcar vai deter 51% de participação (R$ 1,93 bilhão), contra 49% das Casas Bahia (R$ 1,86 bilhão).

Esta associaçao reforça a tendência de fusões e aquisições por parte dos concorrentes. Novas fusões no varejo deverão ocorrer nos próximos meses envolvendo redes regionais. Entre os pricipais players estão a redes Lojas Americanas, Magazine Luiza, Carrefour e Walmart.

07 dezembro 2009



20 novembro 2009

Consolidação do setor de planos de saúde


Com a compra da Medial Saúde pela Amil, no mercado de planos de saúde, é dado mais um grande passo no processo de consolidação no setor. Esta aquisição foi a sexta realizada pela Amil nos últimos dois anos. Inclusive, os negócios mais relevantes do setor nos últimos cinco anos foram protagonizados pela Medial, ao comprar a Amesp, e pela Amil, ao adquirir a Amico e a Blue Life. Segundos dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), 2,7 mil companhias operavam na área de planos de saúde no começo da década. No 1º semestre/09, esse número foi reduzido para 1.723 empresas.

Após a aquisição, a participação de mercado da Amil em São Paulo passará de 7,9% para 15,1% e no Brasil irá de 6,2% para 10,1%, com um total de 4,2 milhões de beneficiários em planos de saúde e 986 mil beneficiários em planos dentais.

O preço de aquisição das ações a ser pago pela Amil aos acionistas controladores da Medial Saúde foi fixado em R$ 612 milhões. Irá ainda apresentar proposta para adquirir até a totalidade das ações da Medial de titularidade de seus demais acionistas, em igualdade de condições, inclusive preço, àquelas acordadas com os acionistas controladores da Medial Saúde. (TAG ALONG).

As operações possuem potenciais de sinergias nas áreas médico-hospitalares, despesas administrativas, marketing e comerciais.

20 novembro 2009



28 outubro 2009

Valor da empresa: apetite & “valuation”

Para a tradicional questão sobre o real valor da empresa, é oportuna a declaração do CEO da Google, Eric Schmidt, sobre o valor pago pela aquisição do You Tube.

O “valuation” para a You Tube indica um valor entre US$ 600 milhões e 700 milhões. Mas acabou pagando US$ 1,65 bilhão, cerca de três vezes mais. Segundo Eric Schmidt , a dinâmica, o preço, lembre-se, não é dado pelo julgamento ou pelo modelo financeiro ou fluxo de caixa descontado. É pelo que as pessoas desejam pagar. E nós concluímos que US$ 1,65 bilhão incluía um prêmio por movimentar-se rapidamente e ter certeza que nós participaríamos do sucesso do You Tube.
"In the deal dynamics, the price, remember, is not set by my judgment or by financial model or discounted cash flow. It's set by what people are willing to pay." -Eric Schmidt http://news.cnet.com/8301-31001_3-10360384-261.html

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Publicado pela CRN BUSINESS SCHOOL - Edição outubro/2009, Livro sobre Os Melhores Conceitos E Práticas de Gestão, Marketing E Vendas À Sua Empresa.
O Módulo 10 -  FUSÃO, AQUISIÇÃO E ALIANÇAS ESTRATÉGICAS, é de autoria de RUY MOURA.









28 outubro 2009



27 outubro 2009

Índice Bovespa versus Índice de M&A


A recente pesquisa da Deloitte referente às operações de fusões e aquisições no mercado brasileiro, no terceiro trimestre de 2009, aponta para um cenário de retomada de investimentos e novas oportunidades de negócios.

Se compararmos os indicadores da referida pesquisa com o índice BOVESPA, (clique no quadro para ampliar) para o mesmo período, constata-se uma simetria notável entre os dois gráficos.

Os sinais de crescimento do mercado interno, aliado a estabilidade da economia, com o certificado de "grau de investimento" pelas três principais agências de risco estão sinalizando promissoras perspectivas para os próximos anos. E isto sem falar sobre os investimentos esperados com a exploração do pré-sal, Copa do Mundo e Jogos Olímpicos.

Estes sinais estão influenciando e antecipando significativamente a retomada do interesse dos investidores em consolidações empresariais. A necessidade de se ganhar musculatura mediante fusões e aquisições em muitos setores ainda pulverizados, é uma das mais rápidas forma de tornarem competitivos globalmente.

27 outubro 2009



29 setembro 2009

O pior já passou.

Notícias envolvendo fusões e aquisições deram novo impulso para as bolsas americanas, européias e brasileira.

Nas últimas semanas, vários analistas da área de fusões e aquisições do setor de tecnologia, vem percebendo uma mudança no estado de espírito do mercado. As companhias de tecnologia estão acelerando a realização de negócios depois de um ano tranquilo. A Xerox anunciou a compra da Affiliated Computer Services por 6,4 bilhões de dólares, gerando expectativas de uma nova onda de fusões e aquisições, depois de estas operações terem crescido ao ritmo mais lento dos últimos anos.

O aumento dos negócios é sinal de uma mudança mais ampla: a tomada de riscos está voltando ao setor tecnológico. Toda essa atividade está sendo conduzida por uma idéia central: o pior da recessão já passou e é hora de se preparar para tempos melhores. Especialistas afirmam que muitas companhias adiaram os investimentos em tecnologia durante a recessão e agora deverão acelerar as aplicações para gerar ganhos de produtividade vitais para os lucros. De acordo com algumas projeções, os investimentos do setor tecnológico nos Estados Unidos vão aumentar significativamente nos próximos anos, depois de uma queda de 10% prevista para 2009. Estão no ponto de virada para o setor de tecnologia. Se isso for verdade, é um bom presságio para a economia como um todo.

Segundo alguns analistas muitos outros setores importantes da economia, incluindo o financeiro e o imobiliário, continuam com problemas e que o mercado de tecnologia é um dos poucos que pode sustentar a recuperação dos EUA. Além disso, como os gastos do consumidor deverão permanecer fracos, o crescimento econômico vai depender dos investimentos das companhias e das exportações, duas áreas conduzidas pela tecnologia.

Banqueiros, investidores e executivos do setor de tecnologia afirmam que é quase certo que mais negócios vêm por aí. Muitas companhias do setor contam com balanços fortes e caixa para financiar aquisições. Os mercados de crédito estão melhorando, o que deverá lubrificar o fluxo de negócios.

E mais importante: compradores e vendedores estão tendo mais facilidade para acertar os preços. Hoje, os compradores querem fechar negócios antes que os preços dos ativos subam ainda mais. Agora que as avaliações voltaram um pouco, as percepções de valor dos compradores e vendedores estão um pouco mais alinhadas. Analistas apontam para outros segmentos além do setor de tecnologia, que parecem maduros para fusões e aquisições. As companhias de tecnologia estão realmente em busca de negócios. Há muita demanda reprimida.
O recente otimismo começa a se espalhar para outros segmentos da economia. Lentamente, mas com confiança, isso vai se espalhar pela economia.

No Brasil os negócios em TI agregam um viés adicional ao seu crescimento, por conta do desdobramento das exigências legais do SPED contábil, fiscal e nota fiscal eletrônica, aquecendo mais ainda a demanda por estes serviços.

29 setembro 2009



17 setembro 2009

2009 - ano da consolidação do setor de proteína animal.


Em 2009 será marcado como o ano da consolidação o setor industrial de proteína animal no Brasil. E três fusões serão os símbolos desse processo: JBS & Bertin, Sadia & Perdigão e Marfrig & Seara.

JBS se tornou a maior empresa de processamento de proteína animal do mundo a partir do anúncio, em set/09, de sua associação com a Bertin e a aquisição da Pilgrim's Pride nos Estados Unidos. A Bertin conta com 38 unidades produtivas no Brasil e no exterior e capacidade de abate de 16,5 mil cabeças/dia, atuando em mais de 110 países. A empresa JBS comprou também 64% da Pilgrim's Pride por 2,8 bilhões de dólares, com isso a empresa brasileira entra no setor de carne de frango, adquirindo uma das maiores companhias norte-americanas do segmento avícola, com capacidade instalada de processar cerca de 4,1 milhões de toneladas de frango por ano. A Pilgrim's Pride possui 33 unidades de processamento nos EUA, três de processamento no México e uma em Porto Rico. Após o anúncio a JBS passa a acumular uma receita líquida de US$ 26,7 bilhões, 2,4 vezes maior do que da BRF, que uniu num mesmo grupo Sadia e Perdigão.

E em maio/09, foi anunciada a fusão entre Sadia e Perdigão criando uma das maiores empresas de alimentos das Américas, sob o de nome Brasil Foods. O faturamento anual consolidado das duas companhias é de R$ 22 bilhões. Em 2008, somados, os abates de bovinos e suínos de Sadia e Perdigão chegava a 39,3 mil cabeças por dia.
O Marfrig em set/09 compra a Seara por 900 milhões de dólares. O aumento da capacidade do Marfrig, atualmente tem 59 plantas de produção distribuídas em nove países, com a operação chega a 70% no processamento diário de aves e a mais de 135% no de suínos. Após a integração da produção, o frigorífico será capaz de processar diariamente mais de 21.000 cabeças de bovinos, cerca de 2,9 milhões de aves e aproximadamente 10.400 cabeças de suínos. O negócio com a Seara envolve as áreas de aves, suínos e produtos industrializados, que tem faturamento líquido anual de US$ 1,7 bilhão. Já o guidance da Marfrig para 2009, projeta uma receita liquida em torno de R$ 11,0 bilhões.

17 setembro 2009



05 setembro 2009

Os vetores dos novos tempos

Estamos no limiar de um novo tempo para cenário econômico brasileiro. Tempo de um Brasil competitivo e moderno em termos de gestão.

Vem se juntar às principais ondas de gestão na história recente do país, como a implantação do Plano Real e o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Ambos com profundas mudanças na cultura empresarial e com dramáticas conseqüências para muitos que não conseguiram compreender a tempo as novas mudanças.

Trata-se do SPED – Sistema Público de Escrituração Digital, pelo qual todos os compromissos das empresas com o Fisco serão feitos de forma eletrônica. E entre seus principais componentes estão a Escrituração Contábil Digital (ECD), como substituição dos antigos livros de escrituração mercantil, por seus equivalentes digitais transmitidos eletronicamente; e a mais conhecida, a Nota Fiscal Eletrônica (NFE), que foi o primeiro subproduto do SPED a ser implantado. Entrarão em vigor também a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-E), o Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-E) e a Central de Balanços.

Em resumo, os Governos terão como saber nos mínimos detalhes absolutamente tudo o que acontece em cada empresa, pois estas informações serão compartilhadas pela União, Estado e Municípios. Vale lembrar, por oportuno, que ao SPED se junta à DIMOF (Demonstrativo e Informações das Movimentações Financeiras), que é uma série de dados sobre o movimento financeiro da empresa que os bancos são obrigados a fornecer ao Fisco.

Este conjunto inovador de melhorias de ordem tributária será o vetor determinante da primeira camada de quebras de paradigmas em toda a economia brasileira. Trará melhorias de processos, especialmente para as pequenas e médias, reduzindo as fraudes, maracutais e o “jeitinho”, além de criar melhores condições de o fisco acompanhar as informações tributárias.

E isso tudo em alta velocidade. Por conseqüência, muitas empresas que não conseguirem se adaptar a este novo cenário, ou mesmo demorarem para entender as consequências estarão fadadas ao encerramento de suas atividades.

Segundo algumas estimativas, considerando as adesões obrigatórias e voluntárias, aproximadamente 100 mil empresas estarão fazendo parte do SPED ainda 2009.

Sobe para cerca de 300 mil companhias em 2010.

Este número poderá alcançar a 1,5 milhão em 2011.

E até 2014, a expectativa é de que mais de três milhões de empresas serão obrigadas a aderir ao SPED.

As mudanças não são somente em relação à sonegação, cultura e segurança do papel, retrabalho e correção de erros, transparência, etc., mas sobretudo para o Brasil moderno, ágil e competitivo. E é um grande passo para se criar as bases para a redução de carga tributária decorrente do círculo virtuoso de uma maior base de contribuintes, com menos sonegação e mais arrecadação, possibilitando menor carga tributária e mais contribuintes.

Muitas empresas, em todos os setores da economia, serão compulsoriamente levadas a buscar a maior competitividade devido à diminuição da concorrência desleal por conta da sonegação (que por sua vez decorre também da elevada carga tributária), e estarão se reestruturando para a utilização rapidamente de novos conceitos e ferramentas tecnológicas.

Na sequência vêm as demais transformações.

No topo da pirâmide está o IRFS International Financial Reporting Standards para as grandes - e depois às médias - estima-se em cerca de 500 empresas enquadradas. No caso do IRFS será a sofisticação do sistema em termos de governança, transparência, consistência, risco, gestão, etc, que servirá de benchmark para todos os demais (a aderência ocorre na cadeia produtiva por parte de exigência dos grandes, tal qual já em acontecendo com o ISO 9000 , ISO 14000). A propósito, em julho de 2009, o Comitê de Normas Internacionais de Contabilidade (IASB) emitiu princípios do IFRS específicos para pequenas e médias companhias. A partir de agora, adotar o padrão internacional de contabilidade IFRS não precisa mais ser coisa só para os grandes. Lembro, que no Brasil, a adoção do IFRS integral é obrigatória, Lei 11.638, de dez/2007, para as companhias abertas e também para as fechadas de grande porte. Elas deverão apresentar seus balanços consolidados de acordo com o padrão internacional.

Em seguida vêm as demais camadas e, em todas, teremos a tecnologia da informação permeando todos os segmentos e processos, sobressaindo-se as demandas relacionadas com:

  • ERP - sistema de informação que integra todos os dados e processos de uma organização em um único sistema: finanças, contabilidade, recursos humanos, fabricação, marketing, vendas, compras, etc
  • SAAS - Software como um Serviço/ cloud computing – compartilhamento de ferramentas computacionais pela interligação dos sistemas, semelhantes as nuvens no céu, ao invés de ter essas ferramentas localmente (mesmo nos servidores internos)
  • Datacenter/web hosting/segurança;
  • Relacionamentos eletrônicos entre empresas (B2B);
  • Plataforma de pagamentos on-line, serviços de meios de pagamento B2B e B2C via celular, integração entre loja virtual e as instituições financeiras;
  • Business Inteligence- BI;
  • Logística operacional – frete, seguro, armazenagem, que estão umbilicalmente vinculados a nota fiscal eletrônica. Monitoramento do trânsito de mercadorias no país por intermédio de RFID - tecnologia de Identificação por Radiofreqüência e de comunicação sem-fio – garantindo a operacionalidade em toda a cadeia produtiva.
  • Aperfeiçoamento dos processos internos e ferramentas de gestão para pequenas e médias apreendendo novas tecnologias em sistemas de gestão;
  • GED Gerenciamento eletrônico de documentos – digitalização/gestão docs;
  • Ferramentas para pequena e micro empresas disponibilizados por portais, facilitando sua interatividade na cadeia produtiva com novas tecnologias para o aperfeiçoamento dos seus processos e ferramentas de gestão, etc. Vale lembrar a recente lei do microempreemprendedor individual que se propõe retirar da informalidade, em um ano, cerca de 1,1 milhão de pessoas.
  • Desdobramento do TISS (Troca de Informação em Saúde Suplementar) estabelecido Agência Nacional de Saúde ANS no setor de saúde: operadoras de saúde e prestadores de serviços médicos e odontológicos – cuja evolução tende para a adoção do sistema de informação para Registro Eletrônico de Saúde, que armazena e gerencia todas as informações de saúde de cada beneficiário;
  • E uma infinidade de novas demandas, que ainda não foram estruturadas, mas surgirão com a segunda onda, após o Sped ter permeado e inter-relacionado todos os segmentos econômicos, que deverá ocorrer nos próximos 2 ou 3 anos.

E todas estas demandas estarão influenciando fortemente novos investimentos no mercado de TI e, sobretudo, estimulando o movimento de novas fusões e aquisições em todos os segmentos e portes do setor.

05 setembro 2009