02 abril 2012

FUSÕES E AQUISIÇÕES - DESTAQUES DA SEMANA DE 26/MAR a 01/ABR/12

Foram divulgadas 17 operações de Fusões e Aquisições com destaque pela imprensa, na semana de 26/mar a 01/abr/12.

ANÁLISE DA SEMANA




Os setores de TI; PRODUTOS DE ENGENHARIA, SERVIÇOS PORTUÁRIOS E AEROPORTUÁRIOS destacaram-se na semana representando 71% do total das operações.



O NEGÓCIO DA SEMANA
A semana ficou por conta dos negócios anunciados pelo empresário Eike Batista:
(i) a venda por US$ 2 bilhões de uma participação de 5,63% na Centennial Asset Brazil Equity Fund e em outras holdings offshore do grupo EBX para a Mubadala, empresa de investimento estratégico dos Emirados Árabes. Os recursos serão usados para reforçar a estrutura de capital do grupo e suportar o desenvolvimento de novos negócios. A Mubadala terá participação tanto nas empresas de capital aberto do grupo– OGX, OSX, MMX, LLX e MPX – como nas de capital fechado (AUX, REX e IMX).
(ii) venda de 20% da SIX, empresa de tecnologia do grupo EBX, para a IBM. A IBM teria fechado, também, um contrato de prestação de serviços com a SIX no valor de 1 bilhão de dólares por um período de dez anos. A SIX é descrita, pelo grupo EBX, como empresa voltada para soluções de automação industrial.

RELAÇÃO DAS TRANSAÇÕES

A ordem da relação das transações de Fusões e Aquisições, segue a data em que foram divulgadas pela imprensa e postadas no blog fusoesaquisicoes.blogspot.com. Podem ser localizadas nos endereços abaixo.

01 - PETRÓLEO E GÁS - Empresa dos Emirados Árabes compra fatia no grupo de Eike Batista. O empresário Eike Batista anunciou a venda 5,63% na Centennial Asset Brazil Equity Fund e em outras holdings offshore do grupo EBX para a Mubadala, empresa de desenvolvimento e investimento estratégico de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. O negócio foi fechado por US$ 2 bilhões.26/03/2012

02 - COMPANHIAS ENERGÉTICAS - Aggreko adquire Poit Energia por R$ 404 milhões. Aggreko líder mundial no fornecimento de energia temporária e soluções de controle de temperatura, adquiriu a totalidade do capital da Companha Brasileira de Locacoes ("Poit Energia"), fornecedor líder de soluções de energia temporária na América do Sul . A aquisição é R$ 404 milhões pago em dinheiro na conclusão, com o potencial de até R $ 60 milhões a ser pago se as metas de desempenho para o ano a 31 de dezembro de 2012 sejam cumpridas.26/03/2012

03 - TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO (TI) - SoftExpert incorpora divisão da Xtrategus. A SoftExpert, de Joinville, acaba de incorporar as operações de software para gestão integrada da Xtrategus, empresa de Curitiba.O acordo agrega de pronto uma carteira de aproximadamente 80 clientes da companhia paranaense. Além da divisão incorporada pelos catarinenses, a companhia de Curitiba também atua em computação em nuvem pela divisão IT Services, focada em soluções Microsoft, cloud e IaaS. 26/03/2012

04 - TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO (TI) - Mandic entra no mundo dos centros de dados. O fundo Riverwood, que fez um aporte de R$ 100 milhões na empresa brasileira Mandic, anunciou a compra do controle da Tecla Internet, pertencente à Alog. As empresas têm interesses complementares: A Mandic, com especialização em em serviços de comunicação (email) e colaboração, e a Tecla Internet, especializada em serviços de infraestrutura cloud (servidores Cloud). As empresas tem como objetivo adquirir a liderança em Serviços SaaS (Software como Serviço) e IaaS (infraestrutura como serviço) para o mercado corporativo de pequenas e médias empresas no Brasil. 27/03/2012

05 - TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO (TI) - Peixe Urbano compra site de delivery de restaurantes. O Peixe Urbano anunciou a compra do site de delivery de restaurantes O Entregador. É a terceira aquisição deste ano do site de compras coletivas. O Entregador faz parte dessa estratégia. Além de poder buscar os restaurantes que oferecem delivery, é possível conferir o cardápio e acompanhar o trajeto da entrega em tempo real.27/03/2012

06 - TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO (TI) - Grupo Colleman adquire controle da AMC, de robótica. O grupo brasileiro Colleman, que controla 40 empresas de diferentes segmentos econômicos, adquiriu 75% de participação acionária da empresa de softwares AMC Systems. Uma parte dos recursos será destinada ao pagamento de dívidas e outra a investimentos em novas áreas de negócios, para acelerar o processo de expansão internacional da companhia de software. A AMC desenvolve softwares para robôs que operam em indústrias. O valor é bastante superior à receita alcançada pela empresa de software no ano passado, de R$ 10 milhões.27/03/2012

07 - TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO (TI) - Aceco TI recebe aporte da GA. A Aceco TI, empresa paulista especializada em infraestrutura e manutenção de data centers, recebeu um aporte do General Atlantic LLC por uma participação minoritária no negócio. Há 40 anos no mercado, a companhia A Aceco TI já construiu mais de 500 data centers no Brasil e na América Latina, e atualmente está participando da construção de mais de 50. Nos últimos dez anos, a Aceco TI cresceu 25 vezes, atingindo vendas de mais de R$ 500 milhões. 27/03/2012

08 - SERVIÇOS PORTUÁRIOS E AEROPORTUÁRIOS - Após aporte de fundos, Hidrovias do Brasil faz aumento de capital. Os acionistas da Hidrovias do Brasil, empresa de operações logísticas da gestora de fundos de participações Pátria, aprovaram, em assembleia realizada ontem, um aumento de capital no valor de R$ 60,34 milhões, passando o capital social da companhia a totalizar R$ 170,34 milhões. A operação ocorreu por meio da emissão de novas ações ordinárias, que foram adquiridas pelo fundo de investimentos P2 Brasil Infraestrutura, 28/03/2012

09 e 10 - PRODUTOS DE ENGENHARIA - Vitória do Egis em Viracopos foi golpe de mestre, escreve Les Echos. O diário econômico Les Echos destaca em suas páginas de negócios as aquisições feitas por duas empresas francesas no Brasil. O grupo Egis, faturou a concessão do aeroporto de Viracopos. Já o Rexel, fornecedor de material elétrico e de soluções energéticas, comprou duas empresas em São Paulo para ampliar sua presença no país. O grupo francês Rexel tem uma estratégia de ampliar sua presença nos mercados emergentes como uma mancha de óleo, ou seja, de forma progressiva e contínua. Ao comprar as empresas brasileiras Delamano, de Santo André, e a Etil, instalada na capital paulista, o grupo francês se apodera de um faturamento conjunto de 100 milhões de euros e 440 empregados. A Rexel já está representada no Brasil pela filial Nortel Suprimentos Industriais, comprada no início do ano passado.07/02/2012

11 - PRODUTOS DE ENGENHARIA - Sonepar compra distribuidora brasileira de grande porte. Sonepar, multinacional francesa do mercado de distribuição de materiais elétricos, adquire Rosa Leal, empresa de soluções em engenharia de projetos de painéis elétricos. A Rosa Leal faturou em 2011 € 85 milhões (US$ 113,3 milhões). 27/03/2012

12 - IMOBILIÁRIO - Thá e Equity International confirmam negócio. O Grupo Thá e a Equity International (EI) confirmaram a compra de participação do grupo paranaense pelo braço de private equity do investidor americano Sam Zell. Thá é um grupo paranaense com atuação nas áreas de incorporação, engenharia e vendas de imóveis. Nenhuma das partes informou o valor do negócio nem a fatia adquirida pela Equity. A família Thá permanecerá como sócia da empresa. Por Chiara Quintão 28/03/2012

13 - PRODUTOS DE ENGENHARIA - Actuant adquire Turotest, sua primeira aquisição no Brasil. A Actuant Corporation, empresa americana, adquiriu Turotest, líder na concepção e produção de painéis de instrumentos, medidores e remetentes utilizados nos mercados industriais e agrícolas. Turotest, com sede em São Paulo, obteve um faturamento anual de cerca de US $ 13 milhões. Actuant Corporation é uma empresa industrial diversificada, com operações em mais de 30 países. 28/03/2012

14 - SERVIÇOS PORTUÁRIOS E AEROPORTUÁRIOS - Grupo Formitex assume 100% do Tecondi O Grupo Formitex está prestes a assumir o controle total do Terminal para Contêineres da Margem Direita (Tecondi) do porto de Santos (SP), o terceiro maior terminal de contêineres do complexo. A holding, que atua ainda nos setores de papel e celulose, laminados e química, já detinha 50% das ações do Tecondi e, segundo o Valor apurou, cobriu a proposta de cerca de R$ 600 milhões feita pelo Grupo Libra ao outro sócio na empresa, o Grupo Barbeito. 30/03/2012

15 – INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS - Luiz Cezar Fernandes e Dennis Rodrigues são os novos sócios da Gradual. A corretora Gradual Investimentos anunciou dois novos sócios: Luiz Cezar Fernandes e Dennis Rodrigues. Um dos fundadores do Garantia e Pactual, Fernandes cuidará da área de fusões e aquisições. Já Rodrigues, atual sócio de uma empresa de desenvolvimento de soluções para o mercado financeiro, chega para estruturar uma empresa de tecnologia. No comunicado, Fernanda não dá muitos detalhes sobre a nova empresa de tecnologia, afirmando apenas que pretende atrair um “sócio estratégico” internacional para o negócio, dando pistas do interesse pelo segmento de alta frequência.30/03/2012

16 - TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO (TI) - IBM compra parte de empresa de Eike Batista. A IBM está comprando 20% da SIX, empresa de tecnologia do grupo EBX, de Eike Batista. A IBM teria fechado, também, um contrato de prestação de serviços com a SIX no valor de 1 bilhão de dólares por um período de dez anos. A SIX é descrita, pelo grupo EBX, como empresa voltada para soluções de automação industrial. A parceria entre a IBM e a empresa brasileira começou no ano passado. Em novembro, as duas companhias divulgaram, sem mencionar valores, um acordo estratégico para atuar nos setores de recursos naturais e infraestrutura. 31/03/2012

17 - SHOPPING CENTERS - BRMALLS anuncia venda de participação no Pantanal Shopping. BR MALLS Participações vendeu a participação de 10,0% do Pantanal Shopping, localizado em Cuiabá, MT por R$45,0 milhões, recebidos na presente data. A participação no Pantanal Shopping foi adquirida em 2007 pelo valor de R$10,5 milhões. Ao longo dos últimos anos a BRMALLS recebeu fluxo de caixa nominal equivalente a R$10,0 milhões. No ano de 2011 o NOI total do Pantanal Shopping foi de R$31,7 milhões e o NOI referente à participação da BRMALLS foi de R$3,2 milhões.31/03/2012


SUMÁRIO DOS DESTAQUES DO MÊS
FUSÕES E AQUISIÇÕES - DESTAQUES DA SEMANA DE 01 a 04/mar/12
FUSÕES E AQUISIÇÕES - DESTAQUES DA SEMANA DE 05 a 11/mar/12
FUSÕES E AQUISIÇÕES - DESTAQUES DA SEMANA DE 12 a 18/mar/12
FUSÕES E AQUISIÇÕES - DESTAQUES DA SEMANA DE 19 A 25/mar/12

A pesquisa FUSÕES E AQUISIÇÕES - DESTAQUES DA SEMANA tem o propósito de captar o “clima” do mercado das operações de Fusões e Aquisições bem como sinalizar sua principais tendências. Trata-se da consolidação das informações semanais coletadas pelo blog FUSOESAQUISICOES.BLOGSPOT visando tornar mais acessíveis e conhecidos os negócios de fusão, aquisição e venda realizados entre empresas com atuação no Brasil.

Os dados estão limitados às informações noticiadas pela imprensa e, sempre que possível, serão mencionados os nomes dos compradores – investidor estratégico ou fundos de private equity, dos vendedores, a tese de investimento e principais “value drivers”, o valor da transação, forma de pagamento, múltiplos praticados (Valor da Empresa/EBITDA, Valor da Empresa/Receita) etc.

02 abril 2012



Mitos sobre modelos de fusões e aquisições

Não é novidade ressaltar que fusões e aquisições, na maioria das vezes, são complicadas e, com demasiada frequência, falham miseravelmente porque os executivos não entendem o que eles estão realmente comprando. Muitos estudos concluem que tais negócios tendem a decepcionar e estimam que entre 50%e 80% não conseguem criar valor e muito menos atingir os resultados pretendidos.

Na maioria das vezes as decepções resultam de uma incapacidade de os executivos compreenderem os fundamentos do desenvolvimento do modelo de negócios. É de suma importância pensar estruturadamente sobre o modelo de negócio que se pretende construir a partir da união das partes envolvidas no processo. Espera-se que dois mais dois resulte em cinco ou mais e, para isso, pensar com carinho no modelo de negócios de cada parte e no negócio que deverá ser adotado e construído a partir da fusão é fundamental.

Tornar claro o modelo de negócios é um fator crítico de sucesso, pois com uma visão clara do mesmo pela organização, os indivíduos envolvidos não só entendem o que se pretende com a fusão e/ou aquisição e para onde a empresa está indo, mas também torna os gestores mais capazes de se comunicarem, aproveitarem as oportunidades significativas de sinergias previstas e alcançarem os resultados desejados.

É fundamental, inclusive, que essa clareza permeie todos os níveis da organização, já que todos deverão estar alinhados com o objetivo pretendido. Não são poucos os exemplos em que as cúpulas de gestão das organizações envolvidas estavam alinhadas mas a falta de entendimento dos demais níveis levaram o projeto como um todo ao fracasso.

Ser capaz de identificar tais modelos de negócio antes e durante o ciclo de M&A (Merger & Acquisitions) será um diferencial importante entre os vencedores e os perdedores. Nesse sentido, fazer a Modelagem de Negócios usando a ferramenta/quadro pode ser útil na pré-fusão/aquisição e pós-fusão/aquisição (As-is and To-be) para definir, comunicar e acompanhar os benefícios e sinergias do negócio. Num modelo de negócios, devemos considerar a proposição de valor oferecida aos segmentos de clientes, por meio dos canais de comunicação, venda e distribuição e do relacionamento com os clientes que geram as receitas que a empresa necessita, sendo que este valor para o cliente é gerado via atividades-chave, que empregam recursos-chave que estão a cargo da empresa e de suas parcerias-chave, que geram os custos do negócio.

Um bom momento para identificar os modelos de negócio é durante a due diligence, que é uma análise detalhada de uma potencial fusão ou aquisição. Este tipo de auditoria analisa todos os aspectos da empresa a ser adquirida e considera todos os produtos, serviços e pagamentos, ecossistema de clientes, fornecedores e parceiros tanto quanto contabilidade e controles de gestão. Além disso, temos a análise jurídica e a cultural, relacionada com a integração. Os resultados de tal auditoria de avaliação da empresa-alvo incluem listas de oportunidades e riscos com a fusão ou aquisição, formas de mitigação dos riscos e fatores críticos de sucesso que facilitam a tomada de decisão.

As empresas buscam constantemente novas oportunidades decrescimento, mas nem sempre o crescimento orgânico é a aposta certa. Isto porque mesmo que a inovação do modelo de negócio seja um caminho poderoso para o crescimento sustentado e robusto, novos negócios podem levar anos para amadurecer. As habilidades necessárias para conceber e incubar tais negócios apresentam desafios que muitas empresas têm dificuldade de superar. Empresas grandes têm dificuldade de fazer investimentos em inovação, principalmente porque as pessoas dentro delas muitas vezes não conseguem ver o valor de uma idéia nova e por isso não apóiam e não alocam os recursos que a nova iniciativa necessita para obter sucesso.

Embora seja importante incentivar a inovação para o desenvolvimento de novos modelos de negócios dentro das organizações, isto não significa que não devam procurar alcançar um crescimento de transformação e exploração de oportunidades por meio de fusões e aquisições. Construção de modelos em casa não é a única opção para empresas que buscam crescimento transformacional. As corporações podem transformar seus modelos de negócios por meio de fusões e aquisições também.

Vejamos alguns objetivos para Fusões e/ou Aquisições que buscam vantagens relacionadas com receita, tempo, custos, clientes, produtos e mercado:
  • Aumentar receitas e acelerar o tempo necessário para colocar inovações no mercado;
  • Diminuir custo com investimentos em inovação;
  • Adquirir novos clientes;
  • Acessar novos centros de compra;
  • Incrementar vendas de produtos existentes (upsell) e fornecer novos produtos;
  • Aumentar o portfólio de produtos;
  • Consolidar mercados e/ou aumentar a fatia de mercado da empresa.
Quando uma empresa compra outra empresa (e não apenas os ativos desta segunda), o que ela realmente compra é o modelo de negócios da empresa-alvo, ou seja, a sua proposição de valor ao cliente, a sua fórmula de lucro, seus recursos e seus processos. Os recursos da nova empresa podem ser atrelados ao núcleo da empresa compradora, mas novos modelos de negócios resistem a essa integração.

Consequentemente, as aquisições bem-sucedidas tendem a cair em um dos seguintes campos. O adquirente pode comprar uma empresa exclusivamente para aproveitar seus recursos, que seriam, em seguida, agregado sem seu modelo de negócios, alijando o resto. Alternativamente, uma empresa pode adquirir um modelo de negócios distinto do seu núcleo, e neste caso precisa mantê-lo separado, mas pode – é claro – reforçá-lo, injetando nele seus próprios recursos.

Muitas vezes, tentar incluir um negócio adquirido no núcleo pode matar o que o tornou único. Por exemplo, uma empresa que, impulsionada pela expectativa dos investidores, com custos de desenvolvimento em ascensão e uma tendência de consolidação da indústria, comprou agressivamente pequenas empresas lideradas por equipes criativas que encontraram o sucesso no mercado. E, para se beneficiar de economias de escala previstas, construiu uma infraestrutura técnica padronizada e impôs processos de produção simplificados em suas novas aquisições. Os resultados foram terríveis. A empresa caiu em um padrão de produção medíocre, pois forçando equipes criativas a seguirem os processos centrais estava matando seu espírito inovador. Felizmente, o CEO viu isso a tempo e anunciou uma mudança radical nas operações, com estúdios criativos independentes dentro da estrutura corporativa.

A maioria dos princípios que regem a incubação, aceleração e transição de modelos caseiros de novos negócios também se aplicam aos negócios adquiridos. Igualmente importante é a capacidade de liderança para permitir que um modelo de negócios recém adquirido obtenha o que precisa a partir do núcleo, em vez de ter os elementos do modelo de núcleo os conduzindo.

Uma empresa recém adquirida, com base em um modelo distinto do núcleo, deve decidir o que ela pode tomar emprestado da empresa compradora, o que deve esquecer e o que vai fazer ou aprender que é completamente novo. A chave para entender o que esquecer e o que aprender reside no modelo de negócio. Procure entender, por completo, tanto o seu próprio modelo de negócio, o modelo da nova empresa e o modelo de negócio alvo, pois essa visão evitará que você jogue fora a coisa mais valiosa que você comprou e que vai ajudar a sua empresa crescer.

Ou seja, é preciso ser humilde e ter cabeça aberta no momento de pensar a forma correta de estruturação de uma operação de fusão ou aquisição. Acreditar que somente os ganhos de escala poderão garantir o sucesso do negócio pode ser fatal. Assim como imaginar que a empresa adquirente, por ocupar tal posição no processo, deva ser necessariamente aquela cujo modelo se sobressai ao final do processo. Na maioria dos casos, o resultado almejado só será atingido se as “verdades” de cada instituição envolvida no processo puderem ser amplamente questionadas, sem medos ou filtros. Por Nei Grando e José Ricardo de Bastos Martins são, respectivamente, empresário especialista em gestão e tecnologia e sócio do Peixoto e Cury Advogados
Fonte:ultimainstancia28/03/2012



Fusões mudam a cara da bolsa

Quem comprou ações da Abyara em sua estreia na bolsa em julho de 2006, três anos depois passou a ser acionista não só da companhia, mas também de Klabin Segall e Agra, que se uniram na Agre Empreendimentos Imobiliários. Passados oito meses, esse mesmo investidor se tornou sócio da PDG depois que a empresa comprou a Agre.
Por conta de operações como essas, de uma lista de 147 empresas que, de 2004 a 2011, chegaram à bolsa, 57, ou 39% delas, não existem mais atualmente na forma original. Basicamente, elas se engajaram em algum tipo de atividade de consolidação: lideraram ou foram alvos de operações de fusões e aquisições.

A conclusão é de levantamento feito pelo banco Credit Suisse, que inclui também companhias que não fizeram exatamente uma abertura de capital, como Rossi Residencial, Cyrela e Drogasil, mas que tinham quantidade pequena de ações em circulação e falta de avaliação adequada.

"Tecnicamente essas companhias não fizeram ofertas iniciais de ações. Mas nós consideramos nesse levantamento qualquer empresa que fez nesse período uma oferta que [estabeleceu] uma nova faixa de preço", diz José Olympio Pereira, corresponsável pelo banco de investimento Credit Suisse no Brasil.

"As aberturas de capital ensejaram uma grande atividade de fusões e aquisições no país, uma vez que quase 40% das novatas participaram dessas operações", diz. O executivo comenta que essas companhias, além de usarem a bolsa para captar recursos e crescer via aquisições, puderam usar suas ações como moeda.
"Quando Bovespa e BM&F se uniram, fizeram via troca de ações. O mesmo ocorreu quando a PDG ficou com a Agre."

As 147 operações movimentaram R$ 128,3 bilhões. Isolando as 57 empresas que passaram por transformações significativas, que incluem também compras de empresas fechadas, 36 (63%) comandaram aquisições e se mantiveram abertas; 17 (30%) foram adquiridas e continuaram na bolsa, e apenas quatro foram compradas e deslistadas.
A maior fatia desses recursos foi captada pelo setor financeiro, com R$ 34,5 bilhões (27%) em 19 transações - aqui estão ofertas grandes, como Santander (R$ 13,2 bilhões) e Visanet (R$ 8,4 bilhões).

O segundo maior volume foi para o segmento imobiliário, com R$ 14,4 milhões, mas esse foi o líder em número de operações - 26 ou 18% do total. Foram essas companhias que concentraram também o maior número de fusões e aquisições, 11.
"Era de se esperar que o setor que lançou mais empresas fosse também aquele que reunisse o maior número de transações", diz Olympio Pereira, reforçando que, com as ofertas, o segmento imobiliário ganhou peso significativo na bolsa brasileira.

A chegada de 90 companhias correspondeu à inauguração de 21 novos setores na bolsa, incluindo o imobiliário. Depois dele, os mais numerosos foram: saúde, com oito representantes, que captaram R$ 11 bilhões; shopping e agronegócios, com seis empresas cada um; tecnologia e educação, com cinco cada um.

No setor de construção, Rossi, Gafisa, Brascan, Lopes, PDG, Brasil Brokers se destacaram na ponta compradora. O segmento conta ainda com uma companhia que, espontaneamente quer fechar capital, a Camargo Correa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI). Da amostra de 147 empresas utilizada pelo Credit, além de CCDI, a UOL fechou o capital e a Redecard está com oferta em andamento. "Apenas 3 empresas, ou 2% do total, fizeram essa operação. Um número bastante pequeno", diz Olympio Pereira. Por Ana Paula Ragazzi
Fonte:Valor02/04/2012



Petrobras pode comprar única refinaria privada do país

Única refinaria privada de petróleo do país, Manguinhos, no Rio de Janeiro, quer se tornar uma estatal.

Seu controlador, o Grupo Andrade Magno, mantém negociação com a Petrobras.
Consultadas, as empresas não quiseram comentar.
A Folha apurou que o bilionário Eike Batista também teria feito uma proposta recente, mas Ricardo Andrade Magno não aceitou.

EBX e OGX, empresas de Eike Batista, negaram ter feito propostas.
As conversas com a Petrobras avançam, mas os controladores da refinaria querem "valorizar a companhia" antes de vendê-la. Querem passá-la à Petrobras por algo entre R$ 2,50 e R$ 3 por ação, uma transação que exigiria no mínimo, R$ 2 bilhões. Hoje, os papéis de Manguinhos são negociados na Bovespa a cerca de R$ 1,26.

Para os analistas, esse prêmio pode ser considerado elevado, mas, em três anos, ele tende a diminuir devido ao plano de investimento da companhia em curso.

Hoje, grande parte da receita (90%) de Manguinhos provém do refino. A meta é reduzir essa participação para menos da metade e investir em armazenagem e tratamento de petróleo.

Ou seja: transformar Manguinhos em uma empresa de logística, que sirva de apoio às companhias que estiverem explorando petróleo no pré-sal do Rio de Janeiro.

Em março, a refinaria informou ter encontrado uma "possibilidade de aumentar sua capacidade de tancagem [estoque]". Passaria do atual 1,7 milhão de barris para 6,5 milhões em até três anos.

A Folha apurou que essa "possibilidade" é a compra de um navio-tanque que ficaria em alto-mar.

Com esse plano, Manguinhos teria o segundo maior parque de tratamento de petróleo do país e o segundo maior parque de armazenagem (tancagem).

Resultado: uma perspectiva de aumento anual de receita de, no mínimo, US$ 500 milhões e alta considerável das ações no período.

Antecedentes

A refinaria foi inaugurada em 1954 com capacidade de produção de 10 mil barris por dia. Na ocasião, atendia 90% do consumo diário da cidade do Rio de Janeiro.

Sua capacidade subiu para 15 mil barris por dia e, em 1998, a argentina YPF passou a dividir o controle da companhia com o Grupo Peixoto de Castro.

Endividada, Manguinhos entrou em um programa de recuperação judicial em 2008. Naquele ano, a refinaria foi vendida para o Grupo Andrade Magno, que também adquiriu as subsidiárias Manguinhos Química e Manguinhos Distribuidora.

Associados a investidores estrangeiros, os novos controladores renegociaram as dívidas com os credores e deram início à rodada de investimentos.

Em julho de 2011, a companhia suspendeu a recuperação judicial.
Agora, o plano de investimento chegou ao limite e os controladores preparam a companhia para a venda. Por Julio Wiziack e Agnaldo Brito
Fonte:Folha01/04/2012



Dell anuncia aquisição da Wyse Technology

A Dell anunciou hoje um acordo para a aquisição da Wyse Technology, companhia americana que fornece tecnologias dentro dos conceitos de computação em nuvem e virtualização, com destaque para os chamados “thin clients”, ou terminais magros, como são conhecidos no Brasil. Esses equipamentos também conhecidos como computadores virtuais fazem às vezes de um desktop (micro de mesa), com a diferença de que a maior parte das suas tarefas de processamento e armazenagem fica a cargo de um servidor central.

Os termos financeiros do acordo não foram revelados. Segundo a Dell, a aquisição irá expandir seu portfólio de virtualização de desktops e oferecer novas oportunidades de negócios e serviços no mercado empresarial.

Com sede em San Jose, na Califórnia, a Wyse foi fundada em 1981 e tem atuação em mais de 50 países em todo o mundo, incluindo o Brasil. A expectativa é de que a negociação seja concluída no segundo trimestre do ano fiscal 2013 da Dell.

Essa é a segunda aquisição que a empresa anuncia em menos de um mês. Há pouco mais de duas semanas, a fabricante divulgou um acordo para a compra da SonicWALL, empresa de segurança da informação. Segundo a imprensa especializada nos Estados Unidos, a transação envolveu a cifra de US$ 1,2 bilhão. Por Moacir Drska
Fonte:Valor02/04/2012



Centrais de álcool voltam para as mãos de grandes grupos

Negócios que eram dirigidos por familiares são vendidos para empresas por falta de recursos e infraestrutura

As usinas do interior de São Paulo podem estar voltando a viver um movimento semelhante ao da década de 1980. Na década de 70, no início do programa do governo federal Proálcool pecuaristas e produtores rurais se uniram em cooperativas e sociedades para montar as destilarias e usinas de álcool.

Com o passar dos anos, essas empresas foram se concentrando nas mãos de poucos donos a partir da compra de ações dos acionistas minoritários. Foi assim que muitas usinas ficaram sob domínio de grupos familiares. Agora, essas famílias, por endividamento da empresa ou na tentativa de ampliar o negócio, repassam as suas usinas para grandes os grupos - que já são os detentores da maioria das ações.

A família de Cicero Junqueira Franco, um dos pais do Proálcool, é uma delas. Uma das usinas da família, da Pioneiros, de Sud Mennucci, foi incorporada pelo grupo Santa Adélia, de Jaboticabal, numa troca de ações com objetivo de sanar uma dívida total de R$ 300 milhões dos dois grupos. "Mas no nosso caso, estamos nos unindo a um grupo nacional e fizemos isso também para aumentar a escala", diz Celso Torquato Junqueira Franco, filho de Cícero, e presidente da União dos Produtores de Bionergia (Udop)

Celso esclarece que não é apena por conta do endividamento que os usineiros colocam as empresas à venda. "Isso também é causado por outros fatores, como composição societária e procura de oportunidades", explica ele.

Mas nos últimos anos, segundo conta Franco, a falta de investimento nos canaviais, os problemas climáticos, o aumento dos custos de produção, além da falta de políticas públicas para o setor sucroalcooleiro contribuíram para o endividamento das empresas.
Fonte:OEstadodeSP02/04/2012



Endividamento leva usinas à venda

Na região Centro-Sul, pelo menos um terço das 360 usinas enfrenta dificuldades para quitar financiamentos de safras passadas

Com a crise no setor sucroenergético, usinas endividadas estão sendo colocadas à venda para acertar as contas com bancos. Na região Centro-Sul, pelo menos um terço das 360 usinas enfrenta dificuldades para quitar financiamentos de safras passadas, estima a União da Indústria da Cana (Unica).

Em São Paulo, maior produtor de etanol do País, corretores informam que entre 30 e 40 unidades - ou 20% das 180 usinas do estado - estão nas carteiras de venda ou esperam acordos para fusões, parcerias ou incorporações, numa tentativa desesperada de continuar na ativa. Atingida na ponta da cadeia, a indústria de base demite e reduz faturamento por falta de investidores para novas usinas.

Segundo Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica, as intempéries climáticas, o aumento dos custos de produção e a volatilidade de preços do etanol levaram as usinas à situação atual. Nesse cenário, mesmo grupos que não chegaram a colocar ativos à venda, estão enfrentando dificuldades financeiras.

"Por falta de pagamento de dívidas anteriores ou falta de bens para garantia, os bancos não aceitam conceder novos financiamentos para essas empresas", afirma Pádua. Sem garantias, as empresas não têm como fazer novos financiamentos para tocar atividade, seja no campo, com a renovação dos canaviais e tratos culturais das plantações, ou na indústria, com a manutenção dos equipamentos e estocagem da produção. "Algumas dessas usinas também enfrentam problemas societários, por isso, os donos as colocaram à venda", esclarece Pádua.

Além das usinas, dezenas de projetos de novas unidades, especialmente nos estados do Centro-Oeste, também foram colocados à venda. A reportagem constatou que pelo menos 10 destes projetos estão sendo oferecidos por corretores de São Paulo, mas assim como no caso das unidades físicas, não há interessados. "Além da crise no setor, o valor das dívidas é maior que o patrimônio líquido dos imóveis, afastando compradores. Se não há interessados pelas usinas, imagine para os projetos", diz Atílio Benedini, dono de uma das maiores corretoras rurais da região de Ribeirão Preto.

Na semana passada, a carteira de Benedini contava com 12 usinas e 10 destilarias à venda, além de quatro projetos de novas unidades em São Paulo, dois no Mato Grosso do Sul e dois em Goiás. A falta de compradores também se deve ao valor das usinas, cerca de US$ 100 por tonelada de cana instalada. "Os investidores acham que é muito alto", afirma Benedini.

E há um excesso de ofertas no mercado. "Um investidor me disse que tem uma carteira com38 usinas colocadas à venda, mas também existe cautela porque a situação no setor é considerada e risco ainda", diz Benedini.

"Eu diria que há mais de 40 usinas sendo negociadas neste momento", garante o corretor Roberto Barrancos, da região de Araçatuba, que atua na comercialização de grandes usinas.

Mas há também quem esteja atrás de novas oportunidades, garante o corretor Wilson Lucas, de Marília, que tem 33 usinas listadas em seu site de comercialização, 17 delas de grande porte. "São proprietários que possuem dívidas com bancos, mas nenhuma está sendo colocada à venda por causa disso. Eles estão atrás de oportunidades", diz. Segundo ele, essas oportunidades seriam potenciais compradores estrangeiros -95% do total -, principalmente da China, Estados Unidos e Índia, e alguns da América Central, Venezuela e países Árabes.

Negociações. Nem corretores nem usineiros revelam os nomes das empresas, mas elas variam de pequenas a grandes projetos, dos mais variados tipos de proprietários. Como a usina Itamarati, na região de Cuiabá (MT), que chegou a ser a maior usina do País e foi colocada à venda nesta semana pela proprietária, Ana Cláudia de Moraes, filha do ex-rei da soja, Olacyr de Moraes. Na safra passada, a usina, que tem capacidade para 6,3 milhões de toneladas de cana, processou 4,4 milhões de toneladas - a previsão é 5,2 milhões de toneladas na safra 2012/2013-, mas dívidas de R$ 1,5 bilhão com fornecedores, tributos e bancos não puderam ser renegociadas. O banco norte-americano J.P. Morgan estaria acompanhando a negociação dos ativos.

Outras duas grandes usinas colocadas à venda, em São Paulo, seriam a São Luiz, em Pirassununga, e São João, em São João da Boa Vista, do grupo espanhol Albengoa Bioenergia, que não teria ficado satisfeito com os resultados das empresas, adquiridas da Dedini Agro, em 2007. Os espanhóis pagaram pelas usinas US$ 297 milhões e assumiram outros US$ 387 milhões em dívidas. A expectativa do grupo era processar 7,2 milhões de toneladas, mas processou cerca de 4,5 milhões na safra passada. Além de problemas na administração das duas unidades e um resultado negativo de R$ 50 milhões em 2010, empréstimos de R$ 450 milhões levaram o grupo a decidir por se desfazer das duas usinas. O banco Credit Suisse assessora a negociação.

Usinas paradas. Sem compradores, a alternativa das usinas é paralisar as atividades, "Temos informações de que até agora ao menos oito unidades vão parar nesta safra", afirma o presidente da União dos Produtores de Bionergia (Udop), Celso Torquato de Junqueira Franco. No dia 13, a Força Sindical divulgou uma lista com 24 usinas que deixariam de moer na safra 2012/13, número contestado pela Unica.

No Paraná, a situação é pior, das 30 usinas do estado, dez por cento delas, três unidades (Corol, Casquel, e Goioerê) deixarão de moer, informa o superintendente da Associação dos Produtores de Alcool e Açúcar do Paraná (Alcopar), Adriano da Silva Dias. O estado do Paraná, que chegou a ser o segundo maior produtor do País, caiu para quarto. "A falta de renovação dos canaviais, as intempéries climáticas, somados aos altos custos operacionais e a incerteza da atividade, levam o produtor a desistir da atividade", afirma Dias.

Segundo ele, além da crise, o estado do Paraná é vítima da guerra fiscal. "Hoje o etanol produzido no Mato Grosso Sul é entregue aqui a preços mais baixos que o produzido em nosso estado", afirma Dias. "Talvez por isso, dos 2 bilhões de litros produzidos naquele estado, apenas 300 mil são consumidos por lá", completa.

Matriz energética. O problema, segundo os usineiros, está na falta da capacidade do governo em definir o papel do etanol na matriz energética brasileira. "Enquanto não houver uma política clara, de longo prazo, estabelecendo regras e critérios para o etanol na matriz energética, não haverá como acabar com essa crise", afirma o diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues. Segundo ele, Unica e governo estão retomando os diálogos para entendimento neste sentido. "Houve mudanças internas na Unica para facilitar esse entendimento, que deve ser feito, pelo lado do governo, possivelmente pela Casa Civil", diz.

"É preciso que o etanol tenha as mesmas condições de concorrência da gasolina, que ficou por seis anos sem reajuste", afirma Celso Junqueira Franco, presidente da Udop. "É preciso que o governo defina a participação do etanol na matriz energética, estabelecendo mecanismos para que o setor possa direcionar seus investimentos e continue a crescer", completa. Dias, da Alcopar, concorda. "Nenhum produtor consegue sobreviver com a perda de competitividade do etanol para a gasolina". Por CHICO SIQUEIRA
Fonte:OEstadodeSPaulo02/04/2012



Em sociedade com fundos, Bolognesi compra a Multiner

O grupo gaúcho Bolognesi, originalmente do ramo imobiliário, anuncia hoje a compra do controle acionário da Multiner Energia, empresa que possui concessões para construir e operar aproximadamente 1.305 megawatts (MW) em usinas termelétricas a óleo e usinas eólicas. O Bolognesi comprou 55% da Multiner e os 45% restantes ficarão com um Fundo de Investimentos em Participações (FIP) formado por oito fundações de previdência privada encabeçadas pela Petros (Petrobras), Funcef (Caixa Econômica Federal) e Postalis (Correios) que já era acionista da empresa (cerca de 20%).

O valor da compra não foi revelado. Segundo Ronaldo Bolognesi, controlador do grupo gaúcho, os aportes na empresa, rebatizada de Nova Multiner, somarão R$ 1,029 bilhão, sendo R$ 637 milhões do Bolognesi e R$ 392 milhões dos fundos de pensão. A parte do grupo controlador será formada por cerca de R$ 300 milhões em dinheiro e o restante em ativos que serão duas termelétricas, uma em Goiás, já operando, e outra em Pernambuco, em construção.

Os novos donos da empresa terão que, já a partir de hoje, negociar com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o destino de três das sete concessões da Multiner que estão para serem cassadas pela agência por atraso na entrega da energia vendida em leilões a partir de 2007. "Se conseguirmos que se possa entregar (a energia) em um prazo razoável e com penalidades factíveis, a gente vai construir", disse Bolognesi a respeito das três termelétricas cujas obras ainda não foram ao menos iniciadas.

Segundo o empresário, as projeções feitas antes da concretização da compra incluem tanto a conclusão das três usinas como o abandono dos projetos. As usinas Itapebi (146 MW) e Monte Pascoal (145 MW), ambas no Nordeste, deveriam estar prontas e gerando energia desde 2010. Já a Pernambuco 4 (200,8 MW) deveria ter começado a gerar no ano passado. Ainda no ano passado chegou a ser divulgado que a Multiner, que tinha o empresário José Augusto dos Santos, do ramo de shopping centers, como um dos principais acionistas, seria comprada pela CPFL.

O grupo Bolognesi vai passar para os ativos da Nova Multiner as térmicas Palmeiras de Goiás (178 MW), já em operação, e da Pernambuco 3 (200 MW), em construção, totalizando 378 MW de potência instalada. A Multiner possui outorga para construir e operar as térmicas Santa Rita de Cássia (174,6 MW), Termopower 5 e Termopower 6, estas com capacidade para 200,8 MW cada. Todas essas concessões são no Nordeste e para geração a óleo.

Bolognesi disse que as usinas a serem construídas terão a possibilidade de flexibilização para o uso de gás no futuro. A entrada do seu grupo na área de termelétricas, em 2001, foi pela via da aquisição de um projeto para construir um terminal de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) acoplado a uma térmica a gás em Rio Grande (RS). O projeto em seu formato original não prosperou porque foi considerado inviável economicamente com os preços da energia praticados no mercado.

Além das seis térmicas do Nordeste, o portfólio da Multiner inclui a térmica Cristiano Rocha (85,4 MW) em Manaus, que está sendo convertida de óleo para gás, e o Parque Eólico Alegria, totalizando 151,8 MW, operando parcialmente.

De acordo com Bolognesi, o grupo que controla possui ainda sete pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), totalizando mais de 200 MW e tem forte atuação no programa Minha Casa, Minha Vida, além de atuar em concessões rodoviárias e na construção pesada. No ano passado faturou cerca de R$ 500 milhões e cresce a uma média de 25% ao ano, segundo o empresário. Por Chico Santos
Fonte:ValorEconômico02/04/2012



A revolução do Big Data

Apesar da queda na taxa básica de juros, a Selic, nos últimos anos, os bancos estão aumentando suas margens de lucro nas operações de crédito. Levantamento da consultoria Austin Rating mostra que o ganho já chega a 33%.

Nova fronteira de mercado, tecnologia de análise extrema com cruzamento de dados já movimenta US$ 70 bi

Você vai ao mercado com o objetivo de comprar apenas o que falta para o jantar e, ao passar pelo corredor de produtos de higiene, seu celular o surpreende com uma mensagem. O remetente é a própria varejista, que deseja chamar sua atenção para o desodorante em promoção na prateleira ali do lado. O SMS não diz, mas a rede sabe que o seu estoque do produto está mesmo no fim e que, há duas semanas, você escreveu no Facebook o quanto gostava da marca. Se a precisão da mensagem lhe é espantosa, prepare-se: a tecnologia que cruza dados dessa forma já existe, representa um mercado direto estimado em US$ 70 bilhões e está invadindo empresas e governos no Brasil e no mundo — o que deve elevar à enésima potência a possibilidade de ganhos com o uso dessas informações. A promessa é de revolução em várias áreas da economia e até na ciência — além de uma renovada discussão sobre privacidade.

Trata-se do Big Data, termo de mercado para o conjunto de soluções que analisa informações em variedade, volume e velocidade inéditos até hoje. Ferramentas desse tipo surgiram no fim da década passada, mas este ano o conceito extrapolou de vez os limites da academia e dos setores de TI. Isso porque o preço para armazenamento de dados está despencando e diversas ferramentas baratas ou gratuitas para lidar com tamanho volume informações estão surgindo.

O uso dessa nova tecnologia tem vasta abrangência. No último Fórum Econômico Mundial, em Davos, foi publicado um estudo mostrando como o Big Data pode ser uma arma contra problemas socioeconômicos. E até Brad Pitt tem contribuído para sua popularização: o filme "Moneyball (O Homem que mudou o jogo)", que protagoniza, conta a história da mais famosa aplicação do conceito: o gerente de um time de beisebol que usa o Big Data para reunir um elenco de primeira linha sem gastar muito.

"Pré-sal existe por causa do Big Data"

O executivo de operações da EMC, Pat Gelsinger, diz que o mercado global de Big Data já movimenta US$ 70 bilhões por ano — sem contar inestimáveis ganhos nos negócios. A consultoria IDC estima que o segmento crescerá quase 40% ao ano entre 2010 e 2015, mas considera um patamar de US$16,9 bilhões ao fim desse período. A tecnologia envolve tanto dinheiro porque soluciona um problema inadiável para a economia, o da quantidade de dados digitais. O volume deve crescer do atual 1,8 zettabyte para 7,9 zettabytes em 2015, prevê a IDC. Zettabyte equivale a um trilhão de gigabytes.

A centelha dessa revolução é a proliferação de plataformas que geram dados como nunca. São celulares, GPS, redes sociais, câmeras e sensores dos mais diversos tipos. Grande parte da informação gerada é classificada de não-estruturada: ou seja, não é facilmente computável, costuma ser criada pelo ser humano, não por máquina. Até pouco tempo, essa informação só podia ser compreendida por pessoas. Com o Big Data, as máquinas aprendem a lê-la. Essa é, nas palavras de especialistas, a beleza do conceito.

— Nos últimos 50 anos, a evolução do mercado de TI se deu apenas no "T" da sigla, a tecnologia. Com o Big Data, é chegada a hora de o "I", de inteligência, guiar o avanço — afirmou Alexandre Kazuki, diretor de marketing da divisão da HP Brasil que cuida de Big Data.

Se o Big Data está dando os primeiros passos no mundo, a tecnologia ainda engatinha no Brasil, na avaliação de Kátia Vaskys, diretora de Bussiness Analytics da IBM. Ela cita a forma como a maioria das empresas brasileiras monitora suas marcas nas redes sociais:

— Aqui costuma-se contratar um time de estagiários para isso. Isso é basear a estratégia de marketing na intuição, mas não há intuição que resista a tanta informação! Há uma ferramenta tecnológica para fazer isso com muito mais precisão e em tempo real.

A aplicação por aqui está restrita a setores como varejo, financeiro (análise de risco), telecomunicações e petrolífero, mas começa a chegar à mídia.

A Renner usa o Big Data para monitorar em tempo real o fluxo de mercadorias da loja ao cruzar dados de localização GPS dos caminhões dos fornecedores com os níveis dos estoques, contou o diretor de TI Leandro Balbinot. A rede também acompanha a aceitação dos produtos nas redes sociais. E já imagina outros usos, como a possibilidade de reorganizar uma loja com base em dados meteorológicos. Exemplo: se, nas últimas chuvas, os clientes compraram mais calças ou acessórios, a rede pode dar destaque a esses itens quando os primeiros pingos caírem.

— Apesar de o uso no Brasil ainda ser pouco maduro, a expectativa é enorme. Temos um dos principais mercados de internet no mundo, sobretudo de redes sociais, o que é crucial para a adesão ao Big Data — observou Maurício Prado, gerente geral de servidores da Microsoft Brasil.

— Só sabemos que o pré-sal existe por causa do Big Data e da economia da nuvem — resumiu Patrícia Florissi, CTO da EMC para as Américas.

Isso porque a tecnologia agiliza o processamento de dados sísmicos captados pelas sondas que procuram petróleo no fundo do mar. Como são milhões as variáveis, o trabalho exige intermináveis simulações de imagens, e só o Big Data é capaz de dar conta do trabalho em um tempo razoável.

Visando a esse mercado, a gigante EMC está construindo no Parque Tecnológico do Fundão um centro de pesquisas totalmente dedicado ao uso de Big Data para a indústria do petróleo. Ele ficará pronto em no máximo dois anos e empregará 35 pesquisadores. A companhia vai investir R$ 100 milhões no país nos próximos quatro anos.

Polícia chega antes do crime

Há também iniciativas brasileiras na seara governamental, aceleradas pela proximidade da Lei de Acesso à Informação, que entra em vigor em maio. Uma parceria do Ministério do Planejamento, do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e da PUC Rio disponibilizou na web dados abertos dos mandatos do governo Lula.

A massificação do Big Data, porém, enfrenta obstáculos. O maior deles é com a privacidade. Mas, para Karin Breitman, da PUC-Rio, os cientistas não devem "censurar" pesquisas:

— É uma questão ética. Cabe à sociedade impor limites à aplicação da ciência e da tecnologia, mas os pesquisadores precisam trabalhar na ponta.

Outro problema é a escassez de profissionais com habilidades em matemática, estatística e computação. O Big Data levou as empresas a uma disputa frenética por esse perfil e tornou a IBM a maior empregadora de matemáticos PhDs no mundo. O instituto McKinsey prevê que faltarão até 190 mil desses profissionais em 2018 nos EUA.

— Já há carência desse profissional no Brasil. Se houver uma explosão do Big Data, teremos problemas — advertiu Kazuki, da HP.

Apesar dos desafios, a expectativa é enorme. A "Economist" escreveu que o Big Data pode transformar modelos de negócio de empresas centenárias. A RollsRoyce, cita, deixaria de vender turbinas para alugá-las, cobrando pelo uso. Sensores e o histórico do cliente dariam o preço.

Patrícia Florissi, da EMC, diz que ainda é incipiente o uso da presciência da tecnologia. Por exemplo: como são capazes de entender imagens, softwares de Big Data poderiam monitorar as câmeras de uma cidade e acionar a polícia antes de um crime acontecer com base em padrões que antecedem assaltos e assassinatos. Sairíamos de "Moneyball" para cair em "Minority Report" — com os prós e contras disso. Por Rennan Setti
Fonte:OGlobo02/04/2012



Locamerica pode movimentar até R$ 573,2 milhões em IPO

A Companhia de Locação das Américas (Locamerica), que atua no segmento de locação de veículos, divulgou hoje mais detalhes sobre sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). A operação pode movimentar até R$ 573,25 milhões, caso sejam ofertados todos os lotes previstos, pelo teto do preço sugerido por ação.

A oferta será mista. O montante captado na oferta primária (aquela em que os recursos vão para a empresa) será destinado à expansão e renovação da frota e para reforço do capital de giro. Por meio da oferta secundária, a BV Empreendimentos e Participações, do grupo Votorantim, vai se desfazer de parte de sua participação da companhia, que é atualmente de 34,6%.

Conforme o cronograma da oferta, hoje terá início o processo de coleta de intenções de investimento com potenciais investidores (bookbuilding). O período de reserva das ações vai de 10 de abril a 17 de abril, e o preço por papel será definido no dia seguinte. O intervalo de preço sugerido por ação vai de R$ 11 a R$ 14, podendo ficar abaixo ou acima dessa faixa.

A estreia dos papéis da companhia no Novo Mercado da BM&FBovespa está prevista para 20 de abril. As ações serão negociadas sob o código LCAM3.

A oferta tem como coordenador líder o Itaú BBA, que atua em parceria com o BTG Pactual, Bank of America Merrill Lynch, Banco Votorantim e BB Investimentos.

A Locamerica solicitou registro de companhia aberta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em outubro do ano passado. Fundada em 1993, em Belo Horizonte, a empresa está presente hoje em 12 Estados e tem sua frota composta por 27,2 mil veículos. Com foco no segmento de terceirização de frotas para empresas, a companhia se apresenta como a segunda maior do setor no país.

O segmento de locação de veículos é atualmente representado na BM&FBovespa pela Localiza, que estreou na bolsa paulista em 2005. Por Ana Luísa Westphalen
Fobte:Valor02/04/2012



Coty faz oferta de US$ 10 bilhões pela Avon

A Coty, companhia francesa de perfumaria, apresentou hoje uma proposta de compra da Avon por US$ 23,25 por ação em dinheiro, avaliada em US$ 10 bilhões. A possibilidade de que a venda seja fechada fez com que as ações da Avon subissem 26% nas negociações antes da abertura do mercado e alcançassem US$ 24,25.

Em comunicado, a Avon rejeitou a oferta e afirmou se tratar de uma proposta "oportunista e não atender aos interesses dos acionistas".

A Coty informou que decidiu tornar a oferta pública após diversas tentativas de negociar com a companhia de cosméticos. E afirmou ainda não ter a intenção de realizar uma oferta hostil pela fabricante de cosméticos.

Fundada em 1904, a Coty obteve US$ 4,1 bilhões em vendas no ano fiscal encerrado em 30 de junho de 2011. A empresa está presente em 135 mercados e possui escritórios em 30 países. No portfólio da empresa estão perfumes assinados por Calvin Klein, David e Victoria Beckham e Beyoncé.

A Avon, que atua em mais de 100 países por meio de 6,5 milhões de consultoras, viu suas ações recuarem 45% em 2011. No ano passado, as vendas da companhia somaram mais de US$ 11 bilhões, mas a empresa apresentou prejuízo na operação global e queda de 6% nas vendas no Brasil no último trimestre. Por Letícia Casado
Fonte:Valor02/04/2012



01 abril 2012

Diageo contrata Goldman e HSBC para negociar compra da José Cuervo

A Diageo, maior fabricante mundial de bebidas alcoólicas, contratou o Goldman Sachs e o HSBC Holdings como consultores para a aquisição do controle da José Cuervo, informaram fontes familiarizadas com o negócio.

A José Cuervo, de propriedade da família mexicana Beckmann, deve ser avaliada em mais de US$ 3 bilhões e os acionistas da família devem receber dinheiro ou ações da Diageo como parte do negócio, informaram as fontes.

A Diageo, fabricante do Johnnie Walker e da vodca Smirnoff, tem a opção de comprar a companhia por causa de seu direito de distribuição internacional da marca Cuervo, disse em maio passado uma pessoa com conhecimento das negociações. O acordo da Diageo para distribuir a marca Cuervo fora do México vence em 2013.

As negociações entre a Diageo e a família Beckmann podem não levar a um acordo porque não está claro se todos os membros da família estão envolvidos no processo, disseram as fontes.

Os porta-vozes da Diageo, do Goldman Sachs e do HSBC não quiseram comentar as informações.

A Diageo, com sede em Londres, está avançando em direção a mercados emergentes e no ano passado adquiriu a turca Mey Icki, maior fabricante do país da bebida Raki, por US$ 2,1 bilhões.

Paul Walsh, CEO da Diageo, disse em uma entrevista ao The Wall Street Journal no dia 26 de março que ele "não aceitaria nada menos do que o controle ou um caminho para chegar ao controle" quando questionado sobre a Cuervo. Walsh já havia anunciado que a Diageo não manteria a distribuição da marca sob os mesmos termos do acordo atual quando este vencesse, e que buscaria um acordo mais lucrativo.

O valor da José Cuervo gira em torno de US$ 3,1 bilhões, escreveu em um relatório publicado em 27 de março Melissa Earlam, analista do UBS em Londres.

O jornal britânico Sunday Telegraph reportou neste domingo que a Diageo havia contratado o Goldman para finalizar as negociações com a José Cuervo.

A Cuervo teria contratado o Barclays Capital para explorar opções e negociar uma potencial venda, informaram em maio último pessoas próximas ao assunto. Por Bloomberg News
Fonte:01/04/2012

01 abril 2012