02 junho 2015

DeVry Education busca aquisições no Sudeste e vê chance de compras mais baratas

A DeVry Brasil, subsidiária da norte-americana DeVry Education Group, busca aquisições no Sudeste do Brasil e vê chance de operações mais baratas devido ao cenário econômico e incertezas em relação ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

"Quando você faz um modelo de 'valuation', a incerteza aumenta, a taxa de desconto exigida também aumenta e o preço acaba caindo. No nosso caso, algumas das propostas que a gente fez este ano estão até 20 por cento menores do que no ano passado", disse à Reuters o presidente da DeVry Brasil, Carlos Degas Filgueiras.

A empresa fez oito aquisições no Brasil em seis anos e iniciou as operações no Sudeste com a compra em dezembro passado da Damásio Educacional, sediada em São Paulo e especializada no ensino de Direito.

Com mais de 50 mil alunos, a Damásio quase a dobrou a base da DeVry no Brasil para 90 mil estudantes e permitiu a diversificação das atividades do grupo norte-americano no país. O valor do negócio não foi divulgado.

A DeVry iniciou as operações no Brasil com a compra de participação na Fanor, em Fortaleza, em 2009. Somente no ano passado, além da Damásio, foram compradas a Faculdade Ideal (Faci), em Belém, e a Faculdade Martha Falcão (FMF), em Manaus.

Filgueiras comentou que a DeVry segue interessada em outras instituições do Sudeste. Segundo ele, o cenário se mostra favorável a grupos consolidadores, com entidades de ensino sólidas e de renome no mercado cobrando o mesmo preço que se pagaria um ano antes.

A maioria das operações que a DeVry comprou no Brasil tinham em média 3 mil alunos. Segundo o presidente da companhia, o foco está em instituições com potencial para expansão e que sejam reconhecidas pela qualidade de ensino.

Com a Damásio, que oferece cursos voltados para a área de Direito além da graduação, como preparação para exames e pós graduação, a Devry passou a ter 250 polos de ensino a distância no Brasil. A empresa agora aguarda autorização do Ministério da Educação para o início de cursos em outras áreas, mas o início das operações deve ficar para 2016.

IMPACTOS DO FIES

As mudanças no Fies, que cortaram a adesão de novos alunos a todas as instituições privadas de ensino superior a 250 mil no primeiro semestre, ainda não tiveram impacto relevante na DeVry Brasil.

"Não sentimos muito no primeiro semestre, conseguimos atingir todas as nossas metas. Houve redução de mais ou menos 50 por cento no número de novos alunos que conseguiram o Fies em relação ao que tivemos ano anterior", disse Filgueiras. A captação de alunos no período cresceu 11,2 por cento, desconsiderando aquisições.

O executivo afirmou que parcela dos alunos que buscava o Fies podia pagar as mensalidades. Quando não conseguiram o financiamento do governo, esses estudantes passaram a tirar o dinheiro do próprio bolso.

A DeVry passou a oferecer o financiamento privado da Ideal Invest, o Pravaler, com parte dos juros subsidiados. O volume de adesões ainda é pequeno, porém crescente, disse o executivo, sem dar mais detalhes.

De acordo com Filgueiras, para o ano fiscal que se encerrará em 30 de junho de 2016, a exposição da empresa ao financiamento do governo federal deve ficar em torno de 30 por cento do faturamento.
O valor médio da mensalidade da DeVry no Brasil é de 843 reais, ante 565,60 reais da Estácio e 695 reais da líder Kroton.

O grupo norte-americano teve receita total de 489,8 milhões de dólares no terceiro trimestre fiscal de 2015, encerrado em 31 de março, enquanto o lucro foi de 47,1 milhões de dólares. Segundo Filgueiras, a DeVry Brasil representa 10 por cento do faturamento da companhia.

O Brasil continua no topo da lista de prioridades da empresa, que acredita em mais dois anos de turbulência no país diante das incertezas macroeconômicas.

Filgueiras afirmou que ainda é incerto o impacto do aumento de desemprego sobre o setor de educação, mas além da compra da Damásio, que aumentou a diversificação de seus negócios, a companhia tem feito um acompanhamento com os alunos para controlar a evasão escolar. Por Juliana Schincariol (Reuters) - Leia mais em Yahoo 01/06/2015


02 junho 2015



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