28 março 2012

O outro lado do expressivo investimento em startups

Os investimentos de fundos estrangeiros e nacionais em startups brasileiras não param de aumentar. No ano passado, o valor aplicado chegou a US$ 43,5 bilhões, segundo estimativa do Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Esse montante deve continuar crescendo em média 10% ao ano.

A falta de intimidade do empreendedor com esse tipo de operação, porém, abriu espaço para que problemas comecem a aparecer. E sobram histórias de empresários que tiveram experiências negativas, como por exemplo o assédio de falsos investidores em busca de dados sigilosos ou até mesmo a oferta de contratos desvantajosos.

O fundador da empresa de biotecnologia Bioactive, Israel Cabrera, estava satisfeito com o fato de 12 investidores terem demonstrado interesse por seu empreendimento durante um evento do qual participou no ano passado. Nos meses seguintes, veio a surpresa: Israel descobriu que a maioria deles não era confiável. 'Um grande investidor sugeriu que eu criasse um caixa 2, outro não tinha dinheiro, mas queria se tornar sócio da empresa porque tinha ideias que valiam milhões', afirma.

Ao pesquisar o histórico de outra suposta investidora interessada, Cabrera descobriu que, na verdade, ela era funcionária de uma indústria farmacêutica e estava em busca de informações sigilosas porque pretendia ingressar no mesmo nicho de mercado no qual atua a Bioactive.

Houve ainda quem quisesse assinar um pré-contrato de exclusividade ou preferência, mecanismo usado pelos fundos para garantir ao investidor o direito de fazer uma contraproposta caso a pequena empresa receba outra oferta de investimento. 'É uma prática completamente ilegal e que vai contra o padrão de sigilo', opina Cabrera.

O empresário conta que procurou uma assessoria jurídica para negociar com os três fundos que mostraram credibilidade em suas propostas. Ter respaldo de um advogado durante esse tipo de negociação faz toda a diferença, principalmente porque o desconhecimento pode significar muitos problemas.

'Os empreendedores brasileiros entendem muito do negócio, mas pouco da mecânica de investimentos', analisa o advogado Rodrigo Menezes, especialista no assunto. 'Eles aceitam qualquer coisa porque precisam do dinheiro e não sabem negociar.'

Outro advogado, Leonardo Palhares, concorda com o colega. Para ele, muitos empresários, especialmente os mais jovens, se deixam seduzir e confiam demais nos fundos. 'Os investidores estão nesse mercado para ganhar dinheiro e são avessos aos riscos', alerta o especialista.

Os fundos de investimento, por sua vez, preferem não falar muito sobre o assunto e limitam-se a dizer que a maioria das cláusulas têm como objetivo a redução de riscos. Segundo Palhares, isso acontece porque de cada 20 empresas que recebem dinheiro, apenas duas têm sucesso.

O presidente da Associação Brasileira dos Fundos de Private Equity e Venture Capital (ABVCap), Clovis Meurer, diz que a assinatura do contrato de confidencialidade é o principal indício da seriedade do investidor. 'Como a cultura do investimento é nova no Brasil, acaba abrindo espaço para gente pouco séria se aproveitar', admite.

Sócio do fundo TechRok Ventures, Franco Lazzuri afirma que outros sinais ajudam a identificar um bom investidor. Para ele, o empreendedor deve desconfiar caso o negociador tenha pressa para acessar informações sigilosas sobre o negócio, exija participação muito alta na empresa - no geral, os fundos ficam no máximo com 30% - e solicite documentos em excesso.

Foi por saber disso que o empresário Daniel Uchôa, dono da OvermediaCast, conseguiu identificar a presença de um investidor mal-intencionado. 'Conversei com pessoas que nos primeiros contatos já queriam detalhes, projeções de faturamento e outros dados sigilosos que só poderia informar se estivesse fechando negócio', conta.

O empresário David Reck, proprietário do site Comune e da agência Enken Comunicação Digital, passou por situação semelhante. Ele foi procurado por um grupo de investidores que simplesmente desapareceu após alguns encontros.

Mais tarde, ele descobriu que tratavam-se de representantes de uma empresa francesa concorrente que pretendia abrir escritório no Brasil e, por isso, buscava informações privilegiadas sobre o seu negócio. 'Uma forma de não perder o foco do seu produto é destacar um dos sócios para negociar enquanto os outros se dedicam ao cotidiano do empreendimento', sugere. Por LIGIA AGUILHAR
Fonte:estadao28/3/2012

28 março 2012



Ministério das Comunicações lança edital para ‘Cidades Digitais'

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, lançará na manhã desta quarta-feira o edital para a escolha dos 80 municípios que vão participar do projeto-piloto das "Cidades Digitais".

A ideia consiste em oferecer conexão gratuita à internet para a população das cidades contempladas, especialmente em locais públicos como praça e rodoviária.

Segundo o ministério, será dada a preferência às cidades com até 50 mil habitantes.

Além disso, serão priorizados os projetos destinados às regiões Norte e Nordeste e aos municípios com baixo desempenho registrado pelo Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM).

O critério definido também deve garantir a seleção de, pelo menos, uma cidade por unidade da federação. Entre as ações previstas está o desenvolvimento de projetos com micro e pequenas empresas. Por Rafael Bitencourt
Fonte:Valor28/03/2012



Dalkia vai às compras com plano de dobrar de tamanho em 5 anos

Setor elétrico é alvo de interesse da Dalkia no país

De origem francesa, companhia especializada em serviços de infraestrutura e eficiência energética teve faturamento de R$ 318 milhões no Brasil no ano passado e prospecta novas áreas de atuação.

A crise na Europa encolheu a receita da francesa Dalkia no mundo. Em 2011, o faturamento de ¤ 8,3 bilhões encolheu 3,48% em comparação com o ano anterior.

Os números só não foram piores porque os chamados mercados emergentes alavancaram os negócios.

Só no Brasil, onde a empresa atua de 1998 principalmente na prestação de serviços de infraestrutura, a receita da empresa cresceu 30%, chegando a R$ 318 milhões. Esse valor, no entanto, é muito menor do que o potencial do país para os negócios da empresa.

A empresa tem como meta dobrar o tamanho de sua operação no Brasil nos próximos cinco anos. Além de fortalecer os serviços na área de energia para a indústria, a companhia pretente ir às compras.

Daniel Figueiredo, diretor comercial da Dalkia Brasil, não revela o valor reservado para as compras, mas afirma que a matriz francesa já deu carta branca para ele prospectar novos negócios.

"Não estou dizendo que vou comprar a Light. Queremos empresas menores, que possam agregar novos clientes ao nosso portfólio."

A empresa, subsidiária da multinacional francesa Dalkia, do grupo Veolia Environnement e da Electricité de France (EDF), especializada em serviços de energia e infraestrutura, tem no Brasil a gestão de prédios comerciais e shopping centers como seu maior negócio. Mas só por enquanto.

"Nosso foco é trazer os projetos de energia na área industrial para o mesmo patamar da área de infraestrutura, que hoje responde por mais de 80% dos negócios no Brasil", afirma Figueiredo.

A área de energia, especificamente o segmento de biomassa, é prioritária para a Dalkia no país.

Diferentemente dos outros países nos quais a companhia atua, no Brasil o setor elétrica apresenta menos da metade da receita do grupo. De acordo com Figueiredo, isso é consequência da forma pela qual a empresa iniciou sua presença no país em 1997.

A área de energia passava por um momento de indefinição e a entrada da Dalkia no segmento de infraestrutura foi mais fácil.

A chegada dos projetos de parceria público privada (PPP) na área da saúde também ajudaram a alavancar os negócios. A Dalkia faz parte do consórcio que administra a primeira operação desse tipo na saúde do país, o Hospital do Subúrbio, na Bahia.

Figueiredo tem ainda cerca de 17 potenciais negócios em sua carteira de negócio, onde a empresa quer atuar. Por Regiane de Oliveira
Fonte:brasileconomico27/03/2012



País terá mais de 12 mil grandes obras até 2016

Até 2016, o Brasil terá 12.265 grandes obras, a maioria já em andamento, com investimentos públicos e privados estimados de R$ 1,48 trilhão.

As áreas de petróleo e gás, de infraestrutura de transporte e de energia (hidrelétricas) são as que atraem os maiores aportes. Os dados são de levantamento da Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção (Sobratema).

Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo aparecem, nessa ordem, como os Estados que estão recebendo a maior parte dos investimentos. Isso por causa dos projetos relacionados à exploração de petróleo offshore na camada pré-sal. Levando em conta as obras que estavam em curso desde o ano passado, 10.482 ao todo, com investimentos alcançando R$ 1,37 trilhão, 57% dos aportes estavam no Sudeste.

No mapa da distribuição das obras pelo Brasil, Minas Gerais, que não se beneficia diretamente dos investimentos em petróleo e gás, aparece em sétimo lugar. São 886 obras a partir deste ano e R$ 62,2 bilhões de investimentos.

Embora muito visíveis, os investimentos em infraestrutura esportiva para a Copa do Mundo de 2014 e para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, representam uma fatia entre 2% e 3% do total a ser investido no país nos próximos quatro anos, disse o consultor da Sobratema, Brian Nicholson. Ele foi o responsável pela pesquisa e apresentou os resultados ontem na capital mineira.
Fonte:Valor28/03/2012



Após aporte de fundos, Hidrovias do Brasil faz aumento de capital

Os acionistas da Hidrovias do Brasil, empresa de operações logísticas da gestora de fundos de participações Pátria, aprovaram, em assembleia realizada ontem, um aumento de capital no valor de R$ 60,34 milhões, passando o capital social da companhia a totalizar R$ 170,34 milhões.

A operação ocorreu por meio da emissão de novas ações ordinárias, que foram adquiridas pelo fundo de investimentos P2 Brasil Infraestrutura, além de outros veículos controlados pela Alberta Investment Management Corporation e pela Temasek Holdings.

Em fevereiro, a Hidrovias do Brasil firmou um contrato com esses investidores para um aporte da ordem de US$ 220 milhões na empresa. Pelos termos do acordo, o investimento será finalizado no prazo de cerca de três anos. Por Ana Luísa Westphalen
Fonte:Valor28/03/2012



M. Stanley investirá em 'private equity' no país

O Morgan Stanley fechou uma parceria com a gestora brasileira OSF Merchant Banking para investimentos na compra de participações em empresas ("private equity") no país. O acordo prevê que a OSF identificará oportunidades no mercado brasileiro e realizará coinvestimentos com o banco.

Os aportes serão realizados pelo fundo global do banco, que conta com US$ 1,5 bilhão, mas não existe uma meta de investimentos para o país. O foco será em empresas de médio porte e com potencial de crescimento.

A parceira brasileira do Morgan Stanley é formada por executivos experientes como Thomas Jetter, ex-sócio da Permira, uma das maiores firmas de private equity europeias. Hans Apostel, um dos sócios fundadores da OSF, foi um dos pioneiros na compra de participações em empresas no Brasil.

O executivo alemão, que chegou ao país nos anos 1970, atuou na compra de subsidiárias de empresas que deixaram o país no início do governo Collor, entre elas a Mallory, controlada na época pela Black & Decker. Anos depois, com a volta dos investimentos estrangeiros a partir do Plano Real, Apostel se desfez das participações.

Depois de passar a maior parte da década passada fazendo negócios na Europa, ele decidiu voltar ao país em meio ao grande interesse das gestoras de private equity nos mercados emergentes. "Após a crise, ficou inviável trabalhar com aquisições alavancadas, principal forma de atuação dos fundos no exterior", afirma.

Apostel está ciente de que não encontrará as mesmas oportunidades que teve no país na década de 1990. "Não esperamos comprar barato, mas alguns dos negócios realizados pelos fundos foram fechados a múltiplos altos demais", avalia. Com margem pequena para uma arbitragem de preços, a OSF espera obter resultados do "suor", ou seja, da melhora administrativa das empresas nas quais investirá. O executivo espera anunciar o primeiro negócio com o Morgan Stanley "nos próximos meses".

A área de private equity do banco americano já realizou um total de US$ 8 bilhões em investimentos em todo o mundo. Nos países emergentes, possui uma forte presença na Ásia, onde aplicou quase US$ 2,5 bilhões, mas vem ampliando as fronteiras de atuação. Recentemente, a instituição fechou um acordo semelhante com a OSF no México, voltado especificamente para a área de energia. Por Vinícius Pinheiro
Fonte:Valor28/03/2012



Maratona contábil discute rumos da receita

São Paulo é desde ontem o palco de uma maratona de encontros que abre uma rodada global de debates sobre como as empresas devem reconhecer as receitas nos seus balanços. As reuniões continuam ao longo desta quarta-feira na capital paulista e novas discussões sobre o tema estão agendadas para os próximos dias na Malásia, no Japão, no Reino Unido e nos Estados Unidos.

Na pauta, a nova norma sobre reconhecimento de receita, que exigirá mudanças e melhores controles de todas as companhias sobre o registro de suas vendas na contabilidade.

O princípio básico da nova norma é que a receita deve ser reconhecida quando o controle sobre um bem ou serviço é transferido para o comprador, com a possibilidade de isso ocorrer em um único momento ou ao longo do tempo.

Embora na maioria dos casos pareça simples identificar quando isso ocorre, a realidade mostra que nem sempre existe acordo sobre quando e como uma receita deve ser registrada, e nem sobre o valor da operação.

A norma cria o conceito de "performance obligation", que pode ser traduzido para "obrigação (ou meta) a cumprir".

Um único contrato pode ter várias obrigações a cumprir, e a receita ligada a cada uma delas deve ser reconhecida de forma separada. Em um exemplo, uma operadora de telefonia que vende um celular e um plano para o cliente precisará reconhecer receita e custo de venda do produto no momento inicial e a do serviço ao longo do tempo.

A série de debates sobre esse tema é a reta final de um processo que já dura quase dez anos, e está sendo conduzido em conjunto pelo Fasb e Iasb, órgãos responsáveis pelo padrão de contabilidade americano (US Gaap) e internacional (IFRS), respectivamente, sendo que este último é adotado no Brasil desde 2010.

Após essa rodada de discussão com agentes de mercado em todo o mundo, os dois órgãos esperam publicar o texto final da norma entre o fim deste ano e início de 2013. Não existe previsão para quando as regras passarão a valer, mas isso não ocorrerá antes do exercício de 2015.

Ainda que a mudança só tenha impacto prático no longo prazo, especialmente empresas e auditores já estão atentos para suas consequências.

Presente nos encontros de ontem, o único brasileiro a participar da diretoria do Iasb, Amaro Gomes, enfatizou que os investidores precisam tomar parte das discussões. "A participação deles é muito pequena", afirmou.

Os setores de incorporação imobiliária e de telecomunicações estarão entre os mais afetados pela nova norma, mas os impactos poderão reverberar para todas as indústrias e até mesmo bancos.

Na série de encontros ao longo do dia ontem, em São Paulo, uma técnica do Iasb, Allison McManus, e outra do Fasb, Kristin Denise Bauer, discorreram sobre os retornos que tiveram de participantes de mercado desde que a última versão da norma foi colocada em audiência pública, em novembro.

Tirando as questões setoriais, os pontos de maior atenção envolvem: o ajuste a valor presente da receita recebida ao longo do tempo; como se registrar a expectativa de perda por inadimplência no momento da venda; e o reconhecimento prejuízo em "obrigações a cumprir" específicas dentro de um mesmo contrato.

Em relação ao ajuste a valor presente, Kristin esclareceu que a regra não impede que as empresas o façam mesmo que o prazo de recebimento seja inferior a 12 meses. "Se o ambiente da entidade for de inflação e juros altos, cabe à empresa julgar se o componente financeiro é relevante."

Sem dar detalhes de qual será a resposta, ela mencionou que muitos agentes de mercado pediram mais esclarecimento sobre como devem registrar a previsão de perda por inadimplência quando fizerem uma venda. Kristin disse que essa regra está relacionada à que trata especificamente sobre provisão para recebíveis, mas que não a substitui, já que uma trata apenas do "momento zero" e a outra da vida toda do contrato.

Em relação à previsão de que uma perda deve ser registrada sempre que uma única "obrigação a cumprir" indique prejuízo, Allison afirmou que a rejeição dos participantes no mercado foi "praticamente universal". A preferência é que isso ocorra apenas se todo o contrato indicar perda. Por Fernando Torres
Fonte:Valor28/03/2012



Crise abre caminho para investimento chinês recorde na Europa

Gigante asiático aplica US$ 15 bilhões em 13 países só em 2011

Os investimentos chineses na Europa foram multiplicados por sete desde o início da crise financeira mundial, em 2008, e vêm se acelerando nos últimos meses, após o agravamento da crise na zona do euro, segundo dados de organizações internacionais.

Os chineses vêm acelerando seus investimentos no Velho Mundo nos últimos anos em setores variados. Já adquiriram ou compraram participação, por exemplo, em vinhedos na França, companhia de energia em Portugal, fábrica de máquinas na Alemanha e montadoras de veículos na Suécia e Grã-Bretanha. O perfil variado, incluindo indústrias de alta tecnologia, contrasta com a forte concentração de investimentos chineses no Brasil, bem como na América Latina, em setores como mineração, petróleo e gás.

De acordo com a Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento), o volume de recursos chineses investidos na Europa, em fusões ou aquisições de empresas, além da compra de participações acionárias, foi de US$ 876 milhões em 2008. Em 2010, últimos dados disponíveis na Unctad, o montante foi de US$ 6,76 bilhões.

Apesar de expressivos, os números da Unctad são apenas um dos indicadores da tendência de avanço dos investimentos chineses na Europa.

"Esses números estão subestimados, porque se referem somente à China continental, e não incluem Hong Kong", disse à BBC Brasil Guoyong Liang, do escritório de assuntos econômicos da Unctad.

Hong Kong é uma importante plataforma para investimentos chineses no exterior, mas o governo chinês não divulga o destino, por país, dos investimentos provenientes da região administrativa especial da China.

A entidade americana Heritage Foundation tenta superar esse obstáculo na obtenção dos dados acompanhando os investimentos no momento em que são anunciados e confirmados. Segundo a entidade, em 2011, os investimentos em 13 países europeus teriam atingido cerca de US$ 15 bilhões.

Aceleração

Inúmeros anúncios de aquisições de empresas (ou também de participação no capital de companhias europeias) por investidores chineses têm sido feitos nos últimos meses.

Um dos negócios mais comentados, em razão do montante, ocorreu no final de dezembro: a China Três Gargantas comprou, por US$ 2,7 bilhões, a fatia de 21,35% que o governo português detinha na Energia de Portugal (EDP), afastando da disputa o grupo alemão e.ON e as brasileiras Eletrobras e Cemig.

A recente compra em Portugal é exemplo de uma tendência observada pela Heritage Foundation de aceleração de investimentos em países fortemente afetados pela crise na zona do euro.

A China, segundo a Heritage Foundation, não havia investido nada na Espanha entre 2005 e 2008, por exemplo. De 2009 até 2011, o fluxo de capitais chineses para o país atingiu US$ 1,5 bilhão.

A situação em Portugal é mais emblemática. Ainda de acordo com a Heritage Foundation, a China não teria investido nada no país entre 2005 e 2010.

Apenas em 2011, quando Portugal entrou no olho do furacão da crise das dívidas soberanas, o fluxo de investimentos chineses para o país atingiu US$ 3,5 bilhões.

"Após o início da crise, em 2008, houve um grande aumento dos investimentos chineses na Europa. Mais recentemente, a crise na zona do euro passou a representar uma oportunidade para comprar ativos mais baratos", afirma Liang, da Unctad.

Ele diz que a maior parte dos negócios na Europa começou a ocorrer desde meados do ano passado.

Na Alemanha, um dos países que mais receberam investimentos chineses em 2009 e 2010, o interesse é pela indústria mecânica, que produz maquinário de alta tecnologia com reputação mundial, diz o economista da Unctad.

Segundo ele, os investimentos chineses também são significativos na Grã-Bretanha porque o país reúne sedes de várias empresas importantes do setor de energia e também bancário.

As empresas chinesas também têm investido em infra-estrutura na Europa, com concessões para operar nos portos dos Pireus, em Atenas, e de Nápoles, na Itália.

Montadoras europeias, como a britânica Rover (que estava em concordata em 2005) ou ainda a sueca Volvo, em 2010, também foram compradas por grupos chineses, que tentaram ainda adquirir no ano passado a sueca Saab. Mas a operação foi vetada pela General Motors, proprietária da marca sueca de automóveis, que acabou pedindo concordata em dezembro.

Na França, além de setores como o da energia, as companhias chinesas têm investido em segmentos ligados à imagem da França no exterior: marcas de moda de luxo e vinhos.

A grife Cerruti foi adquirida por chineses em 2010 e, em fevereiro passado, foi a vez do fundo Fung Brands, de Hong Kong, comprar 80% do capital da marca de prêt-à-porter de luxo Sonia Rykiel.

Investidores chineses também estão multiplicando as aquisições de vinhedos em Bordeaux com o objetivo de exportar para a China, que se tornou o primeiro importador mundial de vinhos dessa região francesa. Por BBC Brasil
Fonte:iG28/03/2012



Valia investirá mais em private equity

Meta do fundo de pensão da Vale é praticamente dobrar as aplicações nessa área, chegando a cerca de R$ 1,1 bilhão

Com um patrimônio de R$ 15 bilhões, o fundo de pensão dos funcionários da Vale (Valia) quer ampliar sua atuação no mercado de private equity (de compra de participação em empresas). A Valia tem R$ 600 milhões aplicados no segmento, mas a meta é atingir R$ 1,1 bilhão em 2012.

O presidente da Valia, Eustáquio Lott, afirma que os planos de diversificação incluem ainda a possibilidade de o fundo ampliar sua fatia destinada à renda variável de 24% para até 30%. "Investimento em bolsa vai muito do momento, das oportunidades que surgem. Se aparecerem boas oportunidades a gente investe, como na crise de 2008", afirmou Lott, ao lembrar que a fundação, na época, comprou ações da BR Malls e aumentou sua fatia na Brasil Foods. Mas o presidente descarta que o objetivo do fundo no setor seja participar da gestão da companhia. "Não estamos falando de (bloco de) controle", afirmou.

Para garantir melhores retornos nesse cenário de queda dos juros, a Valia está de olho mesmo na compra de participações. Entre os setores alvo da fundação estão infraestrutura, óleo e gás e energia. "Nós temos buscado investimentos alternativos. Estamos ampliando o crédito privado via debêntures, CDB, mas, principalmente, fundos de private equity."

Se no ano passado, as fundações não conseguiram bater as metas, o cenário é mais otimista em 2012, diz Lott. Além de prever um melhor desempenho para as bolsas, ele conta que a Valia vem conseguindo alongar suas aplicações em títulos públicos, com taxas de juros atraentes. A fundação terminou 2011 com um superávit de R$ 4 bilhões e rentabilidade de 10,6% nos investimentos. A meta era de 12,44%. Por MÔNICA CIARELLI
Fonte:OEstadodeSP28/03/2012



Timken vai além dos carros e planeja ampliar atuação

As marcas históricas da indústria automobilística brasileira nos últimos anos têm pouco empolgado a Timken, uma centenária fabricante de rolamentos sediada nos Estados Unidos. A empresa está em busca de oportunidades de investimento no país, mas desta vez com vista aos setores de petróleo, mineração, infraestrutura e agricultura.

Após fechar em 2007 uma fábrica de rolamentos automotivos na zona Sul de São Paulo, a companhia - na esteira de aquisições realizadas no segundo semestre do ano passado - voltou a ter uma atividade produtiva no país. O retorno veio, primeiro, com a compra em outubro da Drives, fabricante de correntes de transmissão que tem uma pequena joint venture com a Case New Holland (CNH) em Curitiba (PR). Nesse caso, a produção é destinada aos tratores e colheitadeiras fabricados pela empresa pertencente ao grupo Fiat.

Paralelamente, a Timken estuda o investimento na produção local de caixas de engrenagens, um produto adicionado ao portfólio a partir da compra da igualmente centenária Philadelphia Gear em julho. Seria uma forma de aproveitar a demanda gerada por projetos ligados à exploração de recursos naturais e geração de energia, que envolvem clientes atendidos pela empresa da Pensilvânia.

"Estamos muito mais empolgados com o crescimento da Vale, das ferrovias e das minas de minério de ferro do que propriamente com a expansão do mercado automobilístico", afirma James Griffith, presidente mundial da companhia.

Para discutir todas essas possibilidades com a direção do grupo na América Latina, Griffith esteve em São Paulo na semana passada, acompanhado pelo presidente do conselho de administração, Ward J. Timken Jr. - quinta geração da família que fundou a empresa em 1899, em Saint Louis. Dois anos depois, a Timken se transferiu para Canton, no Estado de Ohio, onde está sediada até hoje.

A empresa segue no Brasil a estratégia global de diversificar seu portfólio para produtos de maior valor agregado e mais rentáveis, cujo foco são os sistemas de transmissão industriais. Isso resultou, ao longo dos últimos dez anos, na menor participação de componentes fornecidos à indústria automobilística.

Desse modo, está fora de questão voltar a produzir no Brasil rolamentos de automóveis, embora a empresa continue atenta à demanda dos veículos pesados, como os caminhões fora-de-estrada - muito utilizados em grandes obras de infraestrutura.

Cercada por um grande número de concorrentes, a Timken vê poucas chances de obter rentabilidade em negócios com as montadoras. "É o mercado errado para nós", diz Griffith, acrescentando que a companhia seguirá atendendo aos fabricantes nacionais de carros com importações.

Inaugurada em 1960, a fábrica de rolamentos automotivos na capital paulista foi fechada em meio a um processo de enxugamento de custos e redução de operações industriais, após a deterioração da indústria automobilística dos Estados Unidos - para onde era exportada parte dos componentes produzidos em São Paulo.

Agora, a empresa aposta em um novo ciclo de crescimento e traçou como meta para os próximos cinco anos dobrar de tamanho no Brasil, seu quarto mercado no mundo, atrás apenas da matriz nos Estados Unidos, da China e da Índia.

Os executivos da empresa dizem que novos investimentos no país estão no radar, mas que ainda não é possível antecipar quando será feita a investida.

Além de um centro de distribuição em Barueri (SP) e um escritório central na capital paulista, a estrutura da filial brasileira inclui outras duas unidades de restauração de rolamentos ferroviários: uma em Sorocaba e outra em Belo Horizonte (MG). A empresa também restaura rolamentos industriais em Guarulhos, na Grande São Paulo.

Griffith diz que os mercados emergentes representam por volta de 20% das vendas do grupo, que somaram US$ 5,17 bilhões no ano passado. O Brasil é responsável por um montante de aproximadamente US$ 140 milhões desse resultado - quase 3% do total.

Com a liderança dos emergentes na recuperação da economia global após a crise financeira de 2008, o grupo ampliou o foco em países como Índia e China, mercados onde também planeja adicionar capacidade.

"A mudança nos mercados emergentes transformou nossas estratégias nos Estados Unidos e na Europa Ocidental", comenta o principal executivo da Timken, ao lembrar que, no passado, os resultados eram mais concentrados nesses dois mercados. Por Eduardo Laguna
Fonte:ValorEconômico28/03/2012



27 março 2012

Aceco TI recebe aporte da GA

A Aceco TI, empresa paulista especializada em infraestrutura e manutenção de data centers, recebeu um aporte do General Atlantic LLC por uma participação minoritária no negócio.

Não foi revelado o valor do aporte ou o tamanho da participação adquirida.
“Vamos criar as condições necessárias para acelerar ainda mais o crescimento da companhia no Brasil e na América Latina”, comenta Jorge Nitzan, presidente da Aceco TI.

Hoje a Aceco TI tem unidades em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, além de uma operação na Argentina, sediada em Buenos Aires.

Há 40 anos no mercado, a companhia A Aceco TI já construiu mais de 500 data centers no Brasil e na América Latina, e atualmente está participando da construção de mais de 50.

Nos últimos dez anos, a Aceco TI cresceu 25 vezes, atingindo vendas de mais de R$ 500 milhões.

Mais de 85% dos data centers Certificados Tier III pelo UpTime Institute na América do Sul foram projetados ou construídos pela Aceco TI.
Este é o sétimo investimento da General Atlantic desde a abertura da operação na América Latina em 2007.

O fundo fez um investimento de US$ 440 milhões na BM&FBovespa, detém uma fatia do site de compras coletivas Peixe Urbano e já foi acionista da Qualicorp, vendida para a gestora Carlyle.

Outros negócios incluem a fabricante de ERP para varejistas Linx e um investimento de US$ 300 milhões nos ativos de gestão da ING em cinco países latino-americanos, em parceria com o grupo Sura, conglomerado colombiano de empresas financeiras.

Mudança de comando
Dona de ativos que chegam a US$ 17 bilhões, a General Atlantic estreou novo comando no Brasil em janeiro, com a nomeação de Martin Escobari, ex-sócio do Advent International.

Um dos fundadores do site de compras eletrônicas Submarino, Escobari liderou no Advent a transação da Cetip, cuja participação de 30% foi comprada em 2009. No ano passado, o Advent multiplicou seu investimento em pelo menos sete vezes. Por Maurício Renner
Fonte:Baguete27/03/2012

27 março 2012



INPI restringe direito à patente para software

O Instituto Nacional de Propriedade Industrial abriu a primeira consulta pública sobre patentes no país, tendo como tema os pedidos que envolvem invenções implementadas por programas de computador - área considerada prioritária pelo INPI no período 2011-2015.

Segundo as diretrizes propostas pelo INPI, há várias restrições para que um software seja considerado uma invenção. A própria Lei de Propriedade Industrial já considera que “programas de computador em si” não são assim enquadrados.

“O programa de computador, naquilo que é objeto de direito autoral, não é considerado invenção e, portanto, é excluído da patenteabilidade”, ressalta o INPI nas diretrizes em consulta.

No entanto, uma solução técnica, seja através de processo ou produto associado ao processo, é passível de proteção por patente de invenção, desde que estes não se refiram ao programa de computador em si.

O caso mais claro parece ser o de software embarcado, uma vez que esse seria um “indicativo para ser considerado invenção, por inerentemente estar associado a um produto (aparelho, equipamento, etc), gerando efeitos técnicos”.

Na prática, de acordo com a proposta do Instituto, existem três classes de problemas possivelmente patenteáveis por invenções implementadas por computador. São elas:

1) Grandezas físicas em um processo em que um produto físico é gerado
A transformação ou a redução de um produto a um estado diferente ou para um novo produto pode ser um indicativo de que uma criação implementada por programa de computador constitua invenção, embora não seja o único indicativo.
Exemplos: controle da temperatura de um forno; estabilização do comportamento dinâmico de um veículo ao longo de uma trajetória pré-estabelecida; um sistema de transmissão automática em veículos; controle de impressão; controle de máquinas industriais.

2) Grandezas Físicas em um processo em que um produto virtual é gerado
O processamento de dados que representam características físicas de um objeto (dimensão, cor, atraso) gerando um produto intangível (vídeo, música, imagem).
Exemplos: tratamento de imagem e de áudio envolvendo as grandezas físicas Amplitude e Fase.

3) Grandezas abstratas em um processo em que um produto virtual é gerado
O processamento que não manipula diretamente forças da natureza ou proporciona a transformação da matéria, tampouco representa dados físicos que proporcionem efeitos técnicos, tais como métodos que otimizam recursos de hardware ou que confiram maior confiabilidade e segurança.
Exemplos: compressão de dados, criptografia, gerenciamento de bancos de dados, sistemas operacionais, interfaces gráficas (desde que não sejam meras apresentações de informações), protocolos de comunicação de dados.

A consulta, aberta oficialmente em 16/3, receberá contribuições por 60 dias – por e-mail (saesp@inpi.gov.br), fax (0xx21) 3037-3638 ou diretamente no órgão, que fica no Rio de Janeiro. O Convergência Digital disponibiliza a íntegra do texto.
Por Luís Osvaldo Grossmann
Fonte:ConvergênciaDigital23/03/2012