31 dezembro 2009

Estratégia para earnout

O earn-out é uma modalidade de financiamento de parte do valor da aquisição de uma empresa e vinculado ao desempenho futuro do negócio.
São diversos os estágios que definem a melhor estratégia para um “earn-out”.

Alguns conceitos mesmo sendo elementares, não dispensam cuidados.
Assim, seguem algumas recomendações relacionadas a:
(i) a escolha da empresa-alvo e seus respectivos sócios;
(ii) determinação do valor;
(iii) estrutura do pagamento: antecipado e postecipado.

Para Seleção do sócio

A identificação apropriada do sócio é talvez o elemento o mais importante de um bem sucedido earn-out. Ambos – comprador e vendedor – deverão estar comprometidos com o integral sucesso da fusão.

Paciência, persistência e flexibilidade recíprocas contribuem decisivamente para que sejam alcançados os objetivos mutuamente acordados. As partes também têm que acreditar que estão recebendo tratamento justo nos termos do negócio.

Os sócios da empresa adquirida devem ter em mente a importância do alinhamento com plano de negócio, estabelecido em conjunto com o comprador, particularmente em relação às metas de vendas, relacionamento com canais, desenvolvimento de produtos, vendas cruzadas, níveis de qualidade, prazos de entrega, etc. O processo de mapeamento envolve o entendimento de como os produtos ou as tecnologias da empresa vendedora serão alinhados no decorrer da transição bem como da estratégia de longo prazo da empresa compradora e vice- versa. Estas adaptações de tecnologia ou do produto são fundamentais para que o relacionamento a longo prazo seja viável.

Neste momento é muito importante uma diligência mais detalhada a respeito. A compreensão das metas, sua razoabilidade e exigibilidade no “earn-out “ passam por esta avaliação, seja das competências técnicas de “entrega” do time vendedor avaliadas pelo comprador, seja pelas condicionantes exeqüíveis estabelecidas pelo comprador ao vendedor.

Tanto o vendedor como o comprador têm considerável flexibilidade para estruturar o “earn-out “ e alcançar acordo em relação aos objetivos. Por exemplo, podem ser vinculadas metas estratégicas e táticas, tais como faturamento, margens, taxa de crescimento ou taxa de retorno, Ebitda, nível de capacidade de utilização, para vendedores de modo geral ou com perfis diferenciados, estabelecendo metas de desempenho para unidades de negócios específicas ou em relação a companhia como um todo.

Cuidados adicionais se devem ter no estabelecimento das metas e critérios para os seus cálculos de modo a não permitir dúvidas ou mal entendidos. Por mais óbvio que possa parecer, quando se tratar de rentabilidade, por exemplo, definir claramente a fórmula de cálculo e quais as receitas e custos devem ser excluídos. O estabelecimento de mecanismo de solução de disputa é aconselhável.

Determinação do valor

Sem dúvida, um dos mais difíceis aspectos na negociação de uma empresa é a definição do valor atribuído à transação, não só pela discussão das premissas do “valuation “ como pela percepção do “apetite “das partes.

Vencida essa etapa de determinação do valor, fica menos difícil estabelecer as condições de pagamento. Nesse sentido, o modelo de “earn-out” é um facilitador do processo uma vez que o comprador irá pagar a parcela vinculada a entrega futura, após a sua execução. Significa dizer que a(s) parcela(s) remanescente(s) do pagamento dependem do cumprimento das metas estabelecidas, nos prazos combinados.

Estrutura do pagamento.

Acordado o valor total da transação bem como definida a regra do modelo de gestão e relacionamento, a etapa seguinte é decidir quanto será pago a vista e quanto será pago em earn-out.
O pagamento antecipado é um componente chave porque define o comprometimento e o nível de importância que o comprador atribui a tecnologia. Quanto menor for o valor do pagamento antecipado, o risco maior é deslocado para o vendedor.

Algumas pesquisas sobre operações realizadas indicam que o valor do pagamento antecipado se situa no intervalo de de 30% a 70% do total da transação.
Quanto mais madura é a empresa maior é a participação do pagamento à vista. Como também o montante do Backlog (corresponde ao valor total do faturamento dos contratos em carteira desde que sejam cumpridos na forma contratada. No cálculo do Backlog, levam-se em consideração o cronograma de implementação dos projetos, histórico de demanda, maturação dos contratos e as fases de entrega).

Em relação ao prazo de pagamento postecipado, cujos valores são definidos a partir de metodologia adequada, considera pagamentos anuais, se o acordo prevê prazo de desempenho superior a um ano, e efetivados após o encerramento dos períodos de apuração.

O prazo para cumprimento de metas do “earn-out“ costuma variar muito e depende dos objetivos a serem alcançados. Tipicamente um “earn-out“ para a compra de uma empresa de tecnologia ou de serviços varia de 1 ano a 3 anos. É raro prazos superiores. Prazos muito curtos também têm seus inconvenientes.

Para o comprador o risco de perda dos sócios-gestores bem como prazos insuficientes para integração e absorção efetiva do conhecimento (particularmente os culturais se for internacionalização) e realização dos resultados esperados.

Para o vendedor não permite incorporar ganhos adicionais, pois ignora o crescimento de mais longo prazo. Um dos aspectos mais problemáticos em relação aos períodos de apuração refere-se aos cumprimentos das metas. Nestas horas é que começam os questionamentos sobre o entendimento de critérios, se não forem muito claros.

31 dezembro 2009



16 dezembro 2009

As 10 maiores fusões em TI, em 2009.

As TOP 10 operações de fusões & aquisições realizadas em 2009 entre empresas de TI, de acordo com levantamento de Jon Brodkin, da Network World, foram:

1. Oracle-Sun: US$ 7.4 bilhões – O maior negocio na área de TI foi realizado em abril, quando a Oracle adquiriu a Sun. A aquisição, ainda em curso, foi anunciada em abril e, depois, bloqueada, pois alguns reguladores europeus sustentaram que a combinação da tecnologia da Oracle com a base de dados Open Source MySQL da Sun violaria as leis de concorrência. O acordo Oracle-Sun ainda não foi concluído, mas dará a Larry Ellison, CEO da Oracle nova munição contra a Microsoft (no mercado de base de dados) e contra grandes fornecedores de hardware como que IBM, HP e Dell.

2. Xerox-Affiliated Computer Services: US$ 6.4 bilhões – Com aquisição anunciada em setembro a Xerox ficou apta a triplicar sua cifra de negócios na área de serviços passando de US$ 3,5 bilhões para US$ 10 bilhões com a compra da ACS, especializada em BPO (Business Process Outsourcer). Combina 74.000 empregados de ACS com 54.000 da Xerox. A Xerox acredita que com a ACS poderá penetrar em novos mercados e que terá poucas sobreposições na medida em que somente 20% dos clientes são comuns a ambos os negócios.


3. Dell-Perot Systems: US$ 3.9 bilhões – Apenas alguns dias antes do movimento da Xerox, a Del anunciava a aquisição para a conmpra da Perot Systems, outra grande sociedade de serviços de computação. Dell está apostando que com a Perot irá se tornar um líder em serviços de computação, permitindo vender mais hardwares aos clientes da Perot, maioria deles na áreas de saúde s serviços governamentais.

4. Cisco-Tandberg: US$ 3.4 bilhões - Cisco importante “player” em produtos de colaboração junto à WebEx e em videoconferência no modo telepresença, formalizou a compra da Tandberg especializada em videoconferência e em produtos da infra-estrutura de rede. O uso crescente da videoconferência permitirá aumentar o tráfego da rede, propiciando novas vendas de comutadores e roteadores para a Cisco.

5. Cisco-Starent Networks: US$ 2.9 bilhões – Com compra em outubro da Staren, a Cisco incrementará a expertise em infra-estrutura móvel em vários tipos de redes sem fio, como LTE e WiMAX. Cisco já havia feito um investimento em WiMAX com a compra por US$ 330 milhões da Navini Networks em 2007. A tecnologia da Starent já foi implementada por mais de cem operadoras móveis em 45 países.


6. HP-3Com: US$ 2.7 bilhões – A HP se lança na concorrência com a Cisco em centros de computação e convergência de mercados com a compra da 3Com, fabricante de comutadores, roteadores e produtos de segurança. A operação foi anunciada em novembro. A aquisição, que enfrenta uma ação judicial da parte dos acionistas, sofre ainda de uma sobreposição ao entrar na variedade de linhas de comutadores e de equipamentos de redes sem fio.

7. EMC-Data Domain: US$ 2,1 bilhões A EMC se esforçou para adquirir a Data Domain visando o segmento de replicação. A replicação ajuda a economizar dinheiro ao reduzir as necessidades de arquivamento de dados, o que explica porque a EMC e a NetApp acreditam que esta aplicação desempenhará papel importante no mercado de armazenamento nos próximos anos. A NetApp havia proposto inicialmente o valor de US$ 1,5 bilhão para comprar a Data Domain, mas a EMC pressionou e fez o preço subir a um montante que a NetApp não pudesse mais se manter na disputa.

8. Emerson-Avocent: US$ 1,2 bilhão - A Emerson estende suas operações de computação com a adição da Avocent, que concebe software, hardware e tecnologias integradas destinadas à simplificar a gestão de centros de dados complexos. A Emerson a firma que a Avocent e as tecnologias de monitoramento são complementares aos seus próprios produtos, À gestão energética e aos sistemas de refrigeração. Assim, pode ajudar os clientes a resolver o problema crescente de ineficácia energética. A aquisição, que permitirá também aumentar a capacidade da Emerson no mercado de comutação KVM.

9. IBM-SPSS: US$ 1,2 bilhão A IBM gastou mais de US$ 1 bilhão para desenvolver sua capacidade de análise, com SPSS e suas ferramentas de análise preditiva que ajudam as empresas a explorar dados profissionais históricos e identificar as tendências futuras. A compra não é mais do que a última etapa na estratégia da IBM de reforçar sua gama de ferramentas de análise. Antes a Big Blue havia adquirido a tecnologia de descoberta de dados da Exeros e pago US$ 5 bilhões pela Cognos, especializada em Business Intelligence.

10. Ericsson - ativos wireless da Nortel Networks: US$ 1,13 bilhão A Ericsson, fabricante líder no segmento de redes, criou uma guerra de ofertas sobre os ativos sem fio da Nortel Networks, sobretudo contra a as ofertas da Nokia Siemens Networks, a MatlinPatterson e Research in Motion. Mais precisamente, a Ericsson ficou com o CDMA e a LTE o que permitirá a companhia sueca reforçar presença na América do Norte. Os clientes da Nortel na América serão de agora em diante fornecidos pela Ericsson, o que inclui Verizon Wireless, Sprint, US Cellular, Bell Canada, Leap e Telus. Por causa da compra da Nortel e de outros acordos estratégicos, a Ericsson terá 14 mil empregados e US$ 5 bilhões em receitas na América do Norte.

16 dezembro 2009



07 dezembro 2009

Anunciada a fusão do Grupo Pão de Açúcar e Casas Bahia.

O novo gigante no comércio de bens duráveis com um faturamento bruto de R$ 18,1 bilhões, contará com 1.015 lojas, 68 mil funcionários, 43 centros de distribuição e presença em 18 estados e deverá atender todas as classes sociais, de A, a mais alta, à E, a menor. Os supermercados foram excluídos dessa associação. O faturamento anualizado do Grupo Pão de Açúcar (2008) com Ponto Frio e Casas Bahia é de cerca de R$ 40 bilhões.

A expectativa é de que as sinergias entre o Grupo Pão de Açúcar e a Casas Bahia girem em torno de R$ 2 bilhões. A competitividade da nova empresa acontecerá em termos de centralização do poder de compras com os fornecedores; a integração dos centros administrativos, logísticos e de Tecnologia da Informação (TI); unificação das plataformas de e-commerce; ganhos de escala com propaganda; e potencialização dos serviços financeiros. Existem cerca de 100 lojas da Casas Bahia e do Ponto Frio que são conflitantes, em uma mesma rua ou shopping center e há a possibilidade, de quando estiveram localizadas em imóveis contíguos, de serem unificadas, adotando uma marca ou outra, conforme o público do local.

A operação vai dividir as Casas Bahia em duas subsidiárias: uma delas ficará com todos os imóveis de propriedade da empresa (estimados em R$ 2 bilhões), 75% da fabricante de móveis Bartira (que valem cerca de R$ 240 milhões), uma parcela da carteira de crédito no valor de R$ 1,067 bilhão e outros ativos não operacionais avaliados em R$ 200 milhões. Estes ativos ficarão com a família Klein. Além disso, a companhia vai transferir uma dívida de curto prazo com fornecedores, de R$ 950 milhões, para a nova empresa. Farão parte da segunda subsidiária, além deste débito, os ativos operacionais, os 25% restantes da Bartira, contratos de locação e de fornecimento de móveis. Essa empresa, chamada de Nova Casas Bahia, se juntará aos ativos de Ponto Frio e Extra Eletro para o nascimento da nova companhia.

O patrimônio da nova empresa a ser formada está avaliado em R$ 3,8 bilhões. Pão de Açúcar vai deter 51% de participação (R$ 1,93 bilhão), contra 49% das Casas Bahia (R$ 1,86 bilhão).

Esta associaçao reforça a tendência de fusões e aquisições por parte dos concorrentes. Novas fusões no varejo deverão ocorrer nos próximos meses envolvendo redes regionais. Entre os pricipais players estão a redes Lojas Americanas, Magazine Luiza, Carrefour e Walmart.

07 dezembro 2009



20 novembro 2009

Consolidação do setor de planos de saúde


Com a compra da Medial Saúde pela Amil, no mercado de planos de saúde, é dado mais um grande passo no processo de consolidação no setor. Esta aquisição foi a sexta realizada pela Amil nos últimos dois anos. Inclusive, os negócios mais relevantes do setor nos últimos cinco anos foram protagonizados pela Medial, ao comprar a Amesp, e pela Amil, ao adquirir a Amico e a Blue Life. Segundos dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), 2,7 mil companhias operavam na área de planos de saúde no começo da década. No 1º semestre/09, esse número foi reduzido para 1.723 empresas.

Após a aquisição, a participação de mercado da Amil em São Paulo passará de 7,9% para 15,1% e no Brasil irá de 6,2% para 10,1%, com um total de 4,2 milhões de beneficiários em planos de saúde e 986 mil beneficiários em planos dentais.

O preço de aquisição das ações a ser pago pela Amil aos acionistas controladores da Medial Saúde foi fixado em R$ 612 milhões. Irá ainda apresentar proposta para adquirir até a totalidade das ações da Medial de titularidade de seus demais acionistas, em igualdade de condições, inclusive preço, àquelas acordadas com os acionistas controladores da Medial Saúde. (TAG ALONG).

As operações possuem potenciais de sinergias nas áreas médico-hospitalares, despesas administrativas, marketing e comerciais.

20 novembro 2009



28 outubro 2009

Valor da empresa: apetite & “valuation”

Para a tradicional questão sobre o real valor da empresa, é oportuna a declaração do CEO da Google, Eric Schmidt, sobre o valor pago pela aquisição do You Tube.

O “valuation” para a You Tube indica um valor entre US$ 600 milhões e 700 milhões. Mas acabou pagando US$ 1,65 bilhão, cerca de três vezes mais. Segundo Eric Schmidt , a dinâmica, o preço, lembre-se, não é dado pelo julgamento ou pelo modelo financeiro ou fluxo de caixa descontado. É pelo que as pessoas desejam pagar. E nós concluímos que US$ 1,65 bilhão incluía um prêmio por movimentar-se rapidamente e ter certeza que nós participaríamos do sucesso do You Tube.
"In the deal dynamics, the price, remember, is not set by my judgment or by financial model or discounted cash flow. It's set by what people are willing to pay." -Eric Schmidt http://news.cnet.com/8301-31001_3-10360384-261.html

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Publicado pela CRN BUSINESS SCHOOL - Edição outubro/2009, Livro sobre Os Melhores Conceitos E Práticas de Gestão, Marketing E Vendas À Sua Empresa.
O Módulo 10 -  FUSÃO, AQUISIÇÃO E ALIANÇAS ESTRATÉGICAS, é de autoria de RUY MOURA.









28 outubro 2009



27 outubro 2009

Índice Bovespa versus Índice de M&A


A recente pesquisa da Deloitte referente às operações de fusões e aquisições no mercado brasileiro, no terceiro trimestre de 2009, aponta para um cenário de retomada de investimentos e novas oportunidades de negócios.

Se compararmos os indicadores da referida pesquisa com o índice BOVESPA, (clique no quadro para ampliar) para o mesmo período, constata-se uma simetria notável entre os dois gráficos.

Os sinais de crescimento do mercado interno, aliado a estabilidade da economia, com o certificado de "grau de investimento" pelas três principais agências de risco estão sinalizando promissoras perspectivas para os próximos anos. E isto sem falar sobre os investimentos esperados com a exploração do pré-sal, Copa do Mundo e Jogos Olímpicos.

Estes sinais estão influenciando e antecipando significativamente a retomada do interesse dos investidores em consolidações empresariais. A necessidade de se ganhar musculatura mediante fusões e aquisições em muitos setores ainda pulverizados, é uma das mais rápidas forma de tornarem competitivos globalmente.

27 outubro 2009



29 setembro 2009

O pior já passou.

Notícias envolvendo fusões e aquisições deram novo impulso para as bolsas americanas, européias e brasileira.

Nas últimas semanas, vários analistas da área de fusões e aquisições do setor de tecnologia, vem percebendo uma mudança no estado de espírito do mercado. As companhias de tecnologia estão acelerando a realização de negócios depois de um ano tranquilo. A Xerox anunciou a compra da Affiliated Computer Services por 6,4 bilhões de dólares, gerando expectativas de uma nova onda de fusões e aquisições, depois de estas operações terem crescido ao ritmo mais lento dos últimos anos.

O aumento dos negócios é sinal de uma mudança mais ampla: a tomada de riscos está voltando ao setor tecnológico. Toda essa atividade está sendo conduzida por uma idéia central: o pior da recessão já passou e é hora de se preparar para tempos melhores. Especialistas afirmam que muitas companhias adiaram os investimentos em tecnologia durante a recessão e agora deverão acelerar as aplicações para gerar ganhos de produtividade vitais para os lucros. De acordo com algumas projeções, os investimentos do setor tecnológico nos Estados Unidos vão aumentar significativamente nos próximos anos, depois de uma queda de 10% prevista para 2009. Estão no ponto de virada para o setor de tecnologia. Se isso for verdade, é um bom presságio para a economia como um todo.

Segundo alguns analistas muitos outros setores importantes da economia, incluindo o financeiro e o imobiliário, continuam com problemas e que o mercado de tecnologia é um dos poucos que pode sustentar a recuperação dos EUA. Além disso, como os gastos do consumidor deverão permanecer fracos, o crescimento econômico vai depender dos investimentos das companhias e das exportações, duas áreas conduzidas pela tecnologia.

Banqueiros, investidores e executivos do setor de tecnologia afirmam que é quase certo que mais negócios vêm por aí. Muitas companhias do setor contam com balanços fortes e caixa para financiar aquisições. Os mercados de crédito estão melhorando, o que deverá lubrificar o fluxo de negócios.

E mais importante: compradores e vendedores estão tendo mais facilidade para acertar os preços. Hoje, os compradores querem fechar negócios antes que os preços dos ativos subam ainda mais. Agora que as avaliações voltaram um pouco, as percepções de valor dos compradores e vendedores estão um pouco mais alinhadas. Analistas apontam para outros segmentos além do setor de tecnologia, que parecem maduros para fusões e aquisições. As companhias de tecnologia estão realmente em busca de negócios. Há muita demanda reprimida.
O recente otimismo começa a se espalhar para outros segmentos da economia. Lentamente, mas com confiança, isso vai se espalhar pela economia.

No Brasil os negócios em TI agregam um viés adicional ao seu crescimento, por conta do desdobramento das exigências legais do SPED contábil, fiscal e nota fiscal eletrônica, aquecendo mais ainda a demanda por estes serviços.

29 setembro 2009



17 setembro 2009

2009 - ano da consolidação do setor de proteína animal.


Em 2009 será marcado como o ano da consolidação o setor industrial de proteína animal no Brasil. E três fusões serão os símbolos desse processo: JBS & Bertin, Sadia & Perdigão e Marfrig & Seara.

JBS se tornou a maior empresa de processamento de proteína animal do mundo a partir do anúncio, em set/09, de sua associação com a Bertin e a aquisição da Pilgrim's Pride nos Estados Unidos. A Bertin conta com 38 unidades produtivas no Brasil e no exterior e capacidade de abate de 16,5 mil cabeças/dia, atuando em mais de 110 países. A empresa JBS comprou também 64% da Pilgrim's Pride por 2,8 bilhões de dólares, com isso a empresa brasileira entra no setor de carne de frango, adquirindo uma das maiores companhias norte-americanas do segmento avícola, com capacidade instalada de processar cerca de 4,1 milhões de toneladas de frango por ano. A Pilgrim's Pride possui 33 unidades de processamento nos EUA, três de processamento no México e uma em Porto Rico. Após o anúncio a JBS passa a acumular uma receita líquida de US$ 26,7 bilhões, 2,4 vezes maior do que da BRF, que uniu num mesmo grupo Sadia e Perdigão.

E em maio/09, foi anunciada a fusão entre Sadia e Perdigão criando uma das maiores empresas de alimentos das Américas, sob o de nome Brasil Foods. O faturamento anual consolidado das duas companhias é de R$ 22 bilhões. Em 2008, somados, os abates de bovinos e suínos de Sadia e Perdigão chegava a 39,3 mil cabeças por dia.
O Marfrig em set/09 compra a Seara por 900 milhões de dólares. O aumento da capacidade do Marfrig, atualmente tem 59 plantas de produção distribuídas em nove países, com a operação chega a 70% no processamento diário de aves e a mais de 135% no de suínos. Após a integração da produção, o frigorífico será capaz de processar diariamente mais de 21.000 cabeças de bovinos, cerca de 2,9 milhões de aves e aproximadamente 10.400 cabeças de suínos. O negócio com a Seara envolve as áreas de aves, suínos e produtos industrializados, que tem faturamento líquido anual de US$ 1,7 bilhão. Já o guidance da Marfrig para 2009, projeta uma receita liquida em torno de R$ 11,0 bilhões.

17 setembro 2009



05 setembro 2009

Os vetores dos novos tempos

Estamos no limiar de um novo tempo para cenário econômico brasileiro. Tempo de um Brasil competitivo e moderno em termos de gestão.

Vem se juntar às principais ondas de gestão na história recente do país, como a implantação do Plano Real e o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Ambos com profundas mudanças na cultura empresarial e com dramáticas conseqüências para muitos que não conseguiram compreender a tempo as novas mudanças.

Trata-se do SPED – Sistema Público de Escrituração Digital, pelo qual todos os compromissos das empresas com o Fisco serão feitos de forma eletrônica. E entre seus principais componentes estão a Escrituração Contábil Digital (ECD), como substituição dos antigos livros de escrituração mercantil, por seus equivalentes digitais transmitidos eletronicamente; e a mais conhecida, a Nota Fiscal Eletrônica (NFE), que foi o primeiro subproduto do SPED a ser implantado. Entrarão em vigor também a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-E), o Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-E) e a Central de Balanços.

Em resumo, os Governos terão como saber nos mínimos detalhes absolutamente tudo o que acontece em cada empresa, pois estas informações serão compartilhadas pela União, Estado e Municípios. Vale lembrar, por oportuno, que ao SPED se junta à DIMOF (Demonstrativo e Informações das Movimentações Financeiras), que é uma série de dados sobre o movimento financeiro da empresa que os bancos são obrigados a fornecer ao Fisco.

Este conjunto inovador de melhorias de ordem tributária será o vetor determinante da primeira camada de quebras de paradigmas em toda a economia brasileira. Trará melhorias de processos, especialmente para as pequenas e médias, reduzindo as fraudes, maracutais e o “jeitinho”, além de criar melhores condições de o fisco acompanhar as informações tributárias.

E isso tudo em alta velocidade. Por conseqüência, muitas empresas que não conseguirem se adaptar a este novo cenário, ou mesmo demorarem para entender as consequências estarão fadadas ao encerramento de suas atividades.

Segundo algumas estimativas, considerando as adesões obrigatórias e voluntárias, aproximadamente 100 mil empresas estarão fazendo parte do SPED ainda 2009.

Sobe para cerca de 300 mil companhias em 2010.

Este número poderá alcançar a 1,5 milhão em 2011.

E até 2014, a expectativa é de que mais de três milhões de empresas serão obrigadas a aderir ao SPED.

As mudanças não são somente em relação à sonegação, cultura e segurança do papel, retrabalho e correção de erros, transparência, etc., mas sobretudo para o Brasil moderno, ágil e competitivo. E é um grande passo para se criar as bases para a redução de carga tributária decorrente do círculo virtuoso de uma maior base de contribuintes, com menos sonegação e mais arrecadação, possibilitando menor carga tributária e mais contribuintes.

Muitas empresas, em todos os setores da economia, serão compulsoriamente levadas a buscar a maior competitividade devido à diminuição da concorrência desleal por conta da sonegação (que por sua vez decorre também da elevada carga tributária), e estarão se reestruturando para a utilização rapidamente de novos conceitos e ferramentas tecnológicas.

Na sequência vêm as demais transformações.

No topo da pirâmide está o IRFS International Financial Reporting Standards para as grandes - e depois às médias - estima-se em cerca de 500 empresas enquadradas. No caso do IRFS será a sofisticação do sistema em termos de governança, transparência, consistência, risco, gestão, etc, que servirá de benchmark para todos os demais (a aderência ocorre na cadeia produtiva por parte de exigência dos grandes, tal qual já em acontecendo com o ISO 9000 , ISO 14000). A propósito, em julho de 2009, o Comitê de Normas Internacionais de Contabilidade (IASB) emitiu princípios do IFRS específicos para pequenas e médias companhias. A partir de agora, adotar o padrão internacional de contabilidade IFRS não precisa mais ser coisa só para os grandes. Lembro, que no Brasil, a adoção do IFRS integral é obrigatória, Lei 11.638, de dez/2007, para as companhias abertas e também para as fechadas de grande porte. Elas deverão apresentar seus balanços consolidados de acordo com o padrão internacional.

Em seguida vêm as demais camadas e, em todas, teremos a tecnologia da informação permeando todos os segmentos e processos, sobressaindo-se as demandas relacionadas com:

  • ERP - sistema de informação que integra todos os dados e processos de uma organização em um único sistema: finanças, contabilidade, recursos humanos, fabricação, marketing, vendas, compras, etc
  • SAAS - Software como um Serviço/ cloud computing – compartilhamento de ferramentas computacionais pela interligação dos sistemas, semelhantes as nuvens no céu, ao invés de ter essas ferramentas localmente (mesmo nos servidores internos)
  • Datacenter/web hosting/segurança;
  • Relacionamentos eletrônicos entre empresas (B2B);
  • Plataforma de pagamentos on-line, serviços de meios de pagamento B2B e B2C via celular, integração entre loja virtual e as instituições financeiras;
  • Business Inteligence- BI;
  • Logística operacional – frete, seguro, armazenagem, que estão umbilicalmente vinculados a nota fiscal eletrônica. Monitoramento do trânsito de mercadorias no país por intermédio de RFID - tecnologia de Identificação por Radiofreqüência e de comunicação sem-fio – garantindo a operacionalidade em toda a cadeia produtiva.
  • Aperfeiçoamento dos processos internos e ferramentas de gestão para pequenas e médias apreendendo novas tecnologias em sistemas de gestão;
  • GED Gerenciamento eletrônico de documentos – digitalização/gestão docs;
  • Ferramentas para pequena e micro empresas disponibilizados por portais, facilitando sua interatividade na cadeia produtiva com novas tecnologias para o aperfeiçoamento dos seus processos e ferramentas de gestão, etc. Vale lembrar a recente lei do microempreemprendedor individual que se propõe retirar da informalidade, em um ano, cerca de 1,1 milhão de pessoas.
  • Desdobramento do TISS (Troca de Informação em Saúde Suplementar) estabelecido Agência Nacional de Saúde ANS no setor de saúde: operadoras de saúde e prestadores de serviços médicos e odontológicos – cuja evolução tende para a adoção do sistema de informação para Registro Eletrônico de Saúde, que armazena e gerencia todas as informações de saúde de cada beneficiário;
  • E uma infinidade de novas demandas, que ainda não foram estruturadas, mas surgirão com a segunda onda, após o Sped ter permeado e inter-relacionado todos os segmentos econômicos, que deverá ocorrer nos próximos 2 ou 3 anos.

E todas estas demandas estarão influenciando fortemente novos investimentos no mercado de TI e, sobretudo, estimulando o movimento de novas fusões e aquisições em todos os segmentos e portes do setor.

05 setembro 2009



04 setembro 2009

10 principais riscos globais

Nenhuma companhia, indústria ou país está imune ao atual período de agitação econômica. Danos à reputação impactam a percepção do público quanto à qualidade, integridade e intenção de uma organização, influencia a decisão de um parceiro ou cliente em negociar com uma firma e pode afetar a decisão de um governo ou regulador em autorizar as ações de determinada companhia.

Estas afirmações foram detectadas no Estudo Global de Gerenciamento de Riscos, realizado pela Aon Risk Services, que captura as perspectivas dos profissionais líderes de risco.“O principal risco apontado pelos tomadores de decisão que participaram da pesquisa é sem dúvida a recessão econômica. Esse risco impacta diretamente todos os outros citados no estudo”, destacou Matthew Horwitch, COO da Aon Corporation. “O grande desafio das corporações atualmente é fazer mais com menos. Os riscos deixaram de ser uma preocupação exclusiva dos departamentos de gerenciamento de riscos, mas sim de toda a empresa, com envolvimento direto de conselhos e diretoria. Estamos em uma época difícil, porém é, sem dúvida, o melhor momento para entender os riscos de negócios e tratá-los de forma pró-ativa. Esse será o diferencial das organizações que irão irão liderar a saída da atual recessão econômica”, completa.

Veja quais são os 10 principais riscos globais identificados na pesquisa:

1 - Recessão econômica
2 - Mudanças regulatórias/legislativas
3 - Interrupção dos negócios
4 - Aumento da competição
5 - Risco no preço das commodities
6 - Danos à reputação
7 - Fluxo de caixa/risco de liquidez
8 - Falha na distribuição ou na cadeia de suprimentos
9 - Confiabilidade de terceiros
10 - Falha em atrair ou manter talentos

04 setembro 2009



Economia global voltará a crescer no 1º semestre de 2010

Em recente estudo com 500 dirigentes de empresas de 45 países realizado pela Cook International, mostra que, na opinião dos gestores, a economia global voltará a crescer com mais força no primeiro semestre de 2010. A Ásia, porém, será a grande responsável por isso, seguida de América do Norte e Europa.

Tecnologia e bens de consumo são os setores mais cotados na opinião dos CEOs para liderar essa retomada. Os investimentos em tecnologia não pararam, especialmente na parte de infraestrutura. Na verdade, eles até aumentaram na crise, pois a tecnologia ajuda as empresas a conseguirem soluções mais eficientes e com menos custo. Além disso, os países emergentes têm um grande mercado na área, com uma classe consumidora de poder aquisitivo maior do que no passado.


Quando a retomada ganhar força, os CEOs entrevistados já sabem onde acontecerá o maior número de contratações: nas áreas de inovação e vendas. De acordo com a especialista, esse é um movimento típico pós-crise. Na turbulência, a preocupação dos gestores se volta para funções financeiras com corte de custos e maior controle do orçamento. Depois, o foco passa a ser a área comercial, pois é o momento de a empresa voltar a crescer. Isso só se torna possível quando ela lança produtos e aumenta as vendas.



05 agosto 2009

Fusões no mercado de tecnologia vão se acelerar.

O negócio entre Sun e Oracle, anunciado em abril, e o avanço da IBM sobre o mercado de Business Intelligence (BI), com a recente compra da fabricante de software SPSS, somada à aquisição, em 2008, da desenvolvedora Cognos, são o início de uma onda de fusões que deve prosseguir no mercado de tecnologia da informação (TI). A análise é do sócio e responsável mundial pela área de TI da consultoria Everis, Manuel Carlos Alcoba González.

Para o executivo, a consolidação do número de fornecedores de tecnologia ficará ainda mais intensa nos próximos anos. Um dos motivos, explica, é a crise econômica mundial – que derruba preços de empresas e se mostra como oportunidade para a realização de negócios.
Um segundo aspecto indicado por Gonzáles é a própria demanda dos clientes, que preferem e buscam por soluções integradas e mais complexas. “Eles procuram produtos bons e maduros, e não mais aqueles que têm potencial”, afirma.

05 agosto 2009