23 fevereiro 2018

Por que a Boeing quer a Embraer?

Fabricante americana busca parceria para entrar em mercado de jatos regionais, em que a empresa brasileira é líder. Muitas incertezas, porém, rodeiam possível acordo.

Embraer e a Boeing estão em conversações a respeito de uma potencial combinação de seus negócios. A união entre as empresas brasileira e americana seria uma resposta à europeia Airbus, que comprou em outubro a participação majoritária (50,01%) do programa da canadense Bombardier chamado C-Series, que produz aviões de médio alcance para entre 70 e 130 passageiros, exatamente o segmento dominado pela Embraer.

O interesse da Airbus e Boeing, líderes mundiais na fabricação de aviões com mais de 100 lugares, de entrar neste mercado de jatos regionais está alinhado a uma nova tendência mundial de oferecer uma família completa de aeronaves aos clientes. Isso permite a elas negociar contratos maiores, exclusivos e com melhores condições. Em 2017, a Airbus recebeu 1.109 pedidos, contra os 912 da Boeing. Já quanto às entregas, a americana liderou com 763 em comparação aos 718 da europeia.

Com a brasileira ao seu lado, a Boeing poderá entrar no segmento de aviões regionais para fazer frente à Airbus-Bombardier e lutar palmo a palmo também pela liderança deste mercado. A Embraer já possui um produto altamente competitivo:  os jatos regionais E-Jets, e a segunda geração deles, os E2, que está em fase de certificação.

"A parceria entre canadenses e europeus reforça ainda mais o interesse da americana pela Embraer”, diz Marcos José Barbieri Ferreira, economista da Unicamp e especialista em indústria aeroespacial.
A americana também está de olho na estrutura produtiva da Embraer, privatizada em 1994 no governo Itamar Franco e que se tornou a terceira maior fabricante de aviões do mundo. A Boeing poderá usar as fábricas para verticalizar sua produção,  ou seja , produzir ela mesma partes dos aviões que são, atualmente, compradas de terceiros. Essa intenção, revelada em 2016, reduziria a dependência de fornecedores, além de aumentar os lucros ao se apropriar dos ganhos na cadeia produtiva.

A Boeing poderá ainda absorver a capacidade e know-how da Embraer no desenvolvimento de novas aeronaves. A brasileira praticamente encerrou os projetos da nova linha regional E2, do cargueiro militar KC-390 e da família de aviões executivos Legacy.

"A Embraer tem uma capacidade de desenvolvimento que é invejada por outros players mundiais. Desta maneira, a Boeing busca absorver esta capacidade para auxiliar no desenvolvimento de suas próprias aeronaves”, diz Ferreira.

Possíveis acordos
Desde que o jornal americano The Wall Street Journal vazou as intenções da Boeing de comprar a Embraer e pegou de surpresa o governo federal, políticos em Brasília vinham afirmando categoricamente que não pretendiam vender o controle da brasileira. Em entrevista à imprensa brasileira, o presidente Michel Temer disse que "o controle continua com o poder público federal”.
Apesar de a Embraer ter sido privatizada em 1994, o governo brasileiro possui uma "golden share”, ação que dá direito a veto, por exemplo, à transferência do controle acionário da empresa. As ações estão pulverizadas entre diversos acionistas, entre eles, os nacionais BNDES Participações (com 5,4%) e o fundo de pensão do Banco do Brasil, a Previ (4,8%); além dos internacionais Brandes Investments Partners (15%), Mondrian Investments Partners (10%) e Blackrock (5%).

Para Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da FGV, poucos governos no mundo abririam mão de uma empresa como a Embraer que tem grande importância estratégica e que produz aviões militares.

"Quando outra nação compra aviões militares da empresa, isso automaticamente tem uma conotação geopolítica importante e implica numa parceria de longo prazo com Brasília. Por exemplo, quando os EUA vendem caças, eles podem, num conflito, cortar o envio de peças, o que gera uma situação de dependência”, comenta.

Com a posição negativa do governo federal de a Embraer se tornar uma subsidiária da Boeing, a americana teve que fazer uma nova proposta. Especula-se que gigante queira criar uma nova empresa, que abarcaria toda a área de aviação comercial da brasileira, e controlaria de 80% a 90% das ações. Além de ter a participação minoritária da nova companhia, a Embraer manteria a área de defesa, uma das exigências de Brasília, que quer manter o setor sob controle nacional.
Influência das Forças Armadas

Para Ferreira, a Embraer terá muitas dificuldades se a Boeing ficar com a área de jatos comerciais e a parte de defesa permanecer com a brasileira, já que este último setor não se sustenta sozinho. Como exemplo, o especialista em indústria aeroespacial cita as grandes empresas – como Airbus e Boeing – que desenvolvem e fabricam aviões civis e militares, além de sistemas de defesa e radares, para ganhar escala.

"A área de defesa traz novas tecnologias. Já a comercial gera escala e rentabilidade. Se eu vender uma parte, a outra não se manterá a longo prazo”, sublinha Ferreira. "E a venda do controle não é vantajosa, pois a Embraer deixaria de existir como empresa global e seria se transformaria numa subsidiária, o centro de decisões iria para o exterior. E isso poderá afetar principalmente a parte de desenvolvimento de aviões, que possivelmente seria absorvida pela Boeing.”

Como alternativa à sua venda e à criação de uma terceira empresa, a Embraer poderia fazer uma aliança estratégica que não envolva o controle da empresa. E, como líder mundial no segmento de jatos regionais, a brasileira teria cacife para isso. Como exemplo, o Brasil fechou a compra de 36 caças Gripen NG, da sueca Saab, e 15 deles serão fabricados no Brasil pela Embraer como parte do processo de transferência de tecnologia previsto no contrato.

"Se a Embraer não conseguir fechar um acordo com a Boeing, ela até mesmo poderá perder mercado e, sem dúvida, terá uma concorrência maior para enfrentar, principalmente se a americana entrar no segmento de jatos regionais sozinha”, explica Ferreira. "Mas nada impede a brasileira de fazer acordos com outras empresas. Afinal, se ela tem ativos tão bons aos olhos da Boeing, por que não fechar uma aliança com as condições dela com outras companhias?”

Já Stuenkel lembra que muitos detalhes ainda precisam ser alinhados. Como se trata de um setor com grande importância política e a empresa tem uma importância econômica e no imaginário brasileiro, o governo brasileiro poderá bloquear a transação.

"Acho difícil ter um acordo antes das eleições, pois ele seria explorado pela oposição. Além disso, a concretização do negócio não depende só de Temer, mas das Forças Armadas que podem bloquear uma possível união”, opina. Leia mais em dw 23/02/2018

23 fevereiro 2018



Jardim Botânico enfrenta os temas espinhosos (e as ervas daninhas)

Na hora de investir, sintonizados com Larry Fink

Quando as ações da Petrobras implodiram no Governo Dilma, os fundos da Jardim Botânico Investimentos saíram ilesos. Quando o grupo EBX entrou em colapso, a mesma coisa. E quando a JBS se viu no centro dos eventos que abalaram a República, a JBI assistiu de camarote.

No País da Lava Jato e de uma série de abusos contra minoritários, a JBI é uma das poucas gestoras que só compra empresas que passam por um filtro de governança rígido — e implementa este princípio a ferro e fogo.

Fundada há 15 anos pelo ex-presidente da CVM José Luiz Osório e hoje com R$ 350 milhões de patrimônio, a gestora tem um funil de governança que analisa o alinhamento entre controladores e minoritários e faz um escrutínio detalhado de itens como remuneração dos executivos e transações entre partes relacionadas, num trabalho que vai muito além da checklist estabelecida pelos níveis de governança da B3.

Agora, a Jardim Botânico está começando a adotar também critérios sociais e ambientais seguindo a cartilha ESG — sigla para 'environmental, social and governance' — o que a coloca na vanguarda de um movimento que começa a ganhar corpo entre investidores europeus e endowments americanos.

No mês passado, o CEO da BlackRock enviou uma carta pública aos CEOs de empresas listadas. Daqui em diante, disse Larry Fink, a maior gestora do mundo estará mais atenta ao impacto que suas empresas investidas têm sobre o mundo. “A sociedade exige que empresas, tanto públicas quanto privadas, atendam a um propósito social,” escreveu.

Fink disse que o fracasso dos governos em preparar as pessoas para o futuro — em assuntos que vão da previdência social à infraestrutura, da automação à reciclagem profissional — está levando a sociedade a buscar respostas e soluções junto ao setor privado.

“Para prosperar, cada companhia terá que entregar não apenas performance financeira, mas também mostrar como faz uma contribuição positiva para a sociedade. As empresas têm que beneficiar todos os seus stakeholders, incluindo acionistas, funcionários, clientes e as comunidades onde operam.”

A JBI é signatária do Principles for Responsible Investment (PRI) — a cartilha para investimentos responsáveis da ONU — e investe recursos da gestora francesa Sycomore no Brasil. Cerca de 85% de seus investidores são internacionais.

O Brazil Journal conversou com Osório e seu sócio, Eduardo Rezende.

Os critérios sociais e ambientais estão ganhando força mesmo, ou se trata de uma moda?

Osório: Não achamos que seja um modismo. Na Europa, é praticamente uma exigência que os fundos tenham essa preocupação na sua filosofia. Os endowments estão ficando com essa preocupação também. Nesses critérios de ESG, uma de nossas funções é, quando um analista ou sócio sentar com o investidor, fazer perguntas sobre isso.

Como vai funcionar o filtro pelos critérios ESG?

Osório: Estamos na fase de final de elaboração do modelo: serão seis itens para avaliar critérios de sustentabilidade ambiental e quatro para questões sociais. As respostas a esses itens vão gerar um ranking. Empresas com avaliação pior que a média terão um limite máximo de percentual de alocação, ou poderão ser eliminadas do universo de potenciais investidas.


Mas se a empresa não atender a todos os critérios, vocês não vão comprar a ação?

Rezende: O filtro de governança é o único que a gente usa como filtro negativo. Nos outros dois [ambiental e social], o que vai acontecer é que, a não ser que seja uma coisa muito radical, a gente vai ponderar. Imagine um caso em que o Ministério do Trabalho puniu a empresa. Vamos ver o que de fato aconteceu: se foi alguma coisa muito grave, uma coisa recorrente. Se foi um caso pontual e o cara já corrigiu, tudo bem. Mas se for recorrente, o cara vai ser eliminado.

Qual o papel dos investidores em exigir ética das empresas?

Rezende: Os investidores são os grandes mobilizadores de capital do mundo. Não são os bancos, com seus critérios de crédito. Os investidores institucionais, os fundos de investimento, eles também têm responsabilidade de como o capital vai ser alocado e como isso vai ser alocado em prol ou em prejuízo da sociedade. Se você investe numa empresa que polui, você não pode dizer depois que é a favor do meio ambiente.

Diversas empresas com problemas claros de governança, como a JBS e a Petrobras, tiveram um bom desempenho recentemente. Não é complicado mantê-las fora da carteira?

Osório: É uma questão de princípio, mas governança vem de uma história de preservação de capital também. Não adianta você colocar dinheiro numa empresa arriscada para ganhar muito mais. Você evita uma perda de capital. Por exemplo, a OGX hoje vale zero. Esses filtros que a JBI usou foram importantes para evitar problemas com empresas que se tornaram 'cases', como a JBS. Nunca teve JBS na carteira da JBI, o escândalo da Petrobras passou incólume, a mesma coisa para a Eletrobras.

O pessoal fala, volta e meia, que Petrobras está barata, negociando com desconto. Não importa. A gente não quer entrar numa empresa que, mudando as pessoas, pode mudar a forma como vão tocar a empresa daqui para a frente. O Pedro Parente e todo o conselho da Petrobras estão fazendo um trabalho excepcional, mas ele não determina toda uma cultura empresarial, o poder dele vai até um certo limite.

Há quem diga que é melhor entrar numa empresa com problemas e ajudar a melhorá-la do que ficar de fora. O que vocês acham?

Rezende: Isso é verdade para um contexto americano e europeu, onde você tem uma posição que faz a diferença, numa corporation. Se você quer de fato mudar por dentro, tem que ter poder econômico para dizer o seguinte: 'se você não quiser mudar, eu vou juntar um grupo e vou tirar você'. No Brasil, é muito difícil. E mesmo numa corporation, o management às vezes é muito forte -- e isso é uma questão de governança mais importante até, porque o management não tem um stake tão grande mas manda muito mais que os outros, domina o conselho.

Até que ponto vocês de baseiam nos níveis de governança da B3? Uma companhia estar no Novo Mercado é, de fato, sinal de boa governança?

Osório: Tem empresas que podem estar no Novo Mercado e que a gente não gosta, que têm questões societárias. E empresas que estão no nível tradicional e que a gente investe porque gosta. OGX, por exemplo, era Novo Mercado e todas as X. E acabou tendo um problema de governança seríssimo.

Rezende: É difícil para a B3 e o Novo Mercado exigir demais, senão você barra as empresas. Aí é um trabalho nosso. A questão da remuneração, por exemplo. Não é a Bolsa que tem que mexer. Somos nós que temos que exigir. Ver se faz sentido o percentual de variável, de fixo. O que eles têm que exigir é transparência, é a primeira coisa. Equidade é uma coisa que tem que ter, mas equidade cada um tem a sua. O que é justo para um não é justo para outro. Aí o gestor tem que ser responsável, avaliar, que é o nosso trabalho ex ante.

Como o histórico brasileiro é muito ruim, tivemos que ter um período mais restrito, menos flexível, com a criação do Novo Mercado, para criar essa ideia de governança. Mas daqui a pouco vai começar a ceder um pouco. No fim do dia, eu posso chegar e falar: eu quero que o David Neeleman tenha mais ações que eu, quero que ele toque esse negócio aí porque eu não sei tocar não. Eu aceito receber um tag along mais baixo e um dividendo mais alto. A escolha é minha como investidor. Lá fora é isso, é aberto, um contrato entre duas partes.

Quais são os pontos mais sensíveis quando falamos em governança?

Rezende: Partes relacionadas em geral, remuneração. Quando a gente olha uma empresa, o que é comum? Uma remuneração fixa do conselho, independentemente se o EBITDA subiu ou caiu 50%. Isso é justo? Por que o conselho também não sofre com a má performance da empresa? Tem também a questão dos conselheiros independentes. Como você determina quem é o conselheiro independente? Pra mim, o cara que já está lá há 10 anos não é independente mais. Tem que analisar e conhecer cada empresa muito de perto.

Como está o portfólio de vocês hoje?

Rezende: Nossa principal posição é Itaúsa, por causa do Itaú. A gente acha que o ROI deles ainda é muito alto. Eles estão ganhando ainda mais mercado, acho que o crédito volta a subir razoavelmente neste ano. Temos Pão de Açúcar, que sofreu por um bom tempo, mas estão aí, recuperando mercado. Acho que eles fizeram uma reestruturação correta. E a gente tem um pouco de Via Varejo. Somando os dois é a nossa segunda maior posição. BRF é a terceira, caiu muito mas aproveitamos para comprar, porque o ciclo está voltando. As pessoas estão olhando com pessimismo, mas todos os fundamentos estão lá.

Aí temos alguns outros nomes menores, como Hermes Pardini. A gente tinha Fleury, mas vendemos e compramos Pardini com desconto. Acho que tem mais crescimento e é uma ótima empresa num setor que cresce. A gente tem ainda Marcopolo na carteira; Tegma que subiu bastante e a gente mantém. Compramos Fibria no ano passado quando vimos que acabou a construção de Horizonte II no momento em que o mercado começou a subir. E a gente acha que pode ter uma fusão. Houve um movimento bem explícito de namoro entre Suzano e Fibria. [Nesta semana, as duas empresas confirmaram que estão em negociações] Geraldo Samor e Natalia Viri Leia mais em braziljournal 23/02/2018




Bitcoin, uma tecnologia à procura de um produto

O ‘blockchain’ fará parte do futuro, embora ainda não saibamos exatamente como

A espantosa valorização do bitcoin em 2017 atraiu a curiosidade – e a cobiça – no mundo inteiro. Sua primeira cotação pública foi de 8/100 de centavo de dólar, em outubro de 2009. Em dezembro passado chegou a atingir US$ 19.783, uma valorização de 25 milhões de vezes.

Segundo Nouriel Roubini, trata-se de uma bolha especulativa ao estilo da “mania das tulipas” na Holanda do século 17. Casas eram hipotecadas em contratos de compra futura de tulipas. Os preços subiram durante quatro anos, até sua abrupta derrocada. Em 1637 chegou-se a pagar por um bulbo o equivalente a dez anos de salário de um artesão.

A primeira compra com bitcoins foi em 2009: duas pizzas de US$ 25 cada foram pagas com 10 mil bitcoins – US$ 105 milhões na cotação máxima de dezembro passado! Mas a realidade vem se impondo ao furor especulativo: em 6 fevereiro desceu a menos de US$ 6 mil, desvalorização de 70% em dois meses. Ontem estava em US$ 10.400. Como ressaltou John Kenneth Galbraith, se há algo que a humanidade não aprendeu com a História, é a evitar ondas de histeria especulativa.

Afinal, o que é e como funciona o bitcoin? Que papel poderá ter na economia?

O sistema bitcoin é um conjunto de registros de créditos, débitos e saldos – uma caderneta constantemente visível na internet – que descreve todas as transações feitas entre os participantes. Cada um tem seus bitcoins registrados numa “carteira”. Podem ter sido comprados de outros participantes com moedas reais ou recebidos em retribuição/recompensa pelo trabalho de “mineração”, que será explicado adiante.

A titularidade dessas carteiras só é conhecida pelo dono – o que garante sigilo patrimonial. As transações entre as carteiras são organizadas em blocos, que são fechados e “arquivados” a cada dez minutos, em média. Uma vez fechado, o bloco torna-se mais um elo da corrente de blocos (blockchain) que vem sendo composta desde 2009.

A garantia de que uma transferência de Pedro para João foi mesmo autorizada por Pedro se baseia na assinatura digital. Se a transferência for criptografada sem o uso da chave privada do legítimo emissor, os mineradores detectarão a fraude e rejeitarão a transação. Pressupõe-se que a senha privada não seja roubada. E aí está um problema: no bitcoin não há uma autoridade central que tenha poder de reverter transações ilegítimas.

Os registros nos blocos não podem ser mudados. Cada bloco de registros só pode ser fechado pelo computador que der resposta a um problema matemático não solúvel por fórmulas, mas por tentativa e erro – o que exige velocidade de processamento. Essa solução depende de todos os registros feitos no bloco. Qualquer alteração mínima – uma única letra num nome de uma transação – muda o resultado do problema. É uma loteria com chance de acerto muitíssimo menor que a da Mega Sena, mas na qual se é autorizado a jogar quantos “cartões” se consiga. A “loteria” termina quando algum participante dá a resposta certa e é autorizado a fechar o bloco. Esse trabalho de autenticar o fechamento dos blocos é a mineração. Quem acha a solução recebe 12,5 bitcoins por seu trabalho. Assim, lentamente, cresce a oferta de bitcoins.

Quem quisesse fraudar os registros teria de ter capacidade de processamento maior do que a soma dos demais participantes, pois precisaria refazer todo o encadeamento de autenticações em velocidade superior à dos demais mineradores. Impossível.

Como já se disse, o minerador recebe 12,5 bitcoins por fechar o bloco. No início eram 50 bitcoins; depois, 25. O sistema continuará reduzindo o prêmio pela “mineração”, o que estabilizará a oferta em 21 milhões de bitcoins. Os mineradores, então, terão de ser compensados com tarifas, ou não manterão interesse em autenticar novos blocos.

O custo de “minerar” um bitcoin pode chegar a US$ 4 mil somente em energia elétrica. A valorização de 2017 cobriu com folga todos os custos envolvidos e atraiu muito investimento em poder de processamento. Mas como se trata de uma “corrida armamentista” – em que mineradores competem entre si –, esse aumento do investimento não reverte em maior velocidade de processamento das transações. A vazão máxima do sistema é de sete transações por segundo, insuficiente para um meio de pagamento mundial. Somente a Visa processa 1.700 transações por segundo. E pode chegar a 56 mil se houver demanda.

Como apontou Gustavo Loyola, para ser considerado uma moeda, além da função de meio de pagamento – em que é ineficiente – o bitcoin teria de cumprir outras duas: unidade de conta e reserva de valor. Como unidade de conta, o bitcoin tem um problema: seu valor oscila muito. Se fosse uma medida de preços, estes flutuariam em excesso. Para servir como unidade de conta a moeda deve dar estabilidade aos preços. Como reserva de valor, o bitcoin não é confiável. Embora o sistema preveja uma oferta final de 21 milhões de bitcoins, nada impede que outras criptomoedas inundem o mercado, reduzindo o valor de todas.

Assim, o mérito do bitcoin não é ter inaugurado uma nova linhagem de moedas, mas o de ter introduzido o blockchain, inovação técnica que poderá, com aperfeiçoamentos, reduzir custos de transações financeiras, de registros de propriedade e de contratos. O blockchain fará parte do futuro, embora ainda não saibamos exatamente como.

As aplicações de novas tecnologias na economia são absolutamente imprevisíveis. A indeterminação é a regra. Um tanto como os seis personagens à procura de um autor, de Pirandello, novas tecnologias não têm um roteiro prévio a seguir. O caminho para sua utilização prática é tortuoso, dramático e surpreendente, em geral fazendo chacota dos futurólogos.

Suas aplicações práticas – os produtos que vão inspirar e os mercados que vão moldar – são sempre imponderáveis. Com o blockchain e o bitcoin não é nem será diferente.  José Serra (Senador/PSDB-SP) O Estado de S.Paulo Leia mais em joseserra 22/02/2018





O apetite insaciável de Lemann

Por que a holding que controla o Burger King quer abocanhar a Domino’s Pizza. O Brasil é parte importante nessa estratégia

Um dos exercícios preferidos de adivinhação dos analistas em todo o mundo é tentar antecipar os próximos passos das empresas controladas por Jorge Paulo Lemann e seu fundo 3G. Nas últimas semanas, a aposta era que a Restaurant Brands International (RBI), holding responsável pelas marcas Burger King, Tim Hortons e Popeyes, faria uma proposta para adquirir a Yum Brands, controladora de KFC, Pizza Hut e Taco Bell, que juntas detém mais de 40 mil unidades pelo mundo. Porém, na semana passada, o foco passou a ser a Domino’s, a principal concorrente mundial da Pizza Hut. “Quem está no ramo de alimentação tem de pensar com ousadia”, diz Marcos Gouvêa de Souza, especialista em varejo e sócio-diretor da consultoria GS&MD. “A Domino’s é uma boa oportunidade para o 3G.”

A aproximação com a Domino’s parece uma novidade no estilo 3G de gestão. Acostumada a adquirir concorrentes para cortar custos, nessa operação a equipe de Lemann só terá a ganhar. Os resultados mostram que J. Patrick Doyle, CEO da Domino’s há nove anos, conseguiu promover mudanças significativas na companhia, como a modernização do atendimento.

A rede de pizzas tem um índice incomum dentre as grandes redes de fast food: mais de 60% dos pedidos, nos EUA, são feitos online. Como consequência, o faturamento no ano passado chegou a US$ 2,8 bilhões. E o lucro cresceu 295% apenas no quarto trimestre, para US$ 277,9 milhões. Ainda não se sabe como seria realizada a operação, mas o valor de mercado da Domino’s subiu pouco mais de 10%, para US$ 10 bilhões, na semana passada.

A RBI possui 20 mil lojas em 100 países e seu faturamento anual é de US$ 23 bilhões. Com a Domino’s, o pedaço do 3G fica ainda maior e a RBI se consolida como uma das maiores redes globais de alimentação. O Brasil teria um peso importante. Há 220 Domino’s no território nacional. A operação é do grupo Trigo, também dono das marcas Spoleto e Koni. “Projetamos uma expansão de 18% no ano e o nosso negócio que mais cresce é a Domino’s. Estamos abrindo de 40 a 50 lojas por ano”, diz Antonio Moreira Leite, CEO da Trigo. “No ano passado, começamos a instalar o sistema de gestão usado nos EUA e vamos trazer o sistema de pedidos online.” Em junho deste ano, Doyle deve se aposentar. Se o negócio se concretizar, isso não deve ser um problema para o 3G, que sempre escolhe homens de sua confiança para fazer o serviço de integração. Carlos Eduardo Valim Leia mais em istoedinheiro 23.02.2018






BizCapital recebe aporte de R$ 15 milhões para ampliar serviços de concessão de crédito

Fintech planeja utilizar recursos para aprimorar plataforma e reforçar funding das operações
 fintech genérica

Reforço de capital vem de um pool de investidores liderado pela Chromo Invest e pela 42K Investimentos

Com menos de dois anos de atividade, a startup de serviços financeiros BizCapital atraiu seu segundo aporte. A fintech, que oferece crédito a micro e pequenas empresas sem acesso a grandes bancos, receberá R$ 15 milhões a serem aplicados em suas operações e desenvolvimento.

O reforço de capital vem de um pool de investidores liderado pela Chromo Invest e pela 42K Investimentos. Os recursos serão utilizados para aprimorar a plataforma tecnológica e os modelos de crédito oferecidos, além de reforçar o funding (recursos para financiamento) das operações. O acordo prevê também um investimento adicional de R$ 20 milhões ainda neste ano.

Fundada em 2016, a companhia oferece um sistema de avaliação e concessão de crédito por intermédio de uma máquina de avaliação que analisa e ranqueia cada pedido em poucos segundos, analisando as variáveis digitalmente. Todo o trâmite é finalizado online. "Nosso objetivo é tornar a BizCapital um dos principais players do mercado de crédito online para pequenas empresas em 2018”, diz em nota um dos sócios-fundadores, Francisco Ferreira.

Em seu primeiro ano de atuação, a startup recebeu uma primeira rodada de investimentos do fundo de venture capital (capital de risco) Monashees, que também investe em empresas como 99, ContaAzul, Neoway e VivaReal. A fintech informa que, desde então, já recebeu mais de 20 mil solicitações de crédito de todo o país, superando a ordem de R$ 500 milhões em pedidos.

Nesta segunda rodada, a Chromo Invest e a 42K Investimentos formaram um pool de investidores que inclui empreendedores como os CEOs da Geru, Sandro Reis, da Creditas, Sergio Fúrio, e da Neoway, Jaime de Paula. JÚLIO MOREDO Leia mais em dci 23/02/2018



Mercado ignora Fitch, Inter protocola pedido de IPO e abril deve ser aquecido

O banco Inter, da família que controla a construtora MRV, formalizou nesta sexta-feira, 23, seu pedido junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), para realizar sua oferta inicial de ações (IPO), que deve ocorrer em abril próximo. O protocolo ocorre no mesmo dia em que a agência de classificação de riscos Fitch rebaixou a nota de crédito do Brasil de BB para BB-, seguindo o movimento da S&P, no mês passado.

A percepção, conforme fontes, é de que o novo rebaixamento não trará nenhum efeito à fila de oferta de ações que está hoje nos bancos de investimento, programada para ir à rua ainda no primeiro semestre deste ano. O mês de abril deverá ser o mais aquecido, com nomes fortes como Notredame Intermédica e HapVida, ambas do segmento de saúde. Já a varejista de brinquedos Hi Happy é esperada para lançar sua oferta no fim de março. Segundo uma fonte de um banco de investimento, as agências não enxergaram o momento de reversão da economia brasileira.

No caso do banco Inter, a minuta do prospecto preliminar ainda não traz quantas ações serão ofertadas e o valor da operação, apenas que a emissão será primária, ou seja, com entrada de recursos no caixa da empresa, e secundária, com venda de ações pelos atuais acionistas, como Rubens Menin, que também é presidente do Conselho de Administração da MRV.

O documento mostra que as ações do banco Inter devem ser listadas no Novo Mercado, que é o segmento de maior exigência de governança corporativa da B3.

O Inter é um banco digital e em janeiro tinha 435 mil clientes, conforme seu prospecto. "As operações completamente digitais e 100% baseadas na nuvem garantem ao banco um alto poder de penetração e crescimento com uma estrutura de capital leve e com baixo custo de aquisição para cada novo cliente", de acordo com o documento.

No ano passado o lucro líquido do banco foi de R$ 47 milhões, aumento de 85% ante o visto um ano antes. O ativo total fechou o ano em R$ 3,6 bilhões, crescimento de 12,3% na relação anual.

O banco afirma que utilizará os recursos provenientes da oferta primária para incrementar suas operações de crédito, investir em tecnologia, em marketing e expandir em negócios por meio de aquisições estratégicas.

As ofertas neste ano devem se concentrar no primeiro semestre para evitar a volatilidade que deve surgir com as eleições no segundo semestre do ano. Estadao leia mais em dci 23/02/2018



Br Supply compra Staples no Brasil

A Br Supply, companhia gaúcha de suprimentos para empresas, comprou a operação no Brasil da Staples, gigante americana do ramo que havia aberto uma operação direta por aqui em 2014.

De acordo com a divulgação da Br Supply, o negócio cria nacional em distribuição de suprimentos corporativos. A empresa já havia adquirido no final do ano passado a Korpex, distribuidora da marca de papel Chamex para o Sudeste.

Conjuntamente consideradas, Br Supply, Korpex e Staples Brasil passam a contar com um portfólio de 12 mil itens disponíveis e uma carteira de clientes de todos os tamanhos e segmentos, gerando, em média, 40 mil pedidos por mês, demandando cerca de 2 milhões de itens mensais.

Os clientes incluem nomes como Ambev, Amil, BRF, Br Malls, Coca-Cola, DPSP, Fast Shop, G4S, HP, ISS, Itaú BBA, Klabin, Kroton, Pão de Açúcar, Pernambucanas, Raia Drogasil, Sicredi, Simpress, Sodexo, TIM, Vale, VIVO e Votorantin, entre outras.

"Cada canal tem seu diferencial e força de vendas, por isso, as três operações seguem atuando de forma independente. A sinergia a ser alcançada vai fortalecer as três marcas e aumentar a eficiência operacional”, explica Cesar Folle, CEO da Br Supply.

Em maio de 2016 a Staples decidiu desistir de suas operações internacionais e focar na América do Norte.

No ano passado, o fundo Sycamore comprou a Staples por US$ 6,9 bilhões. A estratégia é mudar o modelo de grandes lojas físicas para um modelo online. A BR Supply lançou um e-commerce com boa parte do seu catálogo ainda em 2014. Maurício Renner Leia mais em baguete 23/02/2018 



Cade aprova sem restrições fusão de Essilor International e Luxottica

Órgão antitruste diz não ter identificado risco significativo de efeitos negativos no mercado de lentes para óculos

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a fusão entre as operações da fabricante de lentes francesa Essilor International e a italiana Luxottica, segundo despacho publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira.

A combinação de negócios foi anunciada em janeiro do ano passado, quando a transação estava avaliada em 46 bilhões de euros, mas a alta no preço das ações elevou o valor do acordo a 48 bilhões de euros.

Conforme parecer no site do Cade, a Essilor tem 32 fábricas ao redor do mundo, das quais duas estão no Brasil, uma em Manaus (AM) e outra em Tupã (SP). O grupo francês ainda dispõe de 490 laboratórios óticos e instalações de corte de lentes e montagem em armações, sendo 32 no mercado brasileiro.

A italiana Luxottica, por sua vez, tem uma fábrica em Campinas e fornece lentes à rede Óticas Carol por meio do laboratório Global Lux, segundo o documento da autarquia.

Para a superintendência-geral do Cade, a fusão das empresas não impacta de modo significativo a concorrência no mercado brasileiro.

"Não foram encontradas evidências significativas de possibilidade de os efeitos negativos decorrentes da venda conjunta de produtos superarem os efeitos positivos dessa prática...concorrentes podem continuar a competir com as requerentes para ofertarem produtos mais baratos ou de melhor qualidade e, em última instância, beneficiar o consumidor final", avaliou o órgão antitruste.

O Cade cita, contudo, preocupações sobre movimentos futuros que poderiam causar, potencialmente, o fechamento de mercado. "Esses movimentos resultariam, principalmente, como identificado pela instrução, de aquisições de laboratórios óticos por parte da Essilor ou mesmo da adoção de estratégias comerciais que possam levar a uma tentativa de exclusão de rivais ou elevação das barreiras à entrada no mercado", destacou o parecer. (Por Gabriela Mello) Reuters Leia mais em dci 23/02/2018



Fintech f(x) recebe novo aporte de capital de R$ 10 mi

A fintech F(x), uma espécie de “tinder” que une empresas que buscam crédito e investidores, receberá aporte de capital, que poderá chegar a R$ 10 milhões, da e.Bricks.

A gestora de venture capital já realizou mais de 20 investimentos no Brasil e América Latina. A entrada de recursos possibilitará que a companhia aumente seu portfólio de produtos e amplie sua base atual de clientes. No ano passado, a F(x) alcançou R$ 593 milhões em propostas de financiamento e somou mais de 150 usuários financiadores. Leia mais em ColunadoBroadcast.estadao  23/02/2018



BrPhotonics fecha as portas. Belga Skylane optics estuda aquisição dos ativos

Joint venture entre CPqD e norte-americana GigOptix encerrou atividades no final de 2017, após desistência da sócia estrangeira.

A fabricante brasileira de componentes para redes fotônicas, a BrPhotonics, fechou as portas no final de 2017. A empresa ficava em Campinas, no parque tecnológico do CPqD. Fundada em 2014, recebeu aportes do próprio CPqD, que a montou em joint venture com a norte-americana GigOptix. Em 2016, recebeu aportes ainda da Finep.

No entanto, o negócio não foi para a frente, apesar de haver clientes. A GigOptix foi comprada pelo grupo IDT em fevereiro de 2017, e decidiu sair da iniciativa. A empresa seria a responsável pela comercialização dos produtos no mundo. Sem o braço de vendas, os sócios brasileiros da BrP viram a viabilidade do negócio se dissolver.

O que restou da empresa, uma planta com linha de produção de silício, áreas limpas e laboratório, agora está à venda. A infraestrutura tem maquinário para empacotamento de chips e de fabricação de chips fotônicos. A concorrência vai até 28 de fevereiro.

Venda à vista

Pelo menos uma empresa está interessada. A Skylane Optics, fabricante de transceptores ópticos, estuda dar um lance pelos ativos. Há interesse pela linha de dispositivos fotônicos integrados, em substrato de polímero e em silício, o receptor em silício, e o laser sintonizável de cavidade externa.

A capacidade de produção da BrPhotonics chegava a 1 mil chipsets por mês. Os componentes eram usados em transmissores e receptores ópticos para redes de transmissão de 100 Gbps a 1 Tbps, em redes de fibra óptica de longa distância ou metropolitanas.

Pelos cálculos da Skylane, a BrPhotonics recebeu R$ 70 milhões em aportes de GigPeak, CPqD e Finep desde a fundação, em 2014. Afirma, também, que apenas Singapura e Bélgica, país de origem da Skylane, contam com fábricas capazes de produzir os chipsets que eram feitos na planta da BrPhotonics.   RAFAEL BUCCO Leia mais em telesintese 22/02/2018




TCP conclui venda

A TCP, empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá (PR), vai concluir hoje a venda de 90% das ações para a gigante de operações portuárias China Merchants Port Holdings.

O negócio fora anunciado por R$ 2,9 bilhões, numa transação que marca a entrada da asiática no negócio brasileiro de portos. Serão vendidas as fatias do fundo de private equity Advent, controlador com 50%, mais 40% pertencentes aos minoritários APM Terminals e aos brasileiros Tuc Participações Portuárias, Soifer Participações Societárias e Pattac Empreendimentos e Participações.

A Advent, o Nogar e a APM Terminals venderão a totalidade de suas ações, já a Pattac, Soifer e Tuc - sócios-fundadores - manterão juntos 10% do capital da empresa. A TCP foi avaliada em R$ 4,1 bilhões, sendo R$ 3,2 bilhões por 100% das ações mais R$ 900 milhões de dívida -, o equivalente a quase 14 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 296 milhões em 2016. Fonte:Valor Econômico Leia mais em portal.newsnet 23/02/2018



CCR avalia negócios no Brasil e no exterior

Com o caixa robusto e espaço para se alavancar, a CCR vai continuar investindo em novos negócios neste ano. Tanto no mercado primário, de novas licitações, quanto no secundário, com a aquisição de ativos já existentes.

No quarto trimestre de 2017, a alavancagem da empresa, medida pela relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), avançou 0,1 ponto, para 2,3 vezes, sobre setembro de 2017. Na base anual, recuou 0,2 ponto, posição considerada confortável para fazer novos investimentos. A CCR fixou como teto de endividamento uma alavancagem de 3,5 vezes, o que lhe dá um saldo de aproximadamente R$ 8 bilhões para investir.

Em entrevista ao Valor para comentar dados do quarto trimestre, Flávia Godoy, coordenadora de relações com investidores da CCR, destacou projetos no mercado primário de rodovias, mobilidade urbana, e oportunidades em outros países da América Latina.

No Brasil, citou os leilões da Rodovia de Integração do Sul - (BR101/290/386/448/RS), da Rodovia MG/GO - Uberlândia a Jataí, e da Rodovia BR-101 até o município de Palhoça (SC). Além da Linha 15 do Metrô, que o governo de São Paulo sinalizou que quer licitar em breve, e das linhas 8 e 9 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), também previstas para serem licitadas neste ano.

"No mercado primário dependemos dos avanços do governo nos editais. No secundário, das negociações, por isso pode andar mais rapidamente", disse Flávia.

Segundo ela, as possibilidades de crescimento que a companhia tem hoje são as mesmas de quando fez a oferta de ações, no início de 2017, na qual levantou R$ 4 bilhões. Isso vale mesmo no caso de ativos existentes que a CCR olhou mas não levou, como Invepar, empresa que fechou contrato de exclusividade de análise com o fundo Mubadala, e de rodovias da Odebrecht Transport, cuja exclusividade está com a Arteris. "Exclusividade é para analisar melhor os ativos, não significa que o negócio esteja fechado", afirmou.

A empresa, a maior brasileira de concessões de infraestrutura, ampliou o lucro líquido em 94,2% no quarto trimestre, para R$ 329,1 milhões, ante mesmo período de 2016. O resultado foi afetado por efeitos não recorrentes, como a adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (Pert).
Considerando a mesma base, ou seja, sem a inclusão de novos negócios e efeitos não recorrentes, o lucro líquido foi de R$ 425 milhões, alta de 162,7%.

A receita líquida avançou 19,5% sobre a mesma base de 2016 e chegou a R$ 2,02 bilhões. O Ebitda ajustado cresceu 25,5%, para R$ 1,2 bilhão. O aumento na receita reflete melhoras operacionais que espelham o momento de recuperação da atividade econômica. Houve crescimento de 4,4% no último trimestre, para 250 milhões de veículos equivalentes. Se consideradas as participações em rodovias em que a CCR não tem o controle (Renovias e ViaRio), a alta seria de 5%, para 259 milhões de veículos equivalentes.

Também na área aeroportuária os dados melhoraram. Na concessionária BH Airport, que controla o aeroporto de Confins (MG) e da qual a CCR é sócia, o total de passageiros embarcados cresceu 12%, para 1,3 milhão de pessoas.

Aliado a isso, o controle de custos permitiu à empresa ser mais eficiente e expandir a margem. O principal efeito além do dado operacional foi a redução da taxa de juros. A empresa saiu de um resultado financeiro líquido negativo no quarto trimestre de 2016 de R$ 410 milhões para R$ 364 milhões, ainda negativo. A queda seria ainda maior se não fosse o efeito do Pert, avalia Flávia.

A CCR propôs a distribuição de dividendos complementares no montante de aproximadamente R$ 0,20 por ação, a serem aprovados na assembleia geral ordinária. Fonte:Valor Econômico Leia mais em portal.newsnet 23/02/2018