07 janeiro 2016

Deloitte vê futuro para mineradoras bem posicionadas

A indústria de mineração global chegou a uma encruzilhada. Não há sinais de que o ciclo de baixa das commodities vá ser interrompido a curto prazo. Mas as empresas que conseguirem se posicionar bem no mercado vão aproveitar oportunidades no futuro, quando o período de alta voltar, mesmo que seja em patamares menos exuberantes do que os registrados nos anos recentes, disse Eduardo Raffaini, sócio-líder do segmento de mineração da Deloitte no Brasil. A empresa lançou a edição 2016 do estudo "Acompanhando as Tendências do Setor de Mineração".

O trabalho lista dez questões que as empresas mineradoras globais vão enfrentar neste ano. A relação inclui temas como foco em excelência operacional, inovação, tributação, a crise de capital para o setor, fusões e aquisições e, é claro, China, país que tornou-se o grande demandante mundial de commodities ao longo dos anos 2000. Nesse condição, a China ganhou destaque no relatório. O estudo reconhece que a recente desaceleração da economia chinesa levou a uma queda massiva nos
preços de diferentes produtos, incluindo minério de ferro, carvão, cobre, alumínio, níquel, zinco e chumbo.

Embora o relatório tenha sido publicado em dezembro, Raffaini diz que os eventos desta semana na China não aumentaram o pessimismo para a indústria de mineração. "O impacto da desaceleração chinesa já está precificado", afirmou, referindo-se à queda nos preços das commodities. Nesta semana foi confirmado que a atividade industrial chinesa encolheu, em dezembro, pelo décimo mês seguido, o que derrubou as bolsas na China e ao redor do mundo.

O estudo da Deloitte afirma que a China está no caminho de registrar crescimento abaixo de 7% ao ano a curto prazo. Cita a perspectiva de crescimento de 6,8% para o Produto Interno Bruto (PIB) chinês este ano, de 6,4% para 2017 e de 6% para 2018, com base em dados da Economist Intelligence Unit (EIU). No mercado, porém, há quem estime hoje que o crescimento da China pode ser ainda menor em 2016.

Mas, apesar dessa desaceleração, o estudo da Deloitte afirma que alguns produtores minerais têm aumentado a produção de minas existentes, com o objetivo de reduzir custos. Essa decisão de continuar a expandir a oferta tem se sido sustentada pela desvalorização de moedas em países produtores, inclusive no Brasil e na Austrália, e por encargos trabalhistas mais baixos. O atual ambiente do mercado chinês também estimula mais empresas chinesas a buscarem a internacionalização fazendo investimentos no exterior, inclusive no setor mineral, disse Raffaini.

"As empresas estão em situação de como sair de uma espiral negativa, em um cenário de curto prazo ruim, mas há oportunidades [à frente]", diz o executivo da Deloitte. O desafio para as companhias, avaliou Raffaini, é fazer um "tradeoff" (uma troca) entre o curto e o longo prazos. A curto prazo, em um ambiente de queda histórica nos preços, as empresas precisam reduzir custos e inovar, apostando em novas tecnologias. "Não adianta mais automatizar [unidades industriais], como se fazia antigamente", afirmou o executivo.

As empresas precisam também olhar para o longo prazo, algo difícil em meio à crise, quando todos estão mais preocupados com o amanhã em um ambiente marcado por falta de capital para financiamento, em especial para as pequenas e  médias empresas do setor ("juniors companies"), e por cortes nos gastos com atividades exploratórias. Em um horizonte de longo prazo, porém, existem diversas oportunidades.

Embora a Deloitte não faça previsões sobre preços, está claro para o mercado que o minério de ferro dificilmente voltará aos patamares de cinco anos atrás quando chegou a quase US$ 200 por tonelada.

As previsões do mercado para este ano apontam para preços na faixa de US$ 40 por tonelada para o minério com 62% de teor de ferro no mercado à vista da China, o principal consumidor mundial de commodities minerais e metálicas.

A Deloitte diz que os crescimentos verificados na Índia e em países do Sudeste asiático têm potencial para compensar uma menor demanda da China por commodities. A questão é saber em que ritmo e quando isso poderá acontecer. - Por Francisco Góes | Do Rio Fonte: Valor Econômico Leia mais em sinicon  07/01/2016

07 janeiro 2016



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