07 março 2016

Recuo de fundos mútuos ameaça boom das startups

Operador na bolsa de valores de Hong Kong em 3 de fevereiro, dia que o mercado registrou forte queda em ações de empresas de setores como petróleo e seguros.

Os fundos mútuos que ajudaram a impulsionar o boom de tecnologia nos Estados Unidos estão realizando um número menor de novos investimentos em “startups” e reduzindo os valores investidos a um ritmo acelerado.

Esses são sinais nefastos para o Vale do Silício, onde uma onda de investimentos em empresas novatas financiou gastos pesados em contratações e publicidade e alçou as avaliações dessas firmas para níveis estratosféricos.

O recuo dos fundos mútuos ameaça aprofundar uma ampla retração que já provocou demissões e uma queda nas avaliações dessas firmas novatas, forçando startups de todos os tipos a reprimir suas ambições e se concentrar na lucratividade, em vez do crescimento a qualquer custo.

Gestoras como BlackRock Inc., Fidelity Investments, T. Rowe Price Group Inc. e Wellington Management operam ou assessoram fundos mútuos que possuem ações em pelo menos 40 startups de capital fechado avaliadas em US$ 1 bilhão ou mais cada uma, segundo documentos públicos analisados pelo The Wall Street Journal.

Para 13 das startups, pelo menos uma administradora de fundos avaliou seus investimentos em menos do que pagou, mostra a análise do WSJ. Essas gestoras estão avaliando as 13 startups em média 28% abaixo do investimento original.

Entre elas estão o serviço de mensagens móveis Snapchat Inc., a fabricante de software para anotações Evernote Inc. e a corretora de seguro-saúde Zenefits.

Apenas três participações em startups nas carteiras dos mesmos fundos estavam no vermelho há um ano. Ao mesmo tempo, essas empresas de fundos compraram somente 10 novas participações em startups no quarto trimestre do ano passado, ante um pico de 32 registrado no segundo trimestre, segundo a Dow Jones VentureSource.

As desvalorizações surpreenderam muitos investidores de capital de risco e prejudicaram alguns executivos de startups.

Avaliações menores por fundos mútuos podem forçar startups que não sejam muito bem-sucedidas a reduzir o preço das participações em suas novas rodadas de captação. Isso pode derrubar a moral dos empregados e dificultar a atração de novos talentos com opções de ação.

“Esse nível de divulgação e transparência nunca foi realmente parte do mercado de capital de risco e, de repente , isso apareceu e foi um choque”, diz Jeff Richards, sócio-gerente da GGV Capital, empresa de capital de risco com sede na Califórnia.

A GGV possui uma participação na empresa de análise de dados de internet Domo Inc., que foi desvalorizada em 16% pela Fidelity desde agosto. A empresa de fundos mútuos ainda avalia o investimento em 72% acima de seu preço de compra.

A empresa de esportes virtuais DraftKings Inc., em que a GGV também detém uma participação, teve sua avaliação reduzida numa média de 72% no quarto trimestre. Os reguladores alegaram que seus serviços constituem jogos ilegais. A DraftKings afirma que seus esportes virtuais diários são jogos de habilidades. A empresa não quis comentar. A Domo não respondeu a pedidos de comentário.

Como as ações das empresas privadas não são negociadas na bolsa de valores, os fundos mútuos têm que estimar quanto vale cada ação das startups, divulgando o valor mensalmente ou a cada trimestre.

A reviravolta no setor começou no segundo semestre de 2015, quando o sentimento de “o céu é o limite” do Vale do Silício deu lugar à ansiedade. A queda das ações do setor de tecnologia e o mercado hostil para novas ofertas de ações estão sufocando, agora, a onda de otimismo que deu a 146 empresas de capital fechado financiadas por capital de risco uma avaliação de US$ 1 bilhão ou mais em fevereiro, ante 45 dois anos atrás.

Até o momento, neste ano, a Fidelity e os fundos assessorados pela Wellington reduziram em pelo menos 5% seus valores estimados de 13 startups diferentes avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. Nenhuma startup foi valorizada em pelo menos 5%.

Em contraste, 14 startups foram valorizadas no segundo trimestre do ano passado e apenas três foram desvalorizadas, segundo a análise do WSJ.

BlackRock, Fidelity, T.Rowe Price e fundos assessorados pela Wellington estão entre os maiores investidores em startups por dólar investido, embora sejam participações pequenas em relação aos ativos totais das gestoras.

Segundo documentos públicos, as startups levantaram pelo menos US$ 3,8 bilhões apenas da Fidelity e da T. Rowe Price, ou cerca de 12% do financiamento total das startups.

As empresas de fundos mútuos não quiseram comentar sobre o motivo de algumas startups estarem perdendo valor. Ao analisar essas empresas novatas, comitês independentes de avaliação dessas firmas de fundos geralmente analisam informações financeiras das empresas e de suas rivais negociadas em bolsa. Os comitês também olham para os preços pagos pelas ações em captações anteriores. Os fundos mútuos dependem de um mercado vibrante de ofertas públicas iniciais de novas empresas para lucrar com seus investimentos em empresas de capital fechado, geralmente feitos comprando ações diretamente das startups.

Nenhuma empresa de tecnologia financiada por capital de risco com sede nos EUA abriu capital neste ano. No ano passado, 16 dessas empresas fizeram ofertas iniciais de ações, ante 30 em 2014. Suas ações haviam caído mais de 30%, em média, até meados de fevereiro. O abatido mercado de ações deve impedir novas aberturas de capital de empresas que captaram recursos a avaliações elevadas e agora não querem lançar ações na bolsa a um preço menor. Por ROLFE WINKLER e  SCOTT AUSTIN (Colaborou Deborah Gage.) Leia mais em br.wsj 07/03/2016

07 março 2016



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