28 dezembro 2018

Retrospectiva: os negócios que marcaram 2018

De aviões a patinetes, o ano foi movimentado

2018 foi um ano movimentado no mundo dos negócios. Novos unicórnios surgiram, IPOs movimentaram bilhões, fusões criaram empresas gigantes em seus setores. Relembre alguns dos negócios que marcaram o ano:

Vai e volta na aviação
Os rumores sobre uma possível compra da Embraer pela Boeing surgiram no fim de 2017 e  as discussões formais se estenderam ao longo de todo o ano de 2018. O assunto foi um dos destaques da corrida eleitoral e mesmo nas últimas semanas do ano rendeu manchetes – com a derrubada de uma liminar que impedia venda de divisão comercial da Embraer. O acordo deve ser assinado em 2019. O presidente eleito Jair Bolsonaro se manifestou a favor do negócio – a compra da Embraer pela Boeing depende do aval do governo brasileiro, que detém uma golden share e tem poder de veto nas decisões da fabricante brasileira.

A vida não anda fácil para as livrarias
Duas das maiores livrarias do país pediram recuperação judicial em menos de um mês. Somadas, as dívidas da Cultura e da Saraiva chegam perto de R$ 1 bilhão. Não são apenas as dívidas que alcançam grandes proporções: as duas varejistas representam cerca de 35% das vendas do setor. As editoras e outras redes, contudo, insistem que não há crise na demanda por livros, que registra expansão discreta nos últimos anos.

Uma nova gigante do papel
Fibria e Suzano, as duas maiores empresas brasileiras do setor de papel e celulose, acertaram uma fusão, que criará a maior produtora de celulose do mundo. O acordo foi anunciado em março, quando a Suzano costurou o negócio com os controladores da Fibria – Votorantim e BNDES. As últimas aprovações necessárias foram obtidas em novembro. A conclusão do negócio, porém, deve ficar para janeiro.

O primeiro unicórnio brasileiro
A notícia veio nos primeiros dias de 2018: a gigante chinesa Didi Chuxing, concorrente do Uber, comprou a brasileira 99 por mais de US$ 1 bilhão. Com isso, a startup passou a ser conhecida como o primeiro unicórnio brasileiro. O feito foi comemorado pelo ecossistema empreendedor do país. Para Carlos Kokron, vice-presidente e diretor executivo da divisão da Qualcomm Ventures para a América Latina, uma das investidoras da 99, o acordo mostrou que “o Brasil tem saída”.

Dos carros para as bicicletas
A venda da 99 marcou também uma nova incursão dos fundadores da empresa, Ariel Lambrecht e Renato Freitas, no setor de mobilidade. Ao lado de Eduardo Musa, ex-CEO da Caloi, eles voltaram as atenções para formas alternativas de transporte. Primeiro foram as bicicletas, com a Yellow lançando o primeiro serviço de bicicletas compartilhadas sem estações em São Paulo. Mais tarde, vieram os patinetes elétricos. Os patinetes, aliás, merecem um capítulo à parte...

Cada um com a sua cor
Quem anda pela região do Itaim e Vila Olímpia em São Paulo se acostumou a encontrar dezenas de patinetes espalhados pelas calçadas. Além das unidades da Yellow, também multiplicaram-se os patinetes verdes da Grin. A Grin, aliás, fez uma parceria com a Rappi para oferecer o aluguel dos patinetes no aplicativo de entregas.

Briga de gente grande
Não foram só os fundadores na 99 que viram a oportunidade de sair dos carros para as bikes. O Uber comprou, em abril, a startup de compartilhamento de bicicletas elétricas Jump. A empresa pretende trazer o serviço para o Brasil em 2019, com suas bicicletas vermelhas.

Entrega de qualquer coisa
Os brasileiros já conheciam os aplicativos de delivery iFood e Uber Eats. Em 2018, surgiram novos concorrentes para o setor e que prometem entregar qualquer coisa que o cliente quiser. Primeiro veio a colombiana Rappi. O crescimento foi tão rápido que o Brasil se tornou o principal mercado para a startup na América Latina. Mais tarde veio a Glovo,  da Espanha. Assim como as bicicletas e patinetes, os paulistanos se acostumaram a ver vários motoboys com as mochilas coloridas das startups.

Unicórnio roxo
A 99 foi o primeiro, mas não o único unicórnio brasileiro. Outra startup que superou a avaliação de US$  1 bilhão este ano foi o Nubank. Com investimento de US$ 180 milhões da chinesa Tencent, a emissora do cartão de crédito roxinho se tornou a maior startup latina. Ao longo do ano, o Nubank deixou claro que quer ser mais do que uma empresa de cartão de crédito. Depois da conta de pagamentos, a empresa lançou serviços de débito e saque, ampliando a concorrência com os bancos.

Maquininhas de cartão ganham o crédito dos investidores internacionais
Já que o tema é cartões e unicórnios, vale falar sobre o sucesso das empesas brasileiras que fizeram IPO (oferta inicial de ações) fora do país. A primeira foi a PagSeguro, em janeiro, que movimentou US$ 2,3 bilhões em sua abertura de capital na Nasdaq. Em outubro, foi a vez da Stone, que captou US$ 1,22 bilhão.

A incomum estreia do Spotify
Outro destaque no mundo dos negócios foi a abertura de capital do serviço de streaming de música Spotify. Porém, a empresa escolheu uma forma um pouco incomum de fazer seu IPO. Fez uma listagem direta na Bolsa de Valores de Nova York em abril, método que dispensa do processo os bancos de investimento, usuais facilitadores na chegada de startups ao mercado de capitais, e permite que acionistas já existentes vendam suas ações sem intermediários. A empresa foi avaliada em US$ 26,6 bilhões.

As trilionárias
Em agosto, a Apple atingiu uma marca histórica: se tornou a primeira companhia de capital aberto a alcançar US$1 trilhão em valor de mercado. O movimento foi impulsionado por bons resultados fiscais no segundo trimestre do ano. Semanas depois, a Amazon imitou o feito. Mas não durou muito. Em dezembro, as duas empresas valiam em torno de US$ 800 bilhões.

Ao infinito e além
Em 2018, Elon Musk cumpriu a promessa de colocar em órbita seu carro Tesla Roadster, com o robô Starman ao volante. Mais do que a anedota e a foto divertida, foi um grande feito: o primeiro lançamento do Falcon Heavy, o foguete mais potente do mundo. Aqui na Terra, contudo, sobraram problemas para a Tesla. Após pressão dos acionistas, Musk teve que se retirar do presidente do conselho da empresa. Isso sem falar nos atrasos na produção do modelo mais popular da empresa, o Tesla 3.

A força da China
O Uber deixou o posto de startup mais valiosa do mundo. Foi superada, em outubro, pela chinesa Bytedance, que recebeu um financiamento de US$ 3 bilhões do SoftBank Group e de outros grandes investidores e alcançou US$ 75 bilhões em avaliação de mercado. Fundada por Zhang Yiming, a Bytedance funciona como um agregador de notícias. Outro produto da startup chinesa é o popular aplicativo de karaokê Tik Tok, febre entre jovens.

Os vazamentos do Facebook
Quem enfrentou muitos problemas neste ano foi Mark Zuckerberg. 2018 foi marcado pelo vazamento de informações pessoais de até 87 milhões de usuários da rede social à consultoria política Cambridge Analytica. Por isso, o CEO da empresa teve que ir ao Senado americano e ao Parlamento Europeu para se explicar. Mais recentemente, foi revelado que o Facebook quis acesso secreto a contatos telefônicos de usuários, cogitou cobrar por dados pessoais e deu permissão especial para alguns aplicativos acessarem dados dos amigos de seus usuários.

No Brasil, o WhatsApp ganhou destaque durante as eleições, por causa da disseminação de notícias falsas pelo aplicativo. Isso levou a empresa a tomar medidas para tentar combater as fake news.

Educação consolidada
Os grandes grupos de educação passam por um momento de consolidação. Em abril, a Kroton acertou a compra do controle da Somos Educação, da Tarpon Gestora de Recursos, por R$ 4,566 bilhões. A integração total ainda deve demorar dois anos, segundo o presidente do maior grupo de ensino superior privado do país, Rodrigo Galindo. "Temos 29 frentes de integração... Imaginamos que processo deva levar dois anos", afirmou.

A nova gigante do agronegócio
A transação foi anunciada em 2016, mas só em abril de 2018 o Departamento de Justiça dos Estados Unidos autorizou a aquisição da Monsanto pela Bayer. Em junho, o negócio foi concluído. Os acionistas da Monsanto receberam US$ 128 por ação, em uma transação de mais de US$ 60 bilhões. No Brasil, a fusão de Bayer e Monsanto cria uma empresa com receita anual de R$ 15 bilhões.

Carrefour abre capital no Brasil
Em julho, o Carrefour Brasil abriu o capital na B3, movimentando R$ 5,125 bilhões. Foi o maior IPO do país desde a estreia da BB Seguridade, braço de seguros e previdência do Banco do Brasil, em abril de 2013, que somou R$ 11,5 bilhões. Para o empresário Abilio Diniz, um dos principais acionistas do grupo, a movimentação mostra que o Brasil está superando as dificuldades.

Do outro lado do mundo, um executivo brasileiro é indiciado
O executivo brasileiro Carlos Ghosn foi indiciado pela promotoria de Tóquio, acusado de fraudar sua declaração de renda quando era presidente do conselho administrativo da montadora Nissan. Em novembro, Ghosn foi afastado do cargo após uma investigação interna da Nissan apontar irregularidades. A promotoria acusa Ghosn de receber cerca de 10 bilhões de ienes (US$ 89 milhões) em salários, no período de cinco anos fiscais encerrado em março de 2015, mas declarar apenas cerca de metade desse valor.

Eletropaulo não é mais Eletropaulo
Após ser vendida para a italiana Enel por cerca R$ 5,55 bilhões, a Eletropaulo passou a adotar nome Enel Distribuição São Paulo, incorporando a marca corporativa e identidade visual da Enel. "A mudança é parte de um processo para integrar completamente a Enel Distribuição São Paulo ao Grupo Enel e posicioná-la de uma maneira mais moderna, flexível, sustentável e capaz de liderar a

Avianca
Em dezembro, a companhia aérea Avianca entrou com pedido de recuperação judicial. O processo, contudo, segue em segredo de Justiça. Em crise, a dívida da empresa com aeroportos brasileiros, públicos e privados, chega a quase R$ 100 milhões — só com o de Guarulhos são R$ 25 milhões... Leia mais em epocanegocios 28/12/2018


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