31 agosto 2017

Fundos perdem maioria na Paranapanema

Após mais de duas décadas com a maioria de seu capital nas mãos de fundos ligados ao governo federal, a Paranapanema sofrerá uma espécie de "desestatização". A fabricante de cobre passará a ter capital majoritariamente privado com o aumento de capital e conversão das debêntures anunciados ontem.

O Valor apurou que, internamente, as transações que vão reduzir a dívida da companhia em quase R$ 1 bilhão estão sendo tratadas assim, como uma espécie de "reprivatização".

Atualmente, a companhia tem a maioria de suas ações em poder desses fundos. A condição vale desde 1996, quando a Previ liderou uma aquisição de ações da Paranapanema para montar um grande grupo de metais não ferrosos com empresas das quais já possuia participações.

Hoje, a Previ - que é o fundo de pensão do Banco do Brasil -, a Petros - da Petrobras - e a Caixa Econômica Federal detêm, juntas, quase 53% do capital social da fabricante de cobre. Não há acordo de acionistas e o controle é pulverizado, mas na prática as três possuem maioria.

Depois do aumento de capital e da conversão das debêntures, as três podem ficar com 34% dos papéis, a depender do volume ofertado. Vai prevalecer na empresa, assim, o capital privado. A Petros não participará do aumento de capital.

Os credores quirografários, que receberão as debêntures obrigatoriamente conversíveis em ações, em duas séries, podem ficar com fatia conjunta próxima a 25%, enquanto a Bonsucex, do empresário Silvio Tini, provavelmente ficará com 10% a 12%.

A primeira série de debêntures valerá R$ 190 milhões e a segunda, R$ 170 milhões. No caso da primeira, os investidores terão no máximo dez dias para transformar os papéis em capital social da Paranapanema. Já no segundo caso, o prazo máximo deve ser de cerca de dois anos.

As debêntures podem ser alienadas para terceiros, apurou o Valor, já que no caso de algumas instituições a manutenção de uma fatia acionária não seria possível.

Os papéis de dívida serão lançados em oferta pública com esforços restritos num total de R$ 375 milhões. Obrigatoriamente, para a oferta de ações seguir em frente, os R$ 360 milhões terão de ser subscritos, no mínimo.

Entre os 11 credores estão Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú Unibanco, BNP Paribas, China Construction e a Cargill Finance.

Procurada, a Paranapanema disse que não comentaria o assunto por causa do período de silêncio até a conclusão da oferta.

O aumento de capital será feito com uma oferta primária, de até 333,3 milhões de ações. O negócio será coordenado pelo Banco Modal e a quantidade pode aumentar em até 15%, ou seja, até 50 milhões de papéis.

Considerando o preço atual dos papéis da Paranapanema, a operação pode movimentar até R$ 621 milhões. A companhia reforça que o preço por ação na operação será fixado pelo conselho após o procedimento de coleta de intenções com investidores, o chamado "bookbuilding". O encerramento da coleta de intenções está previsto para 13 de setembro, quando o preço por ação deve ser divulgado.
Como faz parte do Novo Mercado, segmento de maior governança da B3, a empresa também se compromete a empregar os melhores esforços para dispersão acionária, isto é, com reserva de parte da oferta ao varejo.

A oferta de ações está condicionada à subscrição das debêntures. Segundo o comunicado de ontem, a Previ manifestou interesse em aportar R$ 120 milhões na capitalização. A Caixa e a Mineração Buritirama, da Bonsucex, devem aportar R$ 114 milhões e R$ 50 milhões, respectivamente.
A Glencore, que fechou acordo em 21 de julho para participar da injeção de capital da Paranapanema e ficar com cerca de 5% da empresa, aportará ao menos R$ 66 milhões.

"O acordo de investimentos [com a Glencore], as ofertas [de ações e debêntures], a reestruturação [da dívida] e o plano de negócios são os principais esforços empenhados pela companhia na busca da retomada plena de suas operações e da geração de valor aos seus acionistas", declarou a empresa, em comunicado.  - Valor Econômico Leia mais em portal.newsnte 31/08/2017

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