O interesse é por marcas locais, disse Roberto Mendes, diretor financeiro e de relações com investidores da Localiza. "Em termos internacionais, já estamos felizes." Até o início dos anos 90, comprou cerca de 30 concorrentes.
A Localiza levará nesta semana ao Conselho Administrativo de Direito Econômico (Cade) o pedido de análise da compra da Hertz. "Existem 7,5 mil empresas de aluguel de carro no Brasil. Pela pulverização do mercado, temos esperança que o processo no Cade não será de longo prazo", disse Mendes
As conversas entre Hertz e Localiza foram iniciadas em 2014, em Miami. Chegaram a ser interrompidos com a troca do presidente da Hertz, no fim de 2014, sob pressão de investidores após erros contábeis nos balanços financeiros e um fraco desempenho de resultados. Mark Frissora foi, então, substituído por John Tague, veterano da indústria de aviação. Thomas Kennedy, diretor financeiro da Hertz, que acompanhava as negociações desde o início, continuou a fazer a ponte entre americanos e brasileiros até a conclusão do acordo.
A Hertz, que tem menos de 5% do mercado brasileiro, vai ganhar espaço no país, enquanto a Localiza espera um salto na receita com turistas estrangeiros que vêm ao Brasil, principalmente americanos e europeus, disse Mattar.
O setor de aluguel de veículos está mudando. A Unidas, terceira maior do país, anunciou recentemente a venda de 20% para a Enterprise e sua intenção de abrir o capital. A JSL informou que pretende listar na bolsa sua subsidiária de aluguel de automóveis Movida, a segunda maior do setor.
"A compra da Hertz Brasil é uma clara evidência que a Localiza continua a se adaptar às mudanças do cenário competitivo", disse em relatório o analista Tobias Stingelin, do Credit Suisse. Do ponto de vista financeiro a transação é atrativa, pois a Localiza está pagando um valor por veículo de R$ 36,6 mil, sem sinergias, enquanto a avaliação do Credit por veículo é de R$ 63,5 mil.
A Localiza deve financiar a compra de R$ 337 milhões com o próprio caixa e duas emissões de debêntures, uma de até R$ 500 milhões e outra de até R$ 250 milhões. A posição de caixa de R$ 1,2 bilhão bastaria para quitar a compra, feita em dinheiro, mas as captações darão suporte à expansão esperada com a integração dos negócios, diz o diretor financeiro. O reforço será usado principalmente para a renovação da frota.
A Hertz analisa de perto o avanço de tecnologias de compartilhamento de veículos, principalmente nos Estados Unidos, onde o Uber e o Lyft atuam há mais de cinco anos. A companhia desenvolve projetos para diminuir o tempo de atendimento e planeja compartilhar a tecnologia com a Localiza. - Valor Econômico Leia mais em portal.newsnet 07/12/2016

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