A empresa, controlada pelo BTG Pactual, continua em negociação para se desfazer de suas redes Sant’Ana e Big Ben, conforme o Valor já informou. O grupo já vendeu as redes Mais Econômica e Rosário. A Extrafarma está há pelo menos, cinco meses, em negociações para a aquisição da Big Ben, e segundo uma fonte, também foi oferecida à empresa a Sant’Ana, cadeia de drogarias com 121 lojas e atuação na região Nordeste. Apenas com a venda da rede Big Ben, com 258 lojas, o BTG espera embolsar entre R$ 900 milhões e R$ 1 bilhão.
O que se verifica, pelo balanço, é que com o passar dos meses, as negociações com potenciais interessados passaram a envolver um negócio menor, com valores em estoques reduzidos, e operações mantidas com investimentos que caíram quase à metade – de R$ 7,5 milhões de julho a setembro do ano anterior para R$ 4,3 milhões.
É um cenário que, até determinado momento, pode ser interessante para quem tem interesse em ficar com os pontos ou alguma das marcas da empresa – considerando a desvalorização do ativo – mas que, ao se prolongar, passa a afetar a própria capacidade de recuperação dos negócios à venda, na visão de analistas do setor.
Do capital total, 96% está nas mãos de empresas ou fundos ligados ao BTG Pactual. Dificuldades de integração das redes, falhas na gestão do negócio e aumento na alavancagem afetaram a operação anos atrás, obrigando uma reestruturação iniciada em 2014.
Em teleconferência com analistas sobre o balanço ontem, a empresa informou que o nível de estoques caiu mais no terceiro trimestre – a queda contínua ocorre desde fim de 2015 e está em 30% do valor que era há um ano – com efeito sobre vendas. Isso decorre de restrições financeiras que a companhia tem com fornecedores e alguns bancos. “Houve uma piora no dinamismo comercial da empresa”, que reduziu o mix de medicamentos de marca, disse Leonardo Campos, diretor financeiro.
O peso dos genéricos nas vendas também não cresceu e a companhia tem comercializado cada vez mais produtos de higiene, perfumaria e cosméticos – a participação desses itens representou 41% no mix de vendas em setembro (era 37% há um ano) em parte pelo problema mencionado pelo executivo. O valor do tíquete médio caiu – excluindo as redes vendidas, passou de quase R$ 41 para R$ 31 neste intervalo de um ano.
De julho a setembro, aumentou o déficit em capital de giro da empresa. Ele era negativo em 8 dias em junho e fechou setembro num negativo de 24 dias, mostrando que a operação não tem gerado caixa e o capital está vindo de terceiros. O giro de estoques foi de 71 dias, 9 a menos que no trimestre anterior, e o giro de fornecedores aumentou 8 dias em relação ao segundo trimestre devido às renegociações com fornecedores.
A empresa diz que continua atrás de alternativas para reforçar o capital de giro – o que é interpretado pelo mercado como a venda de ativos – e ainda informou que vai transferir estrutura administrativa de Brasília para Belém. Em julho, empresa emitiu R$ 377 milhões em debêntures, sendo que quase R$ 300 milhões foram para pagamento de dívidas com quatro bancos, apurou o Valor.
Em termos consolidados, a empresa registrou perda de R$ 138 milhões de julho a setembro, pouco mais do que o dobro do ano anterior (ao se descontar as duas redes vendidas, a perda subiu 85%). A receita líquida caiu 60,3%, para R$ 348,4 milhões.
Outros dois grupos do setor de farmácias publicaram resultados nos últimos dias, com números positivos. A operação de varejo da Profarma, com 280 lojas, registrou receita bruta de R$ 198 milhões de julho a setembro, avanço de 3,7%. O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação subiu 188%. Maior rede do país, a Raia Drogasil apurou alta de 40% no lucro, para R$ 117 milhões, e as vendas líquidas aumentaram pouco mais de 24%, para R$ 2,9 bilhões. Fonte: Valor Online Leia mais em panoramafarmaceutico 11/11/2016
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