20 junho 2016

GTFoods negocia venda de fatia a fundos estrangeiros

Com o pé no freio devido à crise econômica no Brasil, o grupo avícola paranaense GTFoods tem planos ambiciosos para retomar os investimentos em 2017. Além de anunciar na sexta-feira que obteve a aprovação de um crédito de € 37 milhões (o equivalente a R$ 150 milhões) junto ao governo alemão para erguer uma fábrica de embutidos no Paraná, o grupo está negociando um aporte de capital com fundos estrangeiros.

Em entrevista ao Valor, o diretor financeiro do GTFoods, Vitor Bellizia, revelou que a empresa negocia a venda de uma "participação minoritária relevante". Segundo ele, o eventual aporte de um fundo daria suporte ao plano de investimentos da companhia, que almeja se tornar a terceira maior produtora de carne de frango do país até 2020. Para isso, teria de ampliar os abates diários dos atuais 720 mil frangos para 1 milhão de cabeças.

Sediado em Maringá (PR), o grupo reduziu substancialmente o nível de investimentos em 2016, disse Bellizia. De acordo com ele, a empresa investiu, em média, R$ 12 milhões por mês no ano passado. "Reduzimos para 20% disso este ano. Estamos fazendo o absolutamente necessário. Temos que preservar a liquidez", argumentou.

Com o adiamento dos investimentos, o GTFoods não alcançará a meta anteriormente estipulada, de atingir um abate diário de 800 mil frangos no fim de 2016. Apesar disso, o foco nas exportações deve ampliar o faturamento da companhia dos R$ 1,7 bilhão do ano passado para R$ 2,2 bilhões.

Para 2017, a expectativa da GTFoods é retomar os investimentos, o que seria facilitado se as negociações com os fundos estrangeiros avançarem. Mas a estratégia do grupo não se resume à atração de um sócio, destacou Bellizia. Prova disso foi a aprovação do financiamento para o investimento na fábrica.

Na prática, a GTFoods ainda não obteve os recursos para a fábrica de embutidos, mas a securitização do crédito pela Euler Hermes, que atua como seguradora do governo alemão. Os recursos devem ser emprestados por bancos estrangeiros que atuam no âmbito da Agência de Crédito às Exportações da Alemanha. A contrapartida da GTFoods é adquirir ao menos 51% das máquinas para a fábrica na Alemanha. A trading alemã Ferrostaal fará a compra dos equipamentos. Segundo Bellizia, o crédito aprovado terá prazo de dez anos, com dois de carência e taxa de juros entre 1% e 2% ao ano.

Pelo cronograma, o GTFoods tem seis meses (prorrogável por mais seis) para obter o crédito nos bancos. O prazo de construção é de 18 meses a 24 meses, mas Bellizia ressalvou que a concretização depende da melhora da economia brasileira, o que poderia acontecer no segundo semestre de 2017. Se assim for, a fábrica ficaria pronta em 2019. (Valor Econômico) (Luiz Henrique Mendes) Leia mais em ovosite 20/06/2016

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