Entre os principais credores financeiros da Unialco estão Santander, ItaúBBA, Bradesco, HSBC, Natixis e HSH Nordbank. A intenção da Cocal é adquirir a usina Guararapes, localizada no município paulista de mesmo nome, e distante 200 quilômetros de suas duas unidades, em operação em Paraguaçu Paulista e Narandiba.
Duas possibilidades foram colocadas na mesa. A primeira propõe R$ 142,7 milhões pela unidade por meio de assunção de dívida, o que significaria que os débitos bancários totais, de R$ 713 milhões, sofreriam um desconto de 80%. Essa "nova" dívida seria ainda parcelada por um prazo de sete anos, com carência de 36 meses para o pagamento do principal e também carência do pagamento de juros até abril de 2017.
Os bancos que aderirem a essa primeira opção teriam ainda que participar de uma operação sindicalizada com outras instituições financeiras credoras para conceder um novo empréstimo, de R$ 70 milhões para capital de giro da usina. O proposto foi que essa nova operação teria 12 meses de carência e prazo de seis anos de pagamento.
A segunda proposta foi direcionada aos credores que buscam receber à vista. Nesse caso, haveria um desconto de 95% sobre o principal da dívida bancária. Mas, segundo apurou a reportagem, a intenção da Cocal é que a maior parte dos credores aceite a primeira proposta, de parcelamento. Procurada, a Cocal não se pronunciou.
Com capacidade para moer até 2,5 milhões de toneladas de cana por safra, a usina Guararapes processou na atual temporada, a 2015/16, um volume de 2,1 milhões, segundo a Unialco que, nesta transação de compra e venda está sendo assessorada pela Czarnikow. A outra unidade, localizada em Aparecida do Taboado (MS) e que está fora da negociação com a Cocal, processou no ciclo 1,5 milhão de toneladas.
Se o negócio com a Guararapes for concretizado, o grupo Cocal, que atualmente detém duas usinas que moem juntas 10 milhões de toneladas, passaria a um processamento anual de superior a 12 milhões de toneladas.
Para realizar o negócio, os ativos da Guararapes (agrícola e industrial) teriam que ser transferidos para uma Unidade Produtiva Independente (UPI) e colocados à venda em um leilão judicial, uma vez que a empresa está em recuperação. Os débitos fiscais e trabalhistas da unidade ficariam fora da negociação e permaneceriam sob o guarda-chuva do grupo Unialco ¬ que, no caso da venda da UPI Guararapes, passaria a ter somente a unidade Alcoolvale, de Aparecida do Taboado (MS).
Ao Valor, o diretor-presidente da Unialco, Luiz Zancaner, disse que não pode mencionar nomes, mas confirmou que "há interessados" na Guararapes. O grupo vinha enfrentando há alguns anos dificuldades financeiras e tentava negociar com credores uma saída para seus débitos. A empresa informou à Justiça uma dívida de R$ 1 bilhão, das quais R$ 713 milhões com bancos. Por Fabiana Batista Fonte: Valor Econômico Leia mais em copercana 11/02/2016
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