27 agosto 2015

Bunge anuncia compra do Moinho Pacífico

A divisão brasileira da gigante do agronegócio Bunge anunciou nesta quinta-feira que fechou acordo para comprar o Moinho Pacífico, localizado em Santos (SP), uma das principais empresas de processamento de trigo no país.

A operação está sujeita à aprovação de autoridades regulatórias, disse a Bunge em comunicado à imprensa, sem revelar valores da transação.

O empresário Lawrence Pih, proprietário do Moinho Pacífico, disse à Reuters em 2009 que foi procurado pela Bunge na época para vender a empresa, mas que o negócio não prosperou devido a uma diferença de 10 por cento nos valores envolvidos.

A compra do Pacífico, que possui capacidade de moagem anual de centenas de milhares toneladas de trigo, dá à Bunge posição de dominância no maior mercado consumidor no Brasil, do Estado de São Paulo.

A Bunge já conta com outros sete moinhos de trigo em Suape (PE), Brasília (DF), Santa Luzia (MG), Rio de Janeiro (RJ), Tatuí (SP), Santos (SP) e Ponta Grossa (PR).

"O mercado brasileiro de processamento de trigo é altamente competitivo e, com essa aquisição, reforçamos nossa posição em São Paulo. O Estado demanda cerca de 28 por cento da farinha de trigo comercializada no país", disse em nota o vice-presidente de Alimentos & Ingredientes da Bunge Brasil, Filipe Affonso Ferreira. (Por Gustavo Bonato)  (Reuters) - Leia mais em Bol.Uol 27/08/2015
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BUNGE COMPRA O MOINHO PACÍFICO.

Num movimento agressivo para abocanhar o mercado paulista de trigo, a multinacional Bunge comprou, por um valor não revelado, a totalidade do capital do Moinho Pacífico, comandado pelo empresário Lawrence Pih e um dos maiores da América Latina. Além da planta industrial no porto de Santos, a aquisição incluiu a infraestrutura existente no complexo portuário, formada por armazéns para 200 mil toneladas e um berço de atracação para desembarque do cereal importado. Ainda que não tenha informado o valor do negócio, o CEO da companhia, o argentino Raul Padilla, disse que esse é o maior investimento na área feito pela Bunge nos últimos anos, conforme adiantou o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor.

Em abril de 2014, a Bunge anunciou a injeção de R$ 500 milhões para construir um novo moinho no Rio de Janeiro, com condições de moer 600 mil toneladas de trigo. O Pacífico tem estrutura para moer 700 mil toneladas, mas estava processando efetivamente 250 mil toneladas. Cálculos feitos pela consultoria FG Agro, com base na média do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) dos últimos dois anos do Moinho Pacífico, apontam que a empresa ­ sem considerar o berço de atracação em Santos ­ tem um valor entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões. O cálculo foi feito aplicando um múltiplo de 8 vezes o Ebitda, o mais usado para empresas dessa natureza, conforme a consultoria. O valor da dívida bancária do Pacífico em 31 de dezembro passado era de R$ 125 milhões. Na mesma data, a empresa tinha em caixa (disponibilidades) de R$ 133 milhões. A receita em 2014 foi de R$ 278 milhões e o resultado líquido, um lucro de R$ 9,4 milhões. Procurado, o empresário Lawrence Pih não quis comentar a venda do moinho, fundado em 1955 por seu pai e que, até a década de 1990, era o maior da América Latina.

O grupo comandado por Pih tem elevados investimentos no mercado de capitais e uma empresa do ramo imobiliário detentora de um estoque de terrenos em São Paulo de 2 milhões de metros quadrados ­ o equivalente a mais de nove vezes o estádio do Maracanã. Pih, hoje com 73 anos, foi um dos primeiros empresários de maior expressão no país a apoiar publicamente o Partido dos Trabalhadores (PT), ainda na segunda metade dos anos 1980. Mas, passada mais de uma década de administração petista no governo federal, Pih se tornou um dos maiores críticos da gestão do PT. Agora nas mãos da Bunge, o Moinho Pacífico será a plataforma de crescimento da multinacional americana no Estado de São Paulo. Vai também ajudar a companhia a cumprir seu plano de crescer nessa área a uma taxa duas vezes maior que a dos concorrentes.

Segundo Filipe Affonso Ferreira, vicepresidente de Alimentos e Ingredientes da Bunge no Brasil, a múlti detém, em média, no país uma participação de mercado de 16% a 17% em trigo. Em São Paulo, essa fatia é de 10% a 12%. “Com o Pacífico, vamos ganhar 5 pontos percentuais”, disse. Na região “Leste”, formada na nomenclatura da Bunge pelos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, a multinacional vem assumindo uma postura mais agressiva de expansão. Quatro meses antes de anunciar o investimento na planta fluminense, em dezembro de 2013, a Bunge havia adquirido o moinho mineiro Vera Cruz ­ que já teve sua capacidade duplicada pela empresa. Quando colocar em operação o moinho no Rio, a moagem total da Bunge no Brasil vai saltar para 1,850 milhão de toneladas por ano, ante as 1,65 milhão atuais. O plano para o Pacífico ainda não foi definido, afirmou Filipe Ferreira. Mas, segundo ele, será superior ao volume atual, de 250 mil toneladas. “O moinho Santista [pertencente à empresa e localizado em São Paulo] já está no seu limite de capacidade. A expansão no mercado paulista virá por meio dessa planta recém­adquirida”, acrescentou.

A conclusão da compra do Moinho Pacífico ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) o que, segundo a empresa, deve ocorrer em 45 dias. O interesse da Bunge no ramo, conforme Padilla, CEO da multinacional no Brasil, baseia­se nas taxas de crescimento do negócio, na casa de 5% ao ano, apesar do ambiente altamente competitivo. “A operação, obviamente, traz margens mais robustas que aquelas vindas da operação de trading, por exemplo”, comparou Padilla. Uma das maiores companhias globais do agronegócio com um faturamento de US$ 58 bilhões no ano passado, a Bunge tem no Brasil a sua maior operação na área de trigo. “Responde por 60% das operações da companhia com o cereal no mundo”, observou Padilla. No Brasil, a Bunge faturou com todos os seus negócios ­ Agronegócio, Alimentos e Ingredientes e Açúcar e Bioenergia ­ R$ 40 bilhões. A operação de trigo responde por cerca de 40% a 50% do negócio de Alimentos e Ingredientes da multinacional no país.

FONTE COMPLEMENTAR: O ESTADO DE S. PAULO

Bunge fecha aquisição do Moinho Pacífico

Com negócio, multinacional reforça posição no processamento de trigo em São Paulo gigante do agronegócio Bunge, dona de marcas como Soya e Andorinha, fechou um acordo para comprar o Moinho Pacífico, um dos maiores importadores e processadores de trigo da América Latina, localizado em Santos (SP). Os valores da transação não foram divulgados e a operação ainda está sujeita à aprovação de autoridades regulatórias. Com faturamento de R$ 278,4 milhões no ano passado, o Moinho Pacífico pertence ao chinês naturalizado brasileiro Lawrence Pih.

Ele é conhecido não só no meio empresarial, por sua trajetória empreendedora, mas também entre políticos, já que foi um dos primeiros empresários brasileiros de peso a apoiar o Partido dos Trabalhadores e a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, na década de 1980. No ano passado, ele declarou em diversas entrevistas à imprensa que tinha mudado de lado e votaria na oposição. Pih disse ter rompido com o PT em 2008, por questões ideológicas. “Não importa quem esteja lá, negociar com o Congresso tem um custo muito alto. Acho que eu não tinha o entendimento adequado de como funciona a política no Brasil. Houve pequenas mudanças, mas as grandes reformas não foram feitas”, afirmou em entrevista ao jornal Valor Econômico, emmaio de 2014. “Se Dilma continuar, o Brasil vai virar uma Argentina, sem dúvida. E a minha grande preocupação é que, depois da Argentina, sejamos uma Venezuela”, disse à revista Isto É, em outubro.

Além do Moinho Pacífico, o empresário, de 73 anos, tem investimentos na Bolsa e um extenso portfólio de imóveis e terrenos, principalmente no Estado de São Paulo. Interesse antigo. As conversas com a Bunge não são recentes. Em 2009, Lawrence Pih chegou a declarar à Reuters que tinha sido procurado pela multinacional para vender a empresa, mas o negócio não prosperou por causa de uma diferença de 10% na negociação dos valores. A compra do Pacífico, que tem capacidade de moagem anual de centenas de milhares toneladas de trigo, dá à Bunge posição de dominância no maior mercado consumidor no Brasil, o Estado de São Paulo. A Bunge já conta com outros sete moinhos de trigo em Suape (PE), Brasília (DF), Santa Luzia (MG), Rio de Janeiro (RJ), Tatuí (SP), Santos (SP) e Ponta Grossa (PR). “O mercado brasileiro de processamento de trigo é altamente competitivo e, com essa aquisição, reforçamos nossa posição em São Paulo. O Estado demanda cerca de 28% da farinha de trigo comercializada no País”, disse, em nota, o vice-presidente de Alimentos e Ingredientes da Bunge Brasil, Filipe Affonso Ferreira.

Resultado fraco. No ano passado, o Moinho Pacífico registrou resultados mais fracos que os de 2013. De um ano para o outro, a receita caiu 2,1%, para R$ 278,4 milhões e o lucro líquido despencou de R$ 80,6 milhões para R$ 9,4 milhões. A companhia, no entanto, conseguiu manter uma dívida líquida negativa de R$ 7,6 milhões. No ano anterior, a cifra girava em torno de R$ 37 milhões. Em 2013, o setor como um todo, incluindo moagem e produtores de trigo, sofreram por causa da chuva que prejudicou a colheita em alguns Estados do País, como Paraná e Rio Grande do Sul. O Brasil consome 11 milhões de toneladas de trigo por ano, mas só produz 5 milhões de toneladas. / REUTERS. Fonte: VALOR ECONÔMICO Leia mais em correpar 27/08/2015

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