27 abril 2009

Diferença de percepção entre vendedores e compradores

Interessante entrevista do David Rubenstein, fundador do Carlyle maior fundo de private equity do mundo, a revista Exame. Em relação a duração da crise, afirma que a recessão americana vai acabar no fim de 2009 ou início de 2010. Já a recessão na Europa deve durar de seis a nove meses mais que nos Estados Unidos, e eles terão mais dificuldades para sair dela, já que não têm a mesma capacidade que os Estados Unidos têm de emitir dívida.
Ressalta que haverá muitas cicatrizes. “Mesmo depois que essa crise passar, seus impactos levarão de cinco a dez anos para ir embora. Países e empresas ficarão muito menos dispostos a arriscar, as economias serão menos endividadas, a inflação e os impostos vão aumentar. Finalmente, o protecionismo vai crescer”.

Em relação às operações de M&A, comenta que os preços ainda estão muito altos, ressaltando que não houve muitas aquisições por fundos de private equity em nenhuma parte do mundo nos últimos meses. Há uma enorme diferença de percepção entre vendedores e compradores. Os vendedores esperam que a economia se recupere mais rápido e cobram mais por seu negócio. Já os compradores temem que a recessão se aprofunde e, assim, a empresa comprada se desvalorize.
Quanto às oportunidades de aquisição atualmente destaca que alguns mercados ao redor do mundo estão particularmente atraentes, e o Brasil é, para ele, o número 1 entre os países emergentes. Tanto o Brasil como a China são os mais importantes mercados emergentes hoje. O Brasil está melhor que a maioria das outras economias. Alguns países desabaram, como a Rússia. “Isso não aconteceu aqui, o que vai atrair nossos concorrentes para o Brasil. Não acho que eles terão fundos dedicados exclusivamente ao Brasil, já que não é esse seu estilo, mas certamente eles disputarão aquisições conosco.”

21 abril 2009

O tempo é tudo em M&A.

Assistimos neste mês uma disputa histórica entre gigantes em uma operação de M&A.
Nos primeiros dias de abril, a proposta da IBM para aquisição de SUN, por US$ 6,5 milhões foi rejeitada. Havia, contudo, expectativas de retomada dos entendimentos.

Cerca de duas semanas depois, enquanto o mercado ainda discutia sobre os possíveis destinos da SUN, foi surpreendido, com o anúncio da proposta de aquisição pela ORACLE, e aceita pela SUN, no montante de US$ 7,38 bilhões.

É sabido os movimentos agressivos da ORACLE de Compradora serial - adquiriu mais de 50 empresas desde 2005, sendo que 24 companhias foram compradas nos últimos 28 meses. Agora junta-se mais este, velocidade no processo decisório.

A Oracle faturou US$ 22,4 bilhões no ano fiscal de 2008, com lucro de US$ 5,5 bilhões. Possui 85 mil funcionários e cerca de 320 mil clientes.
A Sun e faturou US$ 13,8 bilhões em 2008, com lucro de apenas US$ 403 milhões e 33,5 mil funcionários.

17 abril 2009

O jogo: IBM & SUN e MICROSOFT & YAHOO!

As tentativas da IBM para comprar a Sun Microsystems tornaram-se o romance empresarial mais conturbado dos últimos tempos no setor de tecnologia da informação (TI), marcado por idas e vindas de ambos os lados, como convém a uma história de amor. Há duas semanas o conselho de administração da Sun rompeu as negociações alegando um preço baixo demais. Ontem, porém, o quadro se inverteu. A TV americana CNBC noticiou de que a IBM teria desistido do negócio, preocupada com os possíveis problemas que poderia enfrentar com as autoridades regulatórias. Divulgou, ainda, que a Sun sugeriu à IBM, no início da semana, retornar à mesa de negociações, numa indicação de que seu conselho estaria mais flexível em relação ao valor da oferta.

A IBM, no entanto, já teria descartado o negócio, depois que contatos na União Européia e na SEC americana. A Sun estaria disposta a qualquer coisa para retomar as negociações se a IBM fizer um compromisso mais forte de ir adiante com a compra, de acordo com informações repassadas à Bloomberg. As negociações estariam paralisadas e cada uma das companhias esperando pelo movimento da outra.

Por sua vez, namoro entre a Microsoft e Yahoo! teve mais um round.

Foi anunciado esta semana a retomada das conversas entre a duas empresas sobre uma possível aliança para publicidade na internet. Esta retomada ocorre após o fracasso no ano passado da oferta hostil da Microsoft sobre a Yahoo! no valor de US$ 47,5 bilhões. Em março/09, durante uma conferência de empresas de mídia e tecnologia em Nova York, Steve Ballmer, CEO da Microsoft, expressou novamente seu interesse em adquirir parte do Yahoo!. Disse que um acordo com o portal de internet ajudaria sua companhia a expandir a base de usuários do seu mecanismo de buscas online.

Consolidação no mercado de refeições coletivas

O mercado de refeições coletivas vive dias agitados. Ontem, a Gran Sapore, uma das maiores do setor no país, comprou o controle da gaúcha BQ Benefícios, administradora de vales-refeição e alimentação com 3 mil clientes e cerca de 150 mil usuários, principalmente na região Sul. Na semana que vem, a paulista Nutrin vai anunciar a aquisição de uma concorrente de menor porte, de Minas Gerais e dentro de duas semanas, a líder de mercado GRSA deve divulgar a compra de uma empresa de refeições da região Sudeste, com faturamento anual de R$ 60 milhões.

Os negócios fazem parte de um movimento de aquisições esperado. No ano passado, GRSA e Nutrin já afirmavam que comprar concorrentes fazia parte de suas estratégias de expansão.

Com cerca de 900 empresas em operação no país, segundo cálculos da Aberc (associação do setor), o mercado de refeições coletivas tende à consolidação. Mais de 80% do faturamento anual do setor, de R$ 9,5 bilhões, está nas mãos de 100 companhias. A maior delas, a GRSA, que pertence ao grupo inglês Compass lidera com 17% de participação. Em seguida vem Gran Sapore, com faturamento de R$ 900 milhões, Puras (R$ 767 milhões) e Sodexo (R$ 730 milhões).

"As compras aceleram o crescimento e abreviam o 'pay back' ao acionista", diz o diretor-geral da GRSA, Paulo Pires. É uma maneira de aumentar vendas e diluir custos fixos. A companhia pretende crescer 15% no ano fiscal que se encerra em 30 de setembro.

É o mesmo raciocínio que pauta a estratégia da Nutrin, que faturou R$ 115 milhões em 2008 e pretende crescer 18% neste ano, apesar do cenário econômico de desaceleração. Nenhuma das duas companhias revela o nome das empresas que estão sendo adquiridas. As compras concluídas agora já vinham sendo negociadas há vários meses e foram iniciadas antes do agravamento da crise financeira mundial, em setembro.

Mas é praticamente consenso no mercado que, com o novo contexto, esse movimento deve se intensificar. "Há uma tendência de consolidação que deve ser acelerada", diz o presidente da Gran Sapore, Daniel Mendez.

Com todas as empresas preocupadas em reduzir custos e renegociar contratos, a competitividade entre prestadores de serviços, como os fornecedores de refeições corporativas, ficou mais acirrada. E nem todos têm condições de reduzir o preço cobrado dos clientes sem que sua saúde financeira seja fatalmente afetada. Além disso, as demissões, férias coletivas e licenças remuneradas nas indústrias - que respondem por 65% da receita do setor - têm provocado queda nos faturamentos. Some-se a isso o aperto no crédito e é fácil concluir porque muitas companhias têm batido à porta das grandes do setor. "Nesse momento, a saída para muitas empresas é buscar parcerias, fusões ou mesmo a venda do negócio", diz Rogério da Costa Vieira, vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Refeições Coletivas (Aberc).

De outro lado, a crise acabou adiando alguns negócios. Além da empresa de refeições do Sudeste, está nos planos da GRSA desde o início do ano passado a aquisição de uma fornecedora de serviços corporativos de apoio (como jardinagem, recepção, limpeza e manutenção predial), para crescer nesse segmento, em que sua atuação hoje é pequena.

A aquisição da Sapore tem o objetivo de avançar em um segmento novo mais rapidamente, inclusive criou em agosto a Sapore Benefícios, para entrar na área de cartões-alimentação. A previsão inicial era investir R$ 35 milhões em dois anos na operação. Com a compra, esse investimento - redimensionado para R$ 30 milhões - será feito em um ano. A BQ será absorvida pela Sapore Benefícios. No ano passado, a BQ faturou R$ 250 milhões. Com ela, a Sapore pretende atingir R$ 1,5 bilhão em 2009.

15 abril 2009

Onda de consolidação no setor de TI

O mercado de TI irá passar por uma nova onda de consolidação, as quais devem incluir fusões e aquisições entre empresas, em particular entre as grandes.

A noticia publicada nesta semana, refere-se a avaliação do vice-presidente de pesquisas do Gartner, que acredita que a crise mundial forçará uma nova onda de negociações entre as empresas, principalmente em decorrência da dificuldade de manterem a rentabilidade e da desvalorização dos ativos no mercado. Segundo ele, teremos ao longo desse ano diversos negócios envolvendo empresas de TI, até de empresas que atualmente concorrem entre si. O mercado deverá assistir a negociações entre companhias de grande porte.

Voltando agora para análise do cenário brasileiro, deveremos ter fenômeno parecido, sobretudo no “middle-market”. E as negociações deverão se intensificar no segundo semestre de 2009, possivelmente repetindo o equivalente número de operações ocorridas no mesmo período de 2008. O primeiro trimestre de 2009 foi bastante modesto, pelo menos em relação às operações divulgadas pela imprensa, o que revela o clima de cautela.

07 abril 2009

Aquisições em tempo de crise têm melhores resultados

Recente estudo divulgado pelo Boston Consulting Group, analisou cerca de 408 mil aquisições realizadas entre 1981 e 2008, concluiu que aquisições feitas em períodos de crise têm resultados melhores.

Segundo o estudo, aquisições realizadas em períodos de queda na economia têm duas vezes mais possibilidades de oferecer retorno acima de 50% em longo prazo e, em média, geram 14,5% mais valor para os acionistas da companhia adquirente. (A consultoria considera como economia em queda períodos com crescimento anual abaixo de 3%).

“Muitas companhias fogem de processos de fusão e aquisição durante períodos de queda, mas a pesquisa aponta que, geralmente, este é o momento ideal para fazer uma aquisição”, diz o relatório.

A chave para o sucesso de potenciais compradores está em manter o foco nos tipos certos de empresas a serem compradas: tipicamente aquelas com forte faturamento, mas com rentabilidade frágil.