30 julho 2018

Sabesp vai buscar parceiros para investir em novas áreas de negócios

Karla Bertocco, presidente desde maio, diz estar mais convicta da viabilidade do projeto da holding desde a volta à Sabesp

A experiência em parcerias com a iniciativa privada tornou-se uma responsabilidade a mais para Karla Bertocco, que assumiu a presidência da Sabesp em maio. A executiva terá, além da tarefa de comandar a maior companhia de saneamento do país, a missão de buscar oportunidades de novos negócios, sem deixar de lado a função principal da empresa: universalização do acesso a saneamento.

"Ele [o governador Márcio França] ficou muito animado com algumas iniciativas que minha equipe desenvolveu no governo, então a missão que veio foi nessa linha da inovação", afirmou a presidente da Sabesp, em entrevista exclusiva ao Valor, a primeira desde que ela assumiu a companhia. Antes disso, Karla foi subsecretária de parcerias e inovação do governo paulista na administração Geraldo Alckmin.

A empresa criou, inclusive, uma área ligada à presidência com foco exclusivo em novos negócios, que deve começar a funcionar oficialmente a partir da próxima semana. Mas, para manter o foco principal dos investimentos no fortalecimento da rede, Karla pretende recorrer a parcerias com a iniciativa privada, que não necessariamente terão a Sabesp como principal acionista.

"Acredito em parcerias público-privadas. A Sabesp tem muitos pontos fortes, mas é difícil explorar todas essas oportunidades sem você criar subsidiárias com a participação cada vez maior de terceiros", afirma a executiva. "Acredito que deixamos passar oportunidades e acredito em uma Sabesp mais forte, a partir do momento que ela cresça."

Entre as possibilidades de expansão avaliadas na Sabesp, estão não apenas projetos de água e esgoto, como também em drenagem e resíduos sólidos.

Além dessa função extra, a executiva terá de dar continuidade à questões da gestão anterior. Karla substituiu Jerson Kelman, que estava na presidência desde 2015 e liderou as ações para o combate à crise hídrica. Apesar da forte estiagem no estado neste ano ser vista com preocupação, ela não crê em problemas de abastecimento, fruto das obras realizadas e também da redução do consumo médio. "A empresa agiu bem e agiu relativamente rápido", afirma. Desde então, a Sabesp investiu R$ 6,8 bilhões em obras nos sistemas que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo.

Outro ponto importante na sua gestão é a revisão tarifária, processo que está sempre na mira dos investidores. Principal vetor para a desvalorização de 24% nas ações da Sabesp neste ano, a revisão ainda é contestada pela companhia. Karla disse que a empresa protocolou pedidos com questionamentos administrativo e jurídico.

A revisão conduzida pela Arsesp, agência reguladora paulista, ocorreu em dois ciclos: um encerrado em novembro, com reajuste de 7,88%, e outro em maio, com alta das tarifas em 3,5%. A segunda fase surpreendeu negativamente a companhia e o mercado, uma vez que as notas técnicas preliminares apontavam acréscimo de 4,77%.

A Sabesp dividiu os questionamentos enviados à Arsesp em dois documentos, o primeiro de característica técnico-econômica e o segundo de natureza jurídica. Karla explica que ter atuado na agência reguladora, no passado, facilitou a estruturação dos pedidos.

A presidente da Sabesp participou da gênese da Arsesp, onde trabalhou entre 2008 e 2010. Ao todo, está na administração pública desde 2000, incluindo passagens anteriores pela Sabesp e a presidência da Artesp, agência reguladora de transportes.

"São questões muito mais objetivas, não é uma questão de insatisfação. No primeiro caso, foi um recurso administrativo. Daí a vantagem de ter trabalhado na agência, porque sabe qual recurso utilizar, para quem que ele vai. Isso ajuda", disse. "Em administração pública, o procedimento, às vezes, é tão importante quanto o conteúdo."

Se no primeiro pleito, o viés é econômico, quase matemático, o segundo questionamento engloba discussão dos limites de poder da Arsesp, como o de alterar no segundo ciclo de revisão posições levantadas na primeira fase. "Esse segundo a gente acredita que tenha um tempo maior de apreciação, pois terá de tramitar por mais áreas dentro da agência", afirmou.

Outra preocupação é o projeto de constituição da holding que administrará a fatia do capital do controlador da companhia, o Estado de São Paulo. A iniciativa não foi descartada, mas a Sabesp ainda aguarda condições mais favoráveis de mercado. A venda de uma parte minoritária na holding levaria a uma capitalização da Sabesp. "Desde que voltei para a Sabesp, fiquei mais convicta da viabilidade do projeto da holding", afirmou. Como subsecretária, ela já negociava a criação da holding. Em conversa recente com o Valor, o governador Márcio França afirmou que "tinha dúvidas" sobre o real interesse do mercado na operação.

As dúvidas, além da atratividade, são de quanto valeria essa fatia no cenário atual. "A Sabesp continua trabalhando em parceria com o governo do Estado. Mas, do momento em que me envolvi até agora, infelizmente a situação, do ponto de vista de mercado, e econômica, se deteriorou muito", diz. Nilani Goettems/Valor    Publicado por Valor Online Leia mais em gsnoticias 30/07/2018


30 julho 2018



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