10 agosto 2017

FS Bioenergia planeja mais um aporte em etanol de milho

Mal saiu do forno o investimento da FS Bioenergia em uma usina que produz etanol exclusivamente a partir de milho em Mato Grosso e a empresa prepara-se para um novo aporte. Com a planta de Lucas de Rio Verde operando desde o fim de junho, a FS – joint venture entre a gestora americana Summit Agricultural Group e a companhia mato-grossense de grãos Fiagril – deve iniciar a duplicação da unidade já no primeiro trimestre de 2018. E ainda planeja, em até cinco anos, ter ao menos mais uma usina de etanol de milho no Estado.

Para fazer a duplicação, a empresa prevê um aporte de R$ 250 milhões, a ser desembolsado ao longo de 18 meses. Para a construção da fábrica atual, a primeira no país a usar apenas milho para produzir etanol e que será inaugurada amanhã, foram investidos R$ 450 milhões.

A expectativa da FS é alcançar uma receita de R$ 1 bilhão por ano quando a duplicação terminar. Com a estrutura atual, a empresa espera faturar entre R$ 520 milhões e R$ 550 milhões por ano.

Mais de 70% da receita da usina deverá ter origem na venda de etanol, segundo Rafael Abud, vice-presidente e diretor financeiro da FS. A outra parte será proveniente de "coprodutos": óleo de milho para biodiesel, três tipos de DDG (Distillers Dried Grains), que são farelos de milho extraídos da produção de etanol, e energia elétrica a partir de biomassa (principalmente à base de eucalipto).

A usina é vizinha de um frigorífico e de uma fábrica de rações da BRF, e de uma planta de biodiesel da Fiagril, que poderão ser alguns dos clientes de seus coprodutos, de acordo com o executivo.

O novo aporte não significa afobamento, diz Henrique Ubrig, presidente da FS. "É prudente concluir essa primeira fase, entender o que estava no projeto e o que está acontecendo na prática", afirma. A construção da nova estrutura começará assim que a planta atual alcançar sua plena capacidade e o financiamento for resolvido.

Ainda em agosto a FS espera ocupar 100% da capacidade atual da usina. Isso significa moer 50 mil toneladas de milho mensais. Neste momento, essa taxa está em 75%. Ubrig acredita que, em setembro, a usina já gerará caixa – o que, se mantido nos meses seguintes, será em parte utilizado para bancar a duplicação.

Os recursos próprios da FS, porém, não devem garantir todo o investimento na expansão. Uma fonte adicional de recursos está sendo estudada – pode ser um financiamento com bancos, no mercado de capitais, ou novo aporte dos sócios. Ante um cenário de restrição de crédito no país, a FS não descarta recorrer a bancos estrangeiros. "Só tomaremos muita cautela com a alavancagem financeira", ressalva Ubrig.

O endividamento não deve ser muito maior que o dobro do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), mas essa correlação dependerá da "engenharia financeira" do novo aporte, afirma. "Em fase pré-operacional, se é mais conservador. Mas podemos ser mais arrojados."

Em um horizonte de até cinco anos, a FS quer erguer ao menos mais uma usina de etanol de milho em Mato Grosso, mas ainda avalia a melhor localização. Se Sinop, por exemplo, está no coração da produção do cereal do Estado, Rondonópolis tem a facilidade de acesso ferroviário ao Sudeste, maior consumidor de etanol do país. "Vai depender da direção do mercado de etanol e das políticas, como o RenovaBio", observa Ubrig.

Do investimento de R$ 450 milhões recém-concluído, 40% foi levantado com um investidor americano do agronegócio – cujo nome a FS não revela – e será pago em cinco anos. Os demais recursos foram aportados pelos sócios da joint venture, quase na mesma proporção da fatia de cada um no negócio: 75% da Summit e 25% da Fiagril.

Inicialmente, ambos teriam participações iguais na joint venture. Mas, com a dificuldade de convencer os bancos a financiar uma empreitada sem precedentes em um país tradicional pelo etanol de cana, os americanos decidiram garantir recursos – desde que tivessem participação maior.

Segundo Ubrig, ao menos inicialmente o negócio não deve gerar dividendos. Pela própria característica de atuação do Summit, que administra vários fundos com atuação no setor, o objetivo é gerar valor na fábrica. Eventualmente, a Summit pode vender o negócio no futuro, mas com um patrimônio mais robusto.

A eventual saída da Summit do capital da FS no futuro pode levar também à saída da Fiagril, que tem se voltado a participações minoritárias. Recentemente, a companhia mato-grossense vendeu uma fatia majoritária na Fiagril Ltda para empresa do chinês Pengxin Group. "Mas tudo vai ser sempre muito conversado", garante Ubrig. Por Camila Souza Ramos | De Lucas do Rio Verde (MT) Fonte : Valor Leia mais em alfonsin 10/08/2017

10 agosto 2017



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