13 fevereiro 2012

O olheiro do Blackstone no Brasil

Um ano e meio após se associar ao fundo, Pátria contrata executivo que buscará negócios no País para seu grande sócio

Um ano e meio após vender 40% de seu capital para o Blackstone, o Pátria decidiu reforçar sua ligação com o sócio americano. Acaba de criar um novo cargo na gestora com foco exclusivo na prospecção de negócios no Brasil para o gigante global de private equity. A ideia é aumentar o tamanho da lupa na hora de buscar oportunidades no País.

"Nas operações que fechamos, estamos habituados a fazer cheques na faixa de US$ 100 milhões a US$ 150 milhões, compatíveis com os fundos de US$ 1 bilhão que captamos", diz Olímpio Matarazzo Neto, um dos quatro principais sócios da gestora de recursos brasileira. "Como apenas um negócio da Blackstone pode ter o porte de um fundo inteiro nosso, com essa nova função a gente passa a olhar para empresas que comportam cheques maiores", explica. O fundo de private equity mais recente captado pelo Blackstone foi de US$ 17 bilhões, no ano passado.

Para tocar a nova área, o Pátria trouxe o gaúcho Pedro Paulo de Campos, um dos sócios fundadores da Angra Partners, conhecida principalmente por atuar em processos de reestruturação, como na tumultuada briga societária da Brasil Telecom, em que representava os fundos de pensão. Antes, o executivo foi ainda diretor do Citigroup para a América Latina e presidente do banco GE Capital para a mesma região.

Apesar de não ser cria da casa, o engenheiro e administrador de empresas é um velho conhecido dos fundadores do Pátria. Nos anos 80, Matarazzo e Campos trabalharam juntos como banqueiros na filial brasileira do JP Morgan.

Radar. Há um mês na nova função, Campos afirma que já tem seis negociações em andamento. "O esforço é fechar as operações o quanto antes, mas não há nenhuma pressão de se investir tantos bilhões em tantos meses", diz. Segundo ele, o espectro de interesse é amplo, mas há algumas prioridades. "Mineração e agronegócios - setores nos quais os fundos do Pátria não têm mandato - são áreas chave", afirma o executivo.

No caso de segmentos que também estão no radar dos fundos do Pátria, como óleo e gás, um co-investimento seria muito bem-vindo, na avaliação de Campos. Logística, consumo e setor imobiliário também estão no radar do executivo, que faz questão de dizer que não descarta operações mais modestas.

No dia a dia, Campos está em contato direto com as áreas de análise do Pátria e espera receber uma vez ao mês diretores seniores do Blackstone, além das equipes de trabalho do fundo americano que estão com frequência no País.

A favor do fechamento das operações, a nova área do Pátria conta com o interesse crescente dos investidores por países emergentes - frente à crise nos Estados Unidos e, sobretudo, na Europa. "A gente passou a vida explicando para os estrangeiros que o Brasil não era tão ruim. Agora a gente explica que o Brasil não é tão bom quanto eles acham", diverte-se Matarazzo.

Brincadeiras à parte, o sócio diz que o País tem ainda muito terreno para operações de private equity. "Existe demanda de capital em todas as searas do Brasil", afirma. "Em setores muito básicos, você consegue, com teses de investimentos adequadas, atingir os retornos que os investidores em geral esperam, cerca de 20% ao ano."

Baleia corredora. Para um concorrente, o porte das operações pode ser um complicador. "Para se atingir um retorno desse nível, é preciso alavancar a operação, comprar barato ou achar uma empresa que cresça 20% a 25% por ano", explica. Segundo ele, como as duas primeiras opções são praticamente inviáveis - pois dívida no Brasil é cara e já não há pechinchas - resta achar uma empresa de grande porte que consiga ter um crescimento de 20% a 25% ao ano. "Baleia corredora não é coisa fácil de se ver por aí", diz o concorrente.Por CÁTIA LUZ
Fonte:estadao13/02/2012

13 fevereiro 2012



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